Veja o maior frenesim de alimentação de baleias-comuns alguma vez registado

Cientistas e cineastas registaram uma enorme agregação de baleias-comuns durante as gravações de uma nova série já disponível no Disney+.

Por Jason Bittel
Publicado 14/09/2022, 11:41
baleia-comum

A baleia-comum é o segundo maior animal do planeta. Recentemente, cientistas e cineastas captaram em vídeo cerca de 300 baleias-comuns a alimentarem-se freneticamente na costa da Antártida.

Fotografia por Bertie Gregory, National Geographic for Disney+

Com um peso a rondar as 80 toneladas, as baleias-comuns são o segundo maior animal do planeta. Até há poucas décadas, estes mamíferos maciços estiveram muito perto da extinção – só no século XX foram mortas 700.000 baleias devido à sua gordura. As imagens de inúmeras baleias-comuns a reunirem-se na costa da Antártida para se alimentar eram consideradas relíquias do passado.

Agora, porém, cientistas e cineastas fizeram uma descoberta encorajadora – o registo em vídeo de um frenesim de alimentação de cerca de 300 baleias-comuns na costa da Antártida.

“Pareciam canhões numa antiga batalha marítima”, diz o cineasta de vida selvagem Bertie Gregory, Explorador da National Geographic, ao ver os jatos de água dos respiradouros das baleias no horizonte. “Foi do género, OK, isto é uma coisa que acontece. Não é apenas um conto de fadas.”

Este evento foi captado em vídeo para as Aventuras Épicas com Bertie Gregory, um novo programa da National Geographic já disponível no Disney+, e as descobertas feitas no local, que incluem novas informações sobre as rotas de migração das baleias, vão ser brevemente publicadas na revista Royal Society Open Science.

Todos os episódios de Aventuras Épicas com Bertie Gregory, da National Geographic, estão disponíveis no Disney+.

A equipa diz que esta revelação é a prova de que a moratória de 1982 sobre a caça à baleia permitiu a recuperação de algumas espécies. Antes deste ano, o maior número de baleias-comuns registado oficialmente a alimentarem-se num local pelos cientistas era de apenas 13 animais.

Contudo, vastas reuniões de baleias foram avistadas nas décadas mais recentes, diz Paula Olson, bióloga de mamíferos marinhos da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA. “Pessoalmente, já vi centenas de cada vez”, diz Paula Olson, “portanto, não acho que uma agregação de 300 baleias seja assim tão surpreendente. É invulgar, mas não é surpreendente.”

No início de 2022, Bertie Gregory e Helena Herr, da Universidade de Hamburgo, e os seus colegas publicaram um estudo na revista Scientific Reports a documentar a alimentação de um grupo de cerca de 150 baleias-comuns em 2019. Porém, Bertie Gregory diz que a expedição feita na primavera de 2021 à mesma região da Antártida documentou o dobro deste número recorde.

A vida selvagem como nunca a viu. Não perca “Aventuras Épicas com Bertie Gregory”, uma série original, já disponível no Disney+.

Hora do jantar para as baleias-comuns

Podemos pensar que localizar centenas de baleias gigantes é um trabalho fácil, mas nada estaria mais longe da verdade.

“O Oceano Antártico é reconhecidamente um lugar muito grande”, diz Leigh Hickmott, biólogo de baleias do Reino Unido e colaborador de Bertie Gregory no projeto das baleias-comuns. Ambos conheceram-se enquanto pesquisavam e filmavam orcas na Antártida para outra expedição da National Geographic.

Para descobrir onde é que as baleias-comuns se podem estar a alimentar, Leigh Hickmott começou por procurar áreas onde as correntes oceânicas profundas chocam contra as paredes íngremes da plataforma continental. Estas áreas criam uma ressurgência de nutrientes, diz Leigh Hickmott.

Estes nutrientes alimentam o fitoplâncton, que por sua vez alimenta crustáceos semelhantes a camarões, conhecidos por krill. E apesar de o krill ser minúsculo – muitas vezes só tem cerca de cinco centímetros de comprimento – é considerado uma espécie-chave, sem a qual ecossistemas inteiros entrariam em colapso. As baleias-comuns, com investidas rápidas e as suas bocas enormes, engolem literalmente toneladas de krill – até duas toneladas por dia.

Em março de 2021, com tudo isto em mente, a equipa seguiu para a ilha Elefante, que ficou famosa como o local onde o explorador Ernest Shackleton e a sua tripulação ficaram ilhados em 1916 após uma tentativa fracassada de atravessar a Antártida. Para Bertie Gregory e Leigh Hickmott, a ilha Elefante não foi mais hospitaleira do que foi para Ernest Shackleton.

Ventos com a velocidade de um furacão uivavam pela ilha, forçando a equipa a ancorar no mar e a esperar até o mau tempo passar – e a tripulação também foi assolada por enjoos. Durante o mês que a equipa passou na Antártida, só seis dias estiveram calmos e claros o suficiente para filmar em mar aberto.

Mas estes esforços rapidamente seriam recompensados.

Um dos ‘Santos Graais’ dos filmes de vida selvagem

Perto do final da expedição, depois de o vento acalmar e as nuvens dissipar, Bertie Gregory conseguiu as imagens pelas quais ansiava – centenas de baleias-comuns a alimentarem-se de krill com os picos nevados da ilha Elefante em pano de fundo.

A bordo de pequenos barcos insufláveis, a tripulação navegou silenciosamente pelo meio da fervorosa vida selvagem antártica.

“Há simplesmente milhões de aves”, diz Leigh Hickmott, “assim como baleias-jubarte, baleias-francas, pinguins, peixes e, como é óbvio, nuvens colossais de krill. A enorme quantidade de biomassa e vida à frente dos nossos olhos é absolutamente incrível.”

Com drones no céu e mergulhadores na água, a equipa conseguiu filmar o frenesim de alimentação de todos os ângulos.

“A sensação de ver estes animais enormes todos juntos é realmente mágica”, diz Bertie Gregory. “É um dos Santos Graais dos filmes de vida selvagem.”

“Mas não se trata apenas de fazer boa televisão.”

Os cientistas continuam sem saber muito sobre os locais por onde as baleias-comuns navegam e como são as suas vidas diárias, pelo que Leigh Hickmott equipou quatro baleias com etiquetas satélite temporárias para descobrir. As etiquetas, duas das quais continuaram a transmitir até maio, permitiram à equipa rastrear os animais pela primeira vez enquanto as baleias migravam para longe das suas áreas de alimentação e pela costa do Chile, sugerindo as rotas migratórias da espécie. Se conseguirmos aprender mais sobre estes animais, podemos protegê-los melhor, diz Leigh Hickmott.

E estas descobertas não podiam ter vindo em melhor altura.

“Cientificamente, vivemos momentos de muita incerteza”, diz Leigh Hickmott, referindo-se à natureza esmagadora das várias crises sobrepostas, incluindo as alterações climáticas, perda de habitat e extinções em massa.

Porém, o facto de as baleias-comuns se poderem reunir mais uma vez em números que não eram vistos desde os tempos que antecederam a caça industrial à baleia significa que os esforços de conservação estão a funcionar.

“É inspirador e incrível, mas testemunhar isto também é uma grande lição de humildade”, diz Leigh Hickmott. “Dada a oportunidade, a natureza consegue recuperar.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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