A caça furtiva de animais, explicada

Retirar animais da natureza de forma ilegal é uma ameaça para muitas espécies, podendo levar à sua extinção.

Por Jani Hall
Caça furtiva

O marfim de elefante que a polícia tem recuperado em ações contra os caçadores furtivos é habitualmente destruído de modo a garantir que não regresse ao mercado negro.

Fotografia por Getty Images

Os animais são caçados em grande escala, com milhões de animais de milhares de espécies a serem mortos ou retirados dos seus habitats naturais. A caça furtiva representa uma ameaça crescente para elefantes, rinocerontes e outros animais carismáticos, bem como para criaturas mais pequenas, como certos lagartos e macacos.

Porque razão se caçam animais

Os caçadores matam ou capturam animais para vendê-los localmente ou para o comércio global de animais selvagens. O comércio de vida selvagem é um grande mercado negro que aumentou ao mesmo tempo que crescia a riqueza na Ásia (um forte consumidor de vida selvagem), bem como com a chegada do comércio eletrónico e das redes sociais.

Alguns animais, como pássaros, répteis e primatas, são capturados vivos para que possam ser vendidos como animais de estimação exóticos. Por outro lado, os animais abatidos têm valor comercial, como alimento, usos em joalharia, decoração ou medicina tradicional. As presas de marfim dos elefantes africanos, por exemplo, são esculpidas para bugigangas ou para peças de exposição. As escamas dos pangolins, pequenos animais que comem formigas, são transformadas em pó e consumidas pelos seus supostos poderes curativos. A carne de símios, cobras e outros animais do mato é considerada uma iguaria em algumas partes de África.

Para além de matarem pelo lucro direto, os caçadores furtivos também alvejam os animais para evitar que destruam as plantações ou ataquem o gado. Isso é algo que acontece aos leões e elefantes em África, bem como aos lobos, coiotes e outros predadores na América do Norte, mas não só.

Os efeitos da caça furtiva

A caça furtiva tem consequências devastadoras para a vida selvagem. Em algumas situações, é o principal motivo que leva as espécies animais ao risco de extinção. É o caso dos elefantes africanos, com mais de 100 mil espécimes mortos entre 2014 e 2017, sempre devido ao marfim. A caça furtiva também teve um impacto catastrófico nos rinocerontes, com mais de mil animais abatidos anualmente devido aos seus chifres.

A caça furtiva para o comércio de animais de estimação exóticos afeta o bem-estar de um animal, bem como os seus números na natureza. A maioria dos animais selvagens consome dietas específicas encontradas na natureza e precisa de espaço para voar, caminhar e balançar-se nos ramos. Os animais capturados são colocados em caixas, malas ou sacos e, mesmo quando sobrevivem ao transporte, sofrem frequentemente com as condições não naturais para a sua espécie.

Depois, a caça furtiva também afeta as pessoas de forma trágica. Em África, quase 600 guardas-florestais encarregados de proteger a vida selvagem foram mortos a tiro por caçadores furtivos entre 2009 e 2016, enquanto cumpriam o seu dever.  Na República Democrática do Congo, no Parque Nacional Virunga, um dos mais perigosos do continente, pelo menos 170 guardas florestais foram assassinados nas últimas duas décadas.

Além disso, a caça furtiva tem sido associada a grupos de milícias armadas em África, que são suspeitos de utilizarem o tráfico de marfim para financiar as suas operações, o que muitas vezes ocorre juntamente com outros crimes, incluindo corrupção e branqueamento de capitais. Os animais caçados também podem espalhar doenças, como o Ébola e a SARS.

Esforços para parar a caça furtiva

Além de fornecer proteção local para os animais, muitos países consideram a caça furtiva um delito punível com prisão ou multas. Tendo em conta que os caçadores furtivos em África e na Ásia são muitas vezes habitantes locais em situação de pobreza, que obtêm pequenos lucros quando comparados com os comerciantes e chefes do crime, as penalidades pela caça furtiva de animais selvagens são geralmente menos severas do que por traficar animais selvagens.

Há também várias organizações sem fins lucrativos em todo o mundo, que trabalham para acabar com a caça furtiva de animais selvagens. Alguns destes grupos ajudaram a promover formas alternativas e mais sustentáveis para os caçadores furtivos ganharem a vida. Outra maneira através da qual as pessoas estão a trabalhar para acabar com a caça furtiva é tentando diminuir a procura ilegal de animais selvagens e de partes desse animais. Se ninguém comprar os produtos, não haverá necessidade de matar os animais.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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