Os elefantes têm uma gestação de dois anos – descubra também outras gestações surpreendentes

Desde manter embriões de reserva até gestações perpétuas, muitos animais têm adaptações incríveis para garantir que as suas crias sobrevivem.

Publicado 23/08/2021, 15:28
Um gatinho no útero é mostrado numa simulação criada para a série Crescer Animal da National ...

Um gatinho no útero é mostrado numa simulação criada para a série Crescer Animal da National Geographic no Disney+. Vários escultores trabalharam e pintaram com uma precisão detalhada crias de animais em 3D, desde os vasos sanguíneos aos folículos capilares.

Fotografia de National Geographic para Disney+

Mais de 5.400 espécies de mamíferos percorrem o planeta, variando de tamanho e aparência – desde morcegos minúsculos e baleias-azuis de trinta metros de comprimento a ai-ais com dedos finos e pangolins escamosos. Esta diversidade surpreendente também está visível na forma como as mães animais atravessam o período de gestação e nascimento, desde a cadela doméstica que tem crias de pais diferentes numa só ninhada à espécie Wallabia bicolor que tem crias em dois úteros separados.

As espécies inteligentes de vida longa costumam ter gestações mais prolongadas, o que permite bastante tempo para o desenvolvimento fetal. O elefante-africano tem a gestação mais longa, chegando aos 22 meses.

Nesta imagem vemos o pé de um elefante em gestação numa simulação criada para a série Crescer Animal.

Fotografia de National Geographic para Disney+

“O bebé elefante já nasce muito completo e consegue caminhar longas distâncias”, diz Thomas Hildebrandt, veterinário do Instituto Leibniz de Pesquisa de Vida Selvagem, na Alemanha.

As cinco espécies de rinoceronte também têm uma gestação a rondar os 16 meses, resultando numa cria completamente desenvolvida. Alguns mamíferos marinhos, como o roaz-corvineiro, têm uma gestação que se estende ao longo de 10 a 12 meses, o que significa que as crias conseguem acompanhar a mãe no mar assim que nascem.

Na outra extremidade do espectro temos o animal com o período de gestação mais curto de que há conhecimento, o gambá da Virgínia. Este marsupial, o único da América do Norte, pode ter uma média de oito a nove crias passados 11 a 13 dias após o acasalamento; cada um destes “mindinhos” – têm esta alcunha porque parecem dedos – tem o tamanho de uma pequena moeda. Estes animais seguem do canal do parto para a bolsa para continuarem o seu desenvolvimento.

Seguem-se algumas das adaptações mais fascinantes que os mamíferos desenvolveram para os seus períodos de gestação – garantindo a sobrevivência das suas crias.

Sobrevivência em números

Os animais com períodos de gestação mais curtos têm várias crias, como o típico rato doméstico, uma máquina de procriar que tem uma gestação de apenas 19 dias – gerando entre 12 a 20 crias a cada dois meses. “Como o seu ambiente é muito perigoso e está em constante mudança, estes números aumentam as probabilidades de algumas crias chegarem à idade adulta”, diz Thomas Hildebrandt.

Os cães e gatos domésticos, assim como os seus homólogos selvagens, também geram várias crias num curto espaço de tempo: a gestação típica de um cão doméstico é de 63 dias, resultando numa média de cinco a seis crias.

Uma ninhada pode ter cães de vários pais, um fenómeno denominado superfecundação. Como as cadelas libertam mais do que um óvulo durante a ovulação e o seu ciclo pode durar uma semana, podem acasalar com machos diferentes para fertilizar o máximo de óvulos possível, diz Alexander Travis, biólogo da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Cornell.

É por esta razão que algumas cadelas podem ter ninhadas de raças mistas: uma cadela da raça poodle, por exemplo, pode dar à luz uma mistura poodle-beagle e uma mistura poodle-retriever ao mesmo tempo.

Um leão-marinho em gestação numa simulação criada para a série Crescer Animal.

Fotografia de National Geographic para Disney+

Pausa na gestação

Mais de 130 espécies de mamíferos, como ursos, focas, leões-marinhos e vários marsupiais, conseguem adiar a gestação até que as condições sejam favoráveis. Isto pode significar um clima favorável, mais abundância de comida ou quando as crias mais velhas já conseguem viver por conta própria e deixam de competir com os irmãos.

“Neste cenário, denominado implantação retardada, o espermatozoide encontra o óvulo, fertiliza-o e torna-se num embrião inicial. Mas não se implanta”, explica Alexander Travis. Em vez disso, o ovo fertilizado permanece num estado suspenso denominado diapausa embrionária.

Os leões-marinhos-de-steller do norte do Pacífico conseguem adiar o parto da sua cria até que “a comida seja abundante e as condições amenas”, diz Carrie Goertz, diretora do departamento de saúde animal do Alaska SeaLife Center, um aquário e centro de reabilitação.

No verão, os leões-marinhos-de-steller dão à luz em terra e ficam com o cio apenas duas semanas depois, quando podem engravidar novamente. “O óvulo é fertilizado e passam-se mais onze meses e meio até darem à luz novamente”, diz Carrie.


Durante este estado de crescimento suspenso, a mãe regressa à água para procurar alimento. “Na verdade, as mães comem por três durante a maior parte da sua vida adulta e é incrível que tenham os recursos para passar por este processo.”

Gestação de reserva

Todas as quatro espécies de canguru possuem dois úteros separados, uma adaptação que lhes permite ter um embrião de “reserva”. Depois de darem à luz uma cria sem pelos do tamanho de um feijão, as fêmeas muitas vezes engravidam de imediato no outro útero.

Conforme a pequena cria amadurece na bolsa da mãe, o outro embrião fertilizado fica em suspenso até o irmão fazer o desmame. Uma mãe canguru pode produzir leite com valores nutricionais diferentes para duas crias de idades diferentes, e a mãe tem quatro mamilos nos quais as duas crias podem mamar.

“Se uma fêmea perder uma cria, o embrião que está em diapausa retoma o seu desenvolvimento, para a mãe poder ter mais sucesso reprodutivo e mais descendentes sem ter de esperar um ano inteiro”, diz Alexander Travis.

Um estudo de março de 2020 mostrou que a espécie Wallabia bicolor também pode ter dois embriões em diferentes estágios de desenvolvimento nos úteros. Com um ultrassom de alta resolução, os investigadores descobriram que as fêmeas ovulam, acasalam e formam um novo embrião enquanto ainda carregam um feto no outro útero. Isto significa que a espécie Wallabia bicolor é a única de que há conhecimento que está sempre grávida.

Espreitar o interior do útero

Apesar de todo o conhecimento sobre reprodução e acasalamento no mundo animal, o que acontece no interior do útero permanece um mistério.

É por isso que cada vez mais cientistas estão a recorrer à tecnologia para ver o que acontece à medida que um animal se desenvolve no útero. Usando imagiologia 4D numa leoa grávida em cativeiro, por exemplo, Thomas Hildebrandt descobriu uma estrutura protetora semelhante a uma rede na qual as crias repousam no interior do útero da leoa.

Quando uma leoa está a caçar uma presa como uma zebra, é provável que leve um coice no abdómen. “Estes incidentes normalmente matariam a cria, mas isso não acontece porque a natureza projetou uma forma, um sistema de suspensão, para reduzir o impacto”, diz Thomas.

Para a nova série da National Geographic, Crescer Animal, disponível no Disney+, vários escultores trabalharam e pintaram com uma precisão detalhada crias de animais em 3D, desde os vasos sanguíneos aos folículos capilares. Pela primeira vez, os espectadores poderão ver crias de chimpanzé, leões-marinhos-de-steller, cães selvagens africanos e outros animais no útero.

Factos sobre a Gravidez
Enquanto costumes e tradições que envolvem a gravidez variam no mundo inteiro, o processo de desenvolvimento é essencialmente universal. Descubra a ciência da gravidez desde a concepção, passando pelos três trimestres até ao parto.

“Todas as pessoas gostam de crias fofinhas, mas nem todas as pessoas têm noção de como estes vulneráveis recém-nascidos são extraordinários, não só pelas adaptações com as quais nascem, como pela sua notável capacidade de aprender a sobreviver”, diz Dominic Weston, produtor do programa.

Um chimpanzé recém-nascido, por exemplo, é completamente dependente da sua mãe, mas ao contrário de um bebé humano, tem força para se agarrar ao pelo da progenitora enquanto ambos se movem nas copas das árvores em alturas de até trinta metros.

“Existem muitas tecnologias estabelecidas e emergentes a serem implementadas no estudo contínuo de crias animais, dentro e fora do útero”, diz Dominic Weston.

“O que aprendi ao longo desta série é que a curiosidade, a inventividade e a dedicação dos cientistas permitem-nos ver o quão milagrosos são estes animais e compreender o quão importante é para todos nós a sua proteção.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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