A grande aposta na produção de energia offshore

As alterações climáticas estabeleceram um prazo difícil e ambicioso, e as nações estão a ser desafiadas a acelerar a transição energética. A aposta na energia offshore é uma das rotas mais promissoras para alcançar parte das metas definidas na COP26.
Por Filipa Coutinho
Publicado 8/04/2022, 11:15

Consegue imaginar um planeta abastecido exclusivamente por energias renováveis? De acordo com várias investigações recentes, esta transição pode acontecer nos próximos 30 anos.

Além de abundantes, naturais e sustentáveis, as energias renováveis offshore podem ser uma das apostas mais eficientes para atingir este cenário. A energia do vento e dos oceanos pode ser aproveitada através de tecnologias inovadoras sem emitir quaisquer gases com efeito de estufa, tornando este tipo de energias um elemento essencial na transição energética.

À medida que a União Europeia luta para se tornar o primeiro continente a atingir a neutralidade carbónica até 2050, as energias renováveis offshore representam uma aposta fundamental. A Europa tem a vantagem de poder contar com o grande potencial dos mares da União Europeia, assim como dos mares que rodeiam as suas regiões ultraperiféricas e os países e territórios ultramarinos. Em 2020, o continente acrescentou 2.9 GW à sua capacidade offshore. A Europa tem agora uma capacidade de energia eólica offshore de 25 GW – o que corresponde a mais de 5000 turbinas eólicas dispersas por 12 países.

Porquê offshore?

O primeiro parque eólico offshore do mundo foi instalado em Vindeby, ao largo da costa meridional da Dinamarca, em 1991. Trinta anos depois, a produção de energia eólica marítima utiliza uma tecnologia evoluída de grande escala para fornecer energia a milhões de pessoas.

As vantagens e o potencial da energia offshore são claros. A capacidade de produção de energia eólica em áreas offshore é mais alta devido à frequência e velocidade do vento serem superiores no mar. As instalações têm elevados fatores de potência e os custos têm vindo a diminuir ao longo dos últimos 10 anos. A disponibilidade de vastas áreas não exploradas e a menor resistência das populações à instalação de parques marítimos, são outros benefícios da produção offshore.

A energia de fontes renováveis offshore é uma das formas mais promissoras de aumentar a produção de eletricidade nos próximos anos, respondendo aos objetivos de descarbonização da Europa e ao aumento esperado da procura de eletricidade de forma acessível.

Os passos offshore da EDP

A produção de energia offshore é um dos eixos estratégicos de negócio da EDP e uma das tecnologias mais atrativas do setor das renováveis, com uma previsão de taxa de crescimento acima de 10% na próxima década. Esta será, seguramente, a tecnologia limpa com maior capacidade de expansão no futuro próximo e o grupo pretende ter um papel de liderança nesta área.

Um dos mais importantes passos dados até ao momento neste campo foi a parceria firmada em 2019 com a Engie para criar uma joint venture que é hoje uma das líderes mundiais nesta área, a Ocean Winds (OW). Quando foi criada, a OW tinha uma carteira de 1.5 GW de ativos em construção e 4 GW em desenvolvimento. Dois anos depois, os projetos em carteira da joint venture possuem já uma capacidade total de 5.5 GW e continuarão a crescer com foco em mercados como Europa, EUA e algumas regiões da Ásia.

O primeiro parque eólico marítimo em Portugal

Um dos projetos mais icónicos da Ocean Winds é o Windfloat Atlantic, instalado em plataformas flutuantes ao largo de Viana do Castelo, pelo seu carácter inovador. O projeto, pioneiro a nível mundial, desenvolveu uma tecnologia nova para permitir a exploração do potencial eólico no mar, em profundidades superiores a 40 metros. O foco de inovação do projeto foi o desenvolvimento de uma plataforma flutuante capaz de suportar turbinas eólicas tradicionais em alto mar.

As plataformas flutuantes são semi-submersíveis e estão ancoradas no fundo do mar. O Windfloat foi construído inteiramente em terra, incluindo a instalação da turbina, evitando que os trabalhos fossem feitos em alto mar, o que teria um impacto no meio marinho.

Após o primeiro ano de operação completa, o parque registou uma produção acumulada de 75 GWh, o equivalente à energia consumida por 60 mil famílias ao longo de um ano. Outro dado impressionante é o facto de ter resistido a ondas de 14 metros de altura e ventos de 134 km/hora, durante a tempestade Dora, em dezembro de 2020.

Astúrias, o futuro green valley de hidrogénio

A EDP tem uma meta ambiciosa para as Astúrias: tornar a região o green valley de hidrogénio. Os planos incluem criar o primeiro parque eólico flutuante de Espanha e reconverter as centrais de Aboño e Soto de Ribera em projetos relacionados com o hidrogénio verde e o armazenamento e geração de energia renovável.

Nas atuais instalações de Aboño irá nascer um parque fotovoltaico que, aliado ao parque eólico offshore que o grupo tem projetado para a costa asturiana, às infraestruturas elétricas e ao porto de El Musel, permitirá a produção e o armazenamento necessários de hidrogénio verde em Aboño. Nos próximos anos, o grupo irá investir 470 milhões de euros em projetos renováveis na província das Astúrias.
 

A exploração sustentável do potencial energético dos oceanos e bacias marítimas europeias é crucial para que a Europa atinja as suas metas de redução das emissões de carbono em 2030 e alcance a neutralidade climática até 2050. A EDP continuará os seus esforços e investimentos em soluções sustentáveis para catapultar a produção de energia renovável offshore e tornar-se 100% verde até 2030.

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