Animais

Os Cães São Ainda Mais Parecidos Connosco do que Imaginávamos

Os canídeos rejeitam as pessoas que são más para os seus donos, diz um estudo.

Por Maya Wei-Haas

20 julho 2015

Não que seja surpresa para os donos dos cães, mas um estudo crescente sugere que o melhor amigo do mundo age normalmente de forma mais humana que canina.

Os cães conseguem ler as expressões faciais, comunicar ciúmes, mostrar empatia, e até ver televisão, como mostraram os estudos. Eles herdaram esses traços humanos durante a sua evolução de lobos para animais domésticos, que ocorreu entre 11.000 e 16.000 anos atrás, segundo os especialistas.

Mais precisamente "prestar-nos atenção, dar-se bem connosco [e] tolerar-nos" - que levaram a caraterísticas que muitas vezes nos espelham, diz Laurie Santos, diretora do Laboratório de Cognição comparativa de Yale.

Aqui estão alguns dos últimos estudos que mostram o lado humano dos nossos companheiros caninos.

Os Cães Segundo a Técnica Eavesdropping

O eavesdropping social—ou a observação de pessoas—é fundamental nas interações sociais, uma vez que nos permite perceber quem é bom e quem é mau.

De acordo com um estudo publicado em Agosto na revista Animal Behaviour, os nossos cães ouvem demasiado.

Num novo estudo, os cientistas testaram 54 cães, cada um observando o seu dono, lutando para recuperar um rolo de fita de um recipiente. Os cães foram divididos em três grupos: prestáveis, imprestáveis e controlados.

No grupo dos prestáveis, o dono pediu ajuda a outra pessoa, que segurava o recipiente. No grupo de imprestáveis, o dono pedia ajuda a outra pessoa, que lhe virava as costas sem ajudar. Em todas as experiências, uma terceira, "e neutra" pessoa estava sentada na sala.

Depois da primeira volta de experiências, a pessoa neutra e o prestável ou imprestável ofereciam biscoitos aos cães.

No grupo dos imprestáveis, os caninos normalmente preferiam o biscoito da pessoa neutra, abandonando o imprestável. No entanto, no grupo dos prestáveis, os cães não mostravam preferências entre o prestável e a pessoa neutra. Os cientistas observaram anteriormente resultados semelhantes nas crianças humanas e em macacos capuchinhos.

Estarão os cães a escolher algum dos lados, ignorando as pessoas que são más para os seus donos? Só uma pesquisa futura poderá dizer.

Fazendo-o Olhar

O seguimento de Gaze é instintivo para a maioria dos animais —incluindo humanos, chimpanzés, cabras, golfinhos e até as tartarugas de patas vermelhas—porque alerta os animais para tudo, desde ameaças imediatas a "uma baga particularmente saborosa de um arbusto," diz Lisa Wallis, uma estudante de doutoramento no Messerli Research Institute em Viena, Áustria.

Os cães foram previamente pensados para seguir os olhares humanos somente quando alimentos ou brinquedos estavam envolvidos. Agora, um novo estudo sugere que os cães também seguem os olhares humanos para espaço vazio — mas só se não forem treinados.

"Nós sabemos que eles deviam ser capazes de o fazer," diz Wallis, líder da pesquisa publicada em Agosto na revista Animal Behaviour, mas treiná-los era a "peça que faltava no puzzle."

Em experiências recentes, Wallis e os seus colegas recrutaram 145 cães da raça com vários níveis de treino e diferentes idades. Os pesquisadores queriam ver se a idade, hábitos ou treino influenciavam a tendência dos cães em seguir os humanos.

Wallis observou posteriormente a reação dos cães enquanto olhava na direção de uma porta. Surpreendentemente apenas os Border Collies não treinados seguiam o seu olhar— enquanto os animais treinados a ignoravam. Tal pode ser porque os cães treinados aprendiam a focar a cara de uma pessoa e não o local para onde a pessoa estava a olhar.

Wallis e os seus colegas passaram apenas cinco minutos a treinar os cães sem formação para olharem para a sua cara. Eles começaram a ignorar o instinto em seguir o olhar dela.

Ainda mais surpreendente é que os cães destreinados olhavam várias vezes para trás e para a frente, dividindo-se entre ela e a porta, perplexos com o que ela estaria a observar. O comportamento, só antes vistos em humanos e chimpanzés, é chamado "verifica novamente" ou "duplo olhar," diz ela.

"É uma lição para todos nós, que devíamos sempre examinar se o treinamento tem um efeito nestes tipos de estudo," constata Wallis.

Os Próximos Passos na Pesquisa Sobre Cães

Nos humanos, o envelhecimento diminui as competências na memória a curto-prazo e do raciocínio lógico, tornando mais difícil aprender novas tarefas. Uma investigação anterior descobriu declínios semelhantes nos cães, mas a memória a longo-prazo é um aspeto pouco conhecido na biologia canina. 

É por isso que Wallis e os seus colegas estão a estudar como é que os cães, sejam velhos ou novos, memorizam tarefas e se as conseguem recordar meses depois.

Os resultados estão ainda a ser estudados, mas Wallis espera descobrir que é duro — mas não impossível— ensinar aos cães mais velhos novos truques.

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