Tubarão-martelo ou tubarão-tigre: qual tem a dentada mais forte?

Um fotógrafo subaquático mediu pela primeira vez a força da dentada de dois dos maiores tubarões predadores do mundo no seu estado selvagem.

Por Melissa Hobson
Publicado 25/07/2022, 12:00
tubarões-tigre

Os tubarões-tigre são muito abundantes em Tiger Beach, um local de mergulho nas Bahamas.

Fotografia por Brian J. Skerry, Nat Geo Image Collection

Enquanto predadores de topo no oceano, os tubarões são conhecidos pelas suas proezas de caça, quer sejam as emboscadas furtivas do tubarão-da-gronelândia ou a cauda em forma de chicote do tubarão-raposo. Ainda assim, há muitas coisas que os especialistas não sabem sobre estes animais em ação, como a sua velocidade máxima e poder de dentada.

A maior parte do conhecimento científico sofre a força desferida pelas dentadas de tubarões vem de experiências com tubarões em cativeiro ou da modelagem computacional. Como é óbvio, “trabalhar com tubarões grandes e carismáticos na natureza tem enormes implicações logísticas”, diz Dan Huber, biólogo da Universidade de Tampa, que estuda tubarões.

Contudo, o fotógrafo subaquático Brocq Maxey, que ajuda a gerir a empresa de mergulho Shark Explorers, com sede na África do Sul, queria aceitar esse desafio. Na experiência que realizou, Brocq Maxey conseguiu registar a força da dentada de um tubarão-tigre e de um grande-tubarão-martelo em estado selvagem – dois dos maiores tubarões predadores do mundo – uma experiência que se acredita ser inédita para ambas as espécies.

Esquerda: Superior:

Brocq Maxey regista a força da dentada de um enorme tubarão-tigre fêmea com um medidor de força customizado em Tiger Beach, nas Bahamas.

Fotografia por Morne Hardenberg, National Geographic
Direita: Inferior:

Tubarões-limão reunidos à superfície enquanto Brocq Maxey tenta registar a força das suas dentadas.

Fotografia por Mark McClean, National Geographic

Estudar a força da dentada ajuda os cientistas a compreender como é que os tubarões evoluíram as suas estratégias de caça ao longo dos últimos 400 milhões de anos até se tornarem predadores tão eficientes, diz Dan Huber, que não esteve envolvido na nova experiência.

“Estes estudos também oferecem dados vitais para os esforços de conservação –  quanto mais os cientistas sabem sobre os tubarões e respetivos comportamentos, mais probabilidades têm de desenvolver planos para os salvar.”

E dado que a União Internacional para a Conservação da Natureza classifica o tubarão-tigre como quase ameaçado e os grandes-tubarões-martelo em perigo crítico de extinção, compreender o que estas espécies em declínio comem também é vital, explica Dan Huber. Se uma espécie evoluiu para se especializar numa presa em específico, como nas tartarugas marinhas, que também estão em perigo de extinção, as repercussões caso este alimento desapareça podem ser muito sérias. (Descubra como as populações oceânicas de raias e tubarões colapsaram 70% em 50 anos.)

Caixotes do lixo marinhos

Para realizar a experiência, Brocq Maxey encomendou um medidor customizado para medir a força da dentada de tubarões. Brocq projetou o dispositivo para ser sensível o suficiente e obter leituras precisas, mas também robusto o suficiente para suportar as poderosas mandíbulas dos tubarões. Depois, nas Bahamas, Brocq usou isca para incentivar os tubarões a morder o medidor.

Brocq Maxey e a sua equipa obtiveram uma leitura de 229 quilos de um grande-tubarão-martelo de 3,3 metros de comprimento e uma leitura de 391 quilos de um tubarão-tigre de 2,7 metros de comprimento. Apesar de ser 60 centímetros mais pequeno do que o grande-tubarão-martelo, o tubarão-tigre desferiu uma dentada 70% mais poderosa.

Dan Huber diz que, com base nos seus modelos matemáticos, são valores expectáveis.

Os grandes-tubarões-martelo (na imagem vemos um animal fotografado nas Bahamas) são a maior espécie de tubarão-martelo, atingindo comprimentos de quase 6 metros.

Durante o mês de julho, o National Geographic Wild oferece um mês de programação em que os tubarões serão protagonistas. Com emissão todos os sábados e domingos, às 17h00, o especial Sharkfest irá cativar os espectadores com uma verdade que é mais estranha que a ficção.

Os tubarões-tigre – que por vezes são chamados caixotes do lixo marinhos – para além de serem mais agressivos, também são conhecidos por comerem praticamente tudo, incluindo tartarugas marinhas. Os tubarões-tigre envolvem as suas bocas enormes em torno da presa, e depois agitam a cabeça para rasgar a carapaça dura das tartarugas. Os tubarões-martelo gastam muito menos energia e apanham as suas refeições – incluindo raias e lulas – com uma dentada súbita.

“Os tubarões podem desferir dentadas poderosas, mas isso deve-se geralmente ao seu tamanho gigantesco”, diz Dan Huber. Quando o tamanho do corpo é levado em consideração, o seu poder de dentada é relativamente fraco em comparação com outros animais, como o hipopótamo (828 quilos) e o crocodilo de água salgada – cuja dentada de 1.700 quilos é a mais forte do reino animal.

“Como têm uma boca cheia de facas de cortar carne, os grandes tubarões não precisam de uma dentada relativamente forte para conseguir uma refeição”, acrescenta Dan Huber.

Qual é a velocidade de um tubarão-anequim?

Noutro estudo inédito apresentado num novo documentário, o cineasta de vida selvagem Andy Casagrande tentou captar uma gravação de alta velocidade de um tubarão-anequim – que se acredita estar entre os tubarões mais velozes do mundo.

“Os tubarões-anequim – também conhecidos por chitas das profundezas – têm a forma de um torpedo”, diz Marianne Porter, bióloga que estuda biomecânica de tubarões na Universidade Atlântica da Flórida. “São animais elegantes e aerodinâmicos até à ponta nariz, que é ideal para perfurar a água”, diz Marianne. E também são impulsionados pela sua poderosa cauda em forma de meia-lua.

Embora existam alguns relatos de tubarões-anequim a nadar a quase 70 km por hora, Andy Casagrande esperava ser o primeiro a registar definitivamente a sua velocidade de topo.

Numa experiência inédita realizada em San Diego, Andy Casagrande colocou um tubarão-anequim a perseguir uma isca em forma de peixe, e depois seguiu o tubarão com um drone veloz equipado com GPS. O tubarão demorou dois segundos para nadar 22 metros, medido por uma régua flutuante, equivalente a uma velocidade de 39,49 km por hora. A experiência validou o método de Andy Casagrande, mas é pouco provável que esta seja a velocidade máxima de um tubarão-anequim.

Apesar de desapontado, Andy Casagrande diz compreender porque é que ainda ninguém registou a velocidade máxima definitiva de um tubarão-anequim. “É quase impossível. Quase.”

Desafios na pesquisa de tubarões

Tanto Dan Huber como Marianne Porter alertam que é difícil determinar a velocidade máxima ou a força de dentada de qualquer animal.

Por exemplo, a força das dentadas dos tubarões na natureza provavelmente estão bastante subestimadas, diz Dan Huber, porque oferecer isca “não é um cenário predatório realista”.

“Sim, sabemos que os tubarões vão morder, mas não há uma razão para se esforçarem até ao seu pico máximo de desempenho.”

“Nós, enquanto humanos, conseguimos identificar-nos com isto. Basta pensar na quantidade de vezes que qualquer um de nós teve de usar toda a sua força na vida até aos limites.”

Tal como acontece com a força de uma dentada, também a velocidade de um tubarão pode variar bastante dependendo da situação em determinado momento, diz Marianne Porter, que não participou na experiência de velocidade. “Não sabemos se o tubarão estava a seguir esta distração por curiosidade ou se estava legitimamente a tentar apanhar comida como se a sua vida dependesse disso.”

Confirmar a velocidade máxima de um animal exigiria “enormes quantidades de dados” durante um longo período de tempo, acrescenta Marianne, ainda assim, a experiência em pequena escala de Andy Casagrande pode inspirar novas abordagens.

Por exemplo, diz Marianne, os vídeos aéreos captados pelos drones podem dar aos cientistas uma visão sem precedentes sobre a forma como os tubarões se conseguem movimentar tão depressa.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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