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Peixe Estranho de Alto Mar Consegue Suster a Respiração Durante 4 Minutos

Os peixes-caixão usam as suas enormes guelras infláveis para encherem o corpo com água do mar – a primeira descoberta deste género feita num peixe.quinta-feira, 11 de julho de 2019

Por Joshua Rapp Learn
O Chaunax endeavouri é uma das mais de 20 espécies de peixe-caixão. Este animal têm barbatanas peitorais distintas que lhe permitem “coxear” no fundo do oceano.

Com um nome como peixe-caixão, não é surpreendente que estas estranhas criaturas tenham evoluído para prosperar nas profundezas escuras do oceano.

Os cientistas já sabiam que estes habitantes de águas profundas – por vezes chamados de peixe-sapo – têm barbatanas especiais para “andar” no fundo do mar. Mas agora, um novo estudo revelou outro tipo de adaptação – enormes guelras infláveis que expandem o corpo do animal com água do mar, permitindo-lhe absorver mais oxigénio e suster a respiração até quatro minutos.

Este comportamento – o primeiro alguma vez observado num peixe – pode ser uma forma de conservar energia num ambiente onde os alimentos escasseiam.

"É fabuloso – é um método diferente de inflação que nenhum outro peixe utiliza", diz a coautora do estudo, Stacy Farina, professora assistente de biologia na Universidade Howard. Os peixes-balão, por exemplo, ingerem quantidades enormes de água do mar para expandirem os seus estômagos elásticos.

O estudo destas adaptações nas profundezas do mar ajuda os biólogos a compreenderem melhor as diferentes formas como estas criaturas evoluíram para viver em ambientes extremos.

Existem mais de 20 espécies de peixe-caixão (um tipo de tamboril) em todo o mundo, a profundidades de até 2.500 metros.

“Estes peixes adaptaram-se completamente para viverem no fundo do mar. Quase nunca nadam”, acrescenta o coautor do estudo, Nick Long, que conduziu a investigação enquanto estudante universitário de biologia no Dickinson College, na Pensilvânia.

“Há quem lhes chame de preguiçosos.”

A vida em marcha lenta
Para este estudo, Farina e Long fizeram Tomografias Axiais Computorizadas (TAC) e dissecaram espécimes de peixes-caixão, no Museu de Zoologia Comparativa da Universidade de Harvard. E também estudaram imagens em vídeo – captadas por drones subaquáticos operados a partir do navio Okeanos Explorer da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA – de várias espécies de peixes-caixão vivos.

De acordo com a investigação, publicada recentemente no Journal of Fish Biology, estes peixes têm guelras infláveis que podem aumentar o seu volume corporal em 30%. Em termos humanos, isto significaria enchermos os nossos pulmões até ficarem do tamanho do abdómen, diz Farina.

A equipa ficou particularmente intrigada com a capacidade única deste peixe em suster a respiração, algo que os vídeos sugeriram fazer parte do seu padrão respiratório normal. Este comportamento é geralmente observado em animais com pulmões, embora os peixes do género bagre sustenham esporadicamente a respiração em situações de baixos níveis de oxigénio, acrescenta Farina.

Os cientistas suspeitam que os peixes-caixão inflam os seus corpos para conservarem energia – afinal de contas, respirar requer algum esforço.

Apesar dos peixes-caixão comerem qualquer coisa que lhes caiba na boca – peixes, polvos e minhocas – "as suas presas nem sempre aparecem", diz Long.

John Caruso, professor emérito na Universidade de Tulane, nos EUA, que não esteve envolvido neste trabalho, diz que o estudo é "excelente".

A sua única preocupação, diz Caruso, é que o peixe-caixão que aparece nas filmagens pode estar a suster a respiração por estar irritado com as luzes brilhantes do drone subaquático. Caruso diz que são necessárias mais observações para confirmar que esta prática faz parte do comportamento respiratório normal do animal.

Sistema de defesa?
O estudo também sugere que, para além de conservar energia, a expansão do peixe-caixão pode ser um sistema de defesa contra predadores, semelhante ao do peixe-balão.

Hsuan-Ching Ho, professor adjunto no Instituto de Biologia Marinha da Universidade Nacional Dong Hwa, em Taiwan, que descreveu três novas espécies de peixes-caixão em 2016, duvida que isso seja verdade.

Para Hsuan-Ching Ho, o peixe-balão consegue encher as suas entranhas com água do mar para manter a sua forma caso seja mordido, ao passo que as guelras do peixe-caixão são basicamente abertas, ou seja, a água escoaria se fosse mordido.

No entanto, Caruso diz que a teoria do sistema de defesa é uma “hipótese plausível”.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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