Veja as imagens vencedoras do Wildlife Photographer of the Year

O fotógrafo francês Laurent Ballesta venceu o concurso com uma imagem rara de garoupas a acasalar freneticamente.

Publicado 14/10/2021, 12:27

Nas profundezas do mar, o flash de uma câmara capta uma explosão de vida. Duas garoupas acabadas de acasalar saem de uma nuvem de óvulos e esperma no Atol de Fakarava, na Polinésia Francesa. O acasalamento de garoupas é tão raro e tão fugaz que só acontece uma vez por ano, durante cerca de 30 minutos, quando a lua está cheia em julho. O fotógrafo Laurent Ballesta passou 3.000 horas a tentar captar este momento.

Com a fotografia deste fenómeno extraordinário, Laurent Ballesta, que colabora frequentemente com a National Geographic, venceu o prestigiado prémio de Wildlife Photographer of the Year, atribuído esta semana pelo Museu de História Natural de Londres, que organiza anualmente o concurso e expõe o trabalho dos vencedores.

A fotografia, chamada “Criação”, capta “um momento mágico”, disse em comunicado de imprensa Roz Kidman Cox, presidente do painel de jurados. “É surpreendente, enérgica e intrigante, e tem uma beleza sobrenatural.”

Doug Gurr, diretor do museu, diz que a fotografia “é um lembrete convincente do que podemos vir a perder se não lidarmos com o impacto da humanidade no nosso planeta”.

Esta imagem rara e impressionante de garoupas a acasalar, captada pelo francês Laurent Ballesta, venceu a categoria de Fotografia Subaquática e o prémio de maior prestígio da competição: Wildlife Photographer of the Year. Laurent Ballesta perscrutava as profundezas do oceano no Atol de Fakarava, na Polinésia Francesa, quando duas garoupas saíram da sua nuvem leitosa de óvulos e esperma. Laurent e a sua equipa visitaram esta lagoa durante sete anos, mergulhando dia e noite para captar a desova anual destas criaturas.

Fotografia de Laurent Ballesta, Wildlife Photographer of the Year

O Atol de Fakarava, uma Reserva da Biosfera da UNESCO que está protegida das atividades comerciais, é o lar de várias espécies ameaçadas e em perigo de extinção. A garoupa Dermatolepis inermis, que está ameaçada devido à pesca industrial, está protegida neste local – pelo menos dos humanos. Durante a época de acasalamento da garoupa, centenas de tubarões-cinzentos perscrutam as águas durante a noite para se alimentarem destes peixes, que têm perto de meio metro de comprimento e cujo estado de conservação é desconhecido, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, organização que avalia o estado de conservação global das espécies.

Apesar de saber que o acasalamento aconteceria por volta da lua cheia em junho ou julho, Laurent não conseguia prever o momento exato, o que significava que tinha de maximizar o tempo passado debaixo de água. Em 2014, Laurent criou um protocolo de mergulho – o primeiro do género – que lhe permitiu passar 24 horas a 20 metros de profundidade, limitando o tempo que demorava a fazer a descompressão. Esta façanha exigiu uma calibração minuciosa para alcançar a mistura exata de gases no seu tanque de oxigénio, uma equipa de mergulho dedicada e um enorme grau de resiliência mental.

Esta estratégia planeada cuidadosamente deu os seus frutos. Em 2018, Laurent Ballesta disse à National Geographic que quando nadava entre milhares de garoupas e centenas de tubarões-cinzentos sem a proteção de uma jaula ou fato especial, “demorava algum tempo até desenvolver a intuição de que não seria mordido”. A equipa tinha de sentir confiança suficiente para que, quando colidíssemos com os tubarões, algo que por vezes pode deixar hematomas, conseguíssemos manter a calma. Os tubarões consideram-nos obstáculos, não nos encaram como presas.”

Este concurso, que já vai na sua 57ª edição, premeia 19 categorias de fotografia de vida selvagem, incluindo comportamento, fotojornalismo e retrato. Este ano, o concurso recebeu 50.000 inscrições de fotógrafos de todo o mundo. O painel de avaliação procura inovação, narrativa e capacidade técnica. (Veja aqui os vencedores do ano passado.)

O indiano Vidyun R. Hebbar, de dez anos, venceu o prémio Jovem Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano, outra distinção de topo desta competição, com a sua fotografia de uma aranha Cyrtophora citricola banhada pelas luzes e cores do arco-íris de um riquexó.

Dois outros fotógrafos que colaboram frequentemente com a National Geographic também foram homenageados. Jennifer Hayes venceu a categoria "Oceans: Bigger Picture" com a imagem de focas-harpa e das suas crias recém-nascidas no gelo fraturado do Ártico. As categorias “Bigger Picture”, introduzidas este ano, homenageiam as fotografias que focam ecossistemas cruciais, como o recuo do gelo marinho no Ártico, gelo que é vital para reprodução das focas-harpa. Jennifer voou durante várias horas de helicóptero para encontrar a imagem vencedora, que descreve como “uma pulsação de vida capaz de nos tirar o fôlego”.

Brent Stirton venceu a categoria de reportagem de fotojornalismo com o trabalho feito a documentar chimpanzés e os seus tratadores no Centro de Reabilitação de Primatas de Lwiro, na África do Sul, que resgata e reabilita primatas que ficaram órfãos devido à caça furtiva. As crias são geralmente vendidas, por vezes como animais de estimação. “Muitos destes chimpanzés acabam por viver isolados, em sofrimento e com crueldade”, escreveu Brent no Instagram. Em Lwiro, mais de cem jovens chimpanzés recebem cuidados individuais para mitigar os seus traumas físicos e psicológicos.

“Os tratadores cuidam dos chimpanzés como se fossem seus filhos”, diz Brent.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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