Animais

6 Progenitoras que Vão a Extremos Pelas Suas Crias

Conheça as mães mais dedicadas da natureza – onde estão incluídas aranhas, polvos, suricatas e pandas.

Por Liz Langley
SURICATAS As jovens suricatas (aqui fotografadas na parte sul-africana no Deserto do Kalahari) aprendem com as mães pacientes ou com outros membros da família como lidar com as serpentes venenosas.

Nos tradicionais cartões do dia da mãe normalmente não aparece escrito “ Mãe, tu és uma durona.” “Mãe, contigo ninguém faz farinha.” “Mãe, tu és intimidante.” “Mãe, tu vais ao extremo por mim.”

Mas talvez devesse aparecer.

Já sabemos que dar à luz não é para fracotes – e algumas mães vão ao extremo para cuidar dos seus bebés.

SURICATAS

Os escorpiões venenosos são uma das principais fontes de alimento das suricatas sul-africanas, mas demoram algum tempo a aprender a lidar com as presas perigosas.

É por isso que as mães e os outros membros da família são os pacientes professores dos seus filhotes, que lhes mostram como lidar com os aracnídeos com cuidado.

Por exemplo, as suricatas adultas ferem os escorpiões, incapacitando os seus ferrões, e apresentam as presas ainda vivas às crias mais velhas para elas treinarem.

“Há muitas mães diferentes”, incluindo tias e outros membros da família, como nota o manager editorial dos livros National Geographic Books Bridget E. Hamilton, autor do novo livro The Wisdom of Moms: Love and Lessons from the Animal Kingdom.

PANDAS

Aquando do nascimento, as crias de panda gigante são cegas e “tão pequenas que são quase como cangurus na bolsa marsupial”, diz Hamilton.

PANDA GIGANTE Min Min trata do seu pequeno bebé fêmea no Centro de Criação de Pandas Gigantes de Bifengxia, na China. Os pandas gigantes são dos animais onde se verifica uma diferença maior de tamanho entre os adultos e as crias, que requerem cuidados constantes.

Sem contar com os marsupiais, os pandas são a espécie animal com a maior diferença de tamanho entre as crias e os adultos: os recém nascidos pesam entre 85 e 142 gramas – mais ou menos o tamanho de uma barra de manteiga/um ou dois queijos frescos – enquanto que as mães atingem aproximadamente os 137 kilos.

Cuidar de um bebé tão pequeno e indefeso, requer muito esforço e atenção, e é por isso que as mães panda embalam as suas crias quase constantemente.

Temos o exemplo da Mei Xiang, que vive no Jardim Zoológico Nacional Smithsonian, que protegia de tal forma a sua cria que em 2013 tentou impedir os tratadores de a examinarem.

GOLFINHOS

GOLFINHO-PINTADO-DO-ATLÂNTICO Os golfinhos jovens ( em cima, vemos um golfinho-pintado-do-atlânticoe a sua cria a nadar afastando-se das ilhas Bimini, nas Baamas) têm de conseguir acompanhar as suas rápidas mães desde que nascem.

Os golfinhos são nadadores velozes e as suas crias precisam de conseguir acompanhá-los desde que são recém nascidas. Para ajudar, as mães golfinho-nariz-de-garrafa “criam uma passagem segura para os seus bebés”: uma onda que atrai, quase sem esforço, os corpos das crias para o corpo da sua mãe enquanto nadam, explica Hamilton.

Se, no entanto, perderem a sua cria, as mães podem emitir o seu assobio único, como que a chamar a criança pelo nome.

Um estudo de 2016 confirmou que as crias que eram separadas das suas mães as conseguiam encontrar seguindo o som do seu chamamento.

BALEIAS

CACHALOTE Um cachalote e a sua cria afastam-se de Portugal. Os mamíferos marinhos amamentam os seus descendentes por mais de dois anos.

A baleia azul tem o maior coração de todo o reino animal, pesa cerca de 182 kilos – e não nos surpreende que estes animais marinhos sejam mamãs com um grande coração.

Os cachalotes, por exemplo, amamentam as suas crias durante mais de dois anos, o que requer muito empenho, diz Hardt.

Muitas espécies de baleias também defendem ardentemente as suas crias, especialmente de outras baleias predadoras.

Recentemente a KSBW News noticiou que uma baleia-cinzenta colocou a cria nas costas e defendeu-se com a sua cauda quando foi atacada por um grupo de orcas, na baía de Monterey.

ARANHAS

Apesar de entre os aracnídeos encontrarmos diferentes graus de cuidados parentais, a aranha sul americana Mesabolivar aurantiacus “é uma ótima mãe aranha”, diz-nos por email Jo-Anne Sewlal, uma aracnologista da Universidade das Índias Ocidentais.

Esta empolgante pré-mamã “segura constantemente o saco dos ovos no seu maxilar até à eclosão”, renunciando a comida até à chegada dos pequenos, explica Sewlal.

As aranhas-lobo progenitoras carregam os sacos de ovos nos seus órgãos produtores do fio de seda, por segurança, diz Sewlal.

Depois da eclosão das crias, eles apanham boleia às costas da mãe até estarem prontos para se mudar e abandonar o seu carrão de oito patas.

POLVOS

Um invertebrado pode não ser a primeira criatura que nos vem à cabeça quando estamos a pensar em mães exemplares, mas o polvo nem compete com outros, tem o seu próprio campeonato.

Depois dos polvos fêmea depositarem os muitos ovos – por vezes podem chegar aos milhares – abanam os seu órgãos musculares, denominados de sifões, o que permite a oxigenação dos bebés em desenvolvimento e os mantém livres de bactérias nocivas.

Além de que, as mães polvo não comem nem abandonam a área do ninho enquanto aguardam a eclosão, como nos explica Marah J. Hardt, autora de Sex in the Sea.

Por exemplo, um polvo selvagem de águas profundas, que foi estudado na baía de Monterey, na Califórnia, tomou conta dos seus ovos durante quatro anos e meio, o maior hiato de tempo alguma vez registado.

Depois dos ovos eclodirem, a mãe usa o seu sifão para os atirar para mar aberto.

“E depois morre”, conta Hardt.

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