As 12 descobertas mais intrigantes sobre animais de 2021

Descubra as escolhas dos nossos editores para as descobertas mais intrigantes sobre vida selvagem feitas este ano, desde formigas que conseguem regenerar os seus cérebros até ao réptil mais pequeno do mundo.

Os elefantes fêmea sem presas estão a proliferar no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique. A guerra civil no país levou à caça ilegal generalizada, que matou a maioria dos elefantes e levou alguns sobreviventes a evoluir para não terem presas.

Fotografia por Elephant Voices
Por Douglas Main
Publicado 13/12/2021, 12:34

À medida que nos aproximamos do terceiro ano a conviver com a pandemia de COVID-19, e com alterações climáticas cada vez mais destruidoras, o acompanhamento de notícias científicas pode por vezes ser uma leitura pesada.

Mas a Terra continua a ser um lugar incrível, repleto de segredos e mistérios. As pesquisas sobre as maravilhas do mundo natural continuam a mostrar-nos como a vida no nosso planeta é verdadeiramente espetacular.

Seguem-se as 12 descobertas sobre animais que mais captaram a nossa atenção em 2021.

‘Nascimentos virgens’ em ave rara

Os condores-da-califórnia, necrófagos magníficos com uma envergadura de quase três metros, estiveram muito perto da extinção em meados do século XX – foram envenenados, caçados ilegalmente e o seu habitat foi destruído. Numa tentativa ambiciosa para salvar a espécie, os 22 condores que restavam na natureza foram capturados em 1987 e criados em cativeiro, antes de serem libertados em partes da Califórnia, Utah, Arizona e Baja Califórnia. A sua população total ultrapassa agora os 500 individuos.

Os investigadores acompanharam cuidadosamente os hábitos de reprodução e a genética destas aves e, em outubro, descobriram que duas fêmeas tiveram crias – sem procriar. Esta é a primeira evidência de um nascimento virgem, também conhecido por partenogénese, nesta espécie (e provavelmente em qualquer ave não domesticada). Os cientistas pensam que esta forma de reprodução é mais comum no mundo animal do que se pensava, em parte porque é difícil de detetar e raramente é rastreada.

Apesar de poder servir como uma alternativa de último recurso para as espécies raras devido à escassez de companheiros, a partenogénese também pode ter as suas desvantagens, como reduzir a diversidade genética.

Porque é que isto aconteceu? “Simplesmente não sabemos”, diz Oliver Ryder, diretor do departamento de genética de conservação da San Diego Zoo Wildlife Alliance. “Será que vai acontecer novamente? Eu prefiro acreditar que sim.”

COVID-19 detetada em veado selvagem e outros animais

O vírus que provoca a COVID-19 não afeta apenas os humanos: também pode infetar uma enorme variedade de espécies animais.

Até agora, os investigadores já encontraram evidências de infeção em animais que vivem em cativeiro ou domesticados, incluindo tigres, leões, gorilas, visons, leopardos-das-neves, cães e gatos domésticos. E acredita-se que o vírus pode provocar sintomas ligeiros noutros animais.

Mas o vírus também infeta os veados selvagens de cauda branca na América do Norte. Em Iowa, os cientistas encontraram infeções ativas em cerca de 80% dos veados, de acordo com uma investigação publicada em novembro no site bioRxiv, que publica descobertas científicas preliminares. As análises sugerem que os veados foram infetados várias vezes por pessoas e que estão a transmitir a doença uns aos outros, embora ninguém perceba como é que os veados podem ter contraído o vírus. Esta investigação é semelhante a um estudo publicado no início do ano, que revelava que 40% dos 152 veados testados em três estados – Michigan, Illinois e Nova Iorque – tinham anticorpos para o vírus SARS-CoV-2.

De acordo com os investigadores, ter um reservatório do vírus num animal comum é preocupante, porque os veados podem transmitir o vírus de volta aos humanos.

Descoberto o réptil mais pequeno do mundo

Em fevereiro, os investigadores anunciaram uma nova espécie de camaleão, Brookesia nana, que foi descoberta numa floresta tropical no norte de Madagáscar. Este chamado nano-camaleão tem o tamanho aproximado de uma semente de girassol e pode ser o réptil mais pequeno da Terra.

Encontrar um réptil tão minúsculo levanta questões interessantes sobre os limites mínimos para o tamanho corporal dos vertebrados. E também destaca a surpreendente – e altamente ameaçada – biodiversidade de Madagáscar. Os investigadores que descobriram este camaleão suspeitam que o animal rapidamente será considerado em perigo crítico de extinção.

A espécie Brookesia nana, que foi descoberta recentemente no norte de Madagáscar, é provavelmente o réptil mais pequeno da Terra.

Fotografia por Frank Glaw, Zoologische Staatssammlung München

Clonagem de um furão-de-patas-negras

Para salvar outra espécie em perigo de extinção, os cientistas conseguiram clonar um furão-de-patas-negras, recorrendo a células preservadas de um animal selvagem que morreu há muitos anos. Esta foi a primeira vez em que uma espécie nativa ameaçada de extinção foi clonada nos Estados Unidos.

Este feito, anunciado em fevereiro, é um grande avanço, já que restam apenas cerca de 500 furões-de-patas-negras – todos com parentesco de proximidade e descendentes de uma só colónia encontrada em 1981 no Wyoming, depois da espécie ter sido considerada extinta.

Porém, as células de uma fêmea chamada Willa, que morreu sem reproduzir em meados da década de 1980, foram preservadas congeladas no Frozen Zoo, um programa da San Diego Zoo Wildlife Alliance. Estas células foram depois clonadas e transformadas num furão viável chamado Elizabeth Anne.

Os investigadores esperam que a prole de Elizabeth Anne possa ser reintroduzida na natureza nos próximos anos, injetando uma dose muito necessária de diversidade genética numa população consanguínea.

Zona de diversidade mundial de abelhas

O Vale de San Bernardino, que abrange o Arizona e o México, é uma das zonas húmidas interiores mais importantes no sudoeste dos EUA. Ao longo dos tempos, a água viajou para sul a partir das montanhas e forçou o seu caminho para fora dos poços artesianos, dando origem a uma série de plantas e flores ao longo do ano. Esta diversidade de plantas também suporta uma enorme variedade de insetos, incluindo abelhas.

Em abril, um estudo publicado no Journal of Hymenoptera Research descobriu que há 497 espécies de abelhas a viver num raio de pouco mais de 15 quilómetros quadrados neste vale – uma área 10 vezes mais pequena do que Washington D.C. – de longe a maior concentração de diversidade de abelhas na Terra.

Esta descoberta torna crucial a necessidade de proteger o vale, que tem sofrido com a construção do muro fronteiriço, uma vedação de aço de 9 metros de altura que atravessa o vale. Os construtores do muro usaram grandes quantidades de água do aquífero para fazer cimento para as bases do muro, fazendo com que as fontes do vale acabassem por secar.

Estas abelhas macho de chifres longos dormem agarradas aos caules das plantas durante a noite no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de San Bernardino, lar da maior biodiversidade de abelhas da Terra.

Fotografia por Bruce D Taubert

Alguns elefantes estão a evoluir para perderem as presas

A guerra civil de Moçambique, que se arrastou desde 1977 até 1992, foi brutal para os elefantes africanos: no Parque Nacional da Gorongosa, mais de 90% dos elefantes foram mortos por causa do marfim. Mas esta carnificina teve um resultado inesperado: alguns elefantes estão a evoluir para perder as presas, reduzindo assim as probabilidades de serem mortos pelos caçadores furtivos.

A National Geographic já tinha relatado anteriormente que cerca de um terço dos elefantes fêmea mais jovens na Gorongosa, nascidos após o fim da guerra em 1992, nunca chegaram a desenvolver presas.

Uma investigação publicada em outubro na revista Science mostra que estes elefantes têm mutações em cópias dos dois genes que normalmente estimulam o desenvolvimento das presas.

Normalmente, a ausência de presas acontece apenas em cerca de 2 a 4 por cento das fêmeas.

Jaguares regressam aos EUA, reivindicando território antigo

O Arizona e o Novo México eram territórios tradicionais dos jaguares: até ao início do século XX, estes grandes felinos eram encontrados em ambos os estados, e também mais a norte, até ao Grand Canyon. Felizmente, nos últimos 15 anos, foram avistados sete jaguares no Arizona.

Os cientistas sabem agora que um jaguar adolescente vive nas terras protegidas a alguns quilómetros a sul da fronteira onde o México, o Arizona e o Novo México se encontram – um sinal de que a espécie pode estar a aumentar o seu alcance para norte a partir de uma população reprodutora em Sonora, no México.

De acordo com os cientistas, é possível que este felino consiga eventualmente recuperar partes da sua antiga área de distribuição nos EUA, isto se os próprios animais e os seus corredores de vida selvagem forem protegidos – e se o muro fronteiriço não expandir mais.

Burros e cavalos selvagens escavam poços no deserto

Embora algumas pessoas considerem os cavalos e burros selvagens uma ameaça, estes animais podem impactar o ambiente de formas que ajudam outros animais.

Em abril, um estudo publicado na revista Science revelava que estes animais conseguem usar os cascos para cavar quase dois metros de profundidade, para alcançar o lençol freático, criando assim oásis que beneficiam todos os outros animais selvagens. Os investigadores encontraram estes poços no deserto de Sonora, no oeste do Arizona, e no deserto de Mojave, registando um total de 57 espécies que visitam estas fontes de água – incluindo texugos; ursos-negros e uma variedade de aves, incluindo algumas espécies em declínio, como o mocho-duende. Este comportamento encaixa-se na definição de “engenharia de ecossistema”, um fenómeno onde a vida selvagem altera o seu ambiente, diz Erick Lundgren, autor do estudo e investigador de pós-doutoramento na Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

Lesmas-marinhas que cortam as próprias cabeças

Normalmente, quando um animal perde a cabeça, a sua vida termina. Mas não é isso que acontece com algumas lesmas-marinhas. De acordo com um estudo publicado em março na revista Current Biology, há duas espécies de animais marinhos que  arrancam as suas próprias cabeças. Cada cabeça desmembrada pode depois regenerar um corpo completamente novo.

Estas criaturas também são invulgares porque podem roubar cloroplastos das algas e, potencialmente, tirar partido da energia solar nos seus próprios corpos.

Os investigadores estão interessados nestes exemplos extremos de regeneração corporal, que podem ter implicações para a medicina.

Estas lesmas-marinhas conseguem regenerar um corpo novo após cortarem a própria cabeça, uma característica rara no reino animal.

Fotografia por Sayaka Mitoh

Cacatuas copiam comportamentos

Os animais têm cultura? Se a cultura consiste num conjunto partilhado de comportamentos que podem ser transmitidos entre indivíduos, então a resposta é afirmativa. Mas os estudos sobre aprendizagem e cultura animal geralmente concentram-se num grupo específico de mamíferos, como cetáceos e símios. Contudo, os cientistas queriam saber se os papagaios também têm cultura.

Nos subúrbios de Sydney, na Austrália, algumas cacatuas-de-crista-amarela – um papagaio colorido com hábitos de vida em social – descobriram como abrir as tampas dos caixotes do lixo, conseguindo acesso a uma nova fonte de alimento, de acordo com um estudo publicado em julho na revista Science. As outras cacatuas não perderam tempo a copiar este comportamento.

Esta descoberta significa que os papagaios “juntaram-se ao clube dos animais que mostram cultura”, diz Barbara Klump, autora principal do estudo e ecologista comportamental do Instituto Max Planck na Alemanha.

Migração de baleia estabelece recorde

Qual é a distância que uma baleia consegue nadar?

Uma baleia-cinzenta estabeleceu o recorde mundial para um vertebrado marinho ao viajar quase 27.000 quilómetros – percorrendo metade do planeta – de acordo com um estudo publicado em junho na revista Biology Letters. Este cetáceo macho, avistado ao largo da Namíbia em 2013, também é a primeira baleia-cinzenta alguma vez observada no hemisfério sul.

Quando Simon Elwen, coautor do estudo e zoólogo da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, ouviu falar pela primeira vez sobre o avistamento de 2013, ficou cético.

“É o mesmo que alguém dizer que viu um urso-polar em Paris – tecnicamente, o urso poderia chegar lá, mas simplesmente não parecia uma coisa realista.” Mas a investigação demonstrou que os genes desta baleia combinavam com os da população conhecida no Pacífico Norte.

Formigas que conseguem encolher e aumentar os seus cérebros

As formigas Harpegnathos saltator, uma espécie com mandíbulas em formato de pinça e olhos negros enormes que vivem nas florestas ao longo da costa oeste da Índia, têm uma forma estranha de escolher as suas rainhas. Para o fazer, as formigas obreiras entram numa competição onde a vencedora passa a ser a monarca, e também consegue produzir ovos. Os ovários da fêmea vencedora expandem-se, e o seu cérebro encolhe até 25%.

Mas estas rainhas também podem ser afastadas do seu pedestal e tornarem-se obreiras novamente, fazendo com que os seus órgãos reprodutores encolham e o cérebro se expanda mais uma vez – um feito extraordinário até agora desconhecido nos insetos, de acordo com um estudo publicado em abril na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.

“No mundo animal”, explica o autor principal do estudo, Clint Penick, da Universidade de Kennnisaw, “este nível de plasticidade – particularmente a plasticidade reversível – é bastante único”.  

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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