Conheça o Admirável Homem de Meio Corpo

Um fotógrafo regista em imagens a tenacidade e a energia de um dos acrobatas mais pequenos do mundo.

Fotografias Por Brian Lehmann
Publicado 9/11/2017, 01:42
O homem de meio corpo Aaron Wollin
Aaron Wollin cospe fogo num parque de estacionamento atrás da sua casa num espetáculo secundário de um circo. "Quero ser uma lenda daqui a 40 anos", diz Wollin. "Quero que as pessoas falem de mim."
Fotografia de Brian Lehmann

Aaron Wollin é um homem ambivalente. Em palco, é conhecido como Short E. Dangerously, o acrobata mais pequeno do mundo e especialista em levar o público ao êxtase. Equilibra-se sobre bolas de bowling sem pegas, lança facas, e caminha com as mãos sobre vidro a arder. "A exaltação que atingimos em palco é visceral, é primitiva", diz Wollin. "São duas massas de energia em colisão."

Mas é fora do palco, depois de pendurar o chapéu de cowboy, que a sua verdadeira natureza se revela. "Temos de ter um interruptor para ligar e desligar", explica. "Temos de ser capazes de separar as nossas duas personalidades ou ficaremos em apuros." Wollin, cujas pernas foram amputadas quanto tinha dois anos e meio devido a uma doença chamada síndrome de regressão caudal, já se dedica ao mundo do entretenimento há 20 anos e, nos últimos cinco, integra o espetáculo secundário do circo Hellzapoppin. "Levo uma vida no artista de rock com a qual a maioria das pessoas só pode sonhar", diz.

Brian Lehmann conta que o que começou por lhe chamar a atenção em Shorty foi o caráter que apresentava em palco, mas foi a personalidade de Wollin fora do palco que levou o fotógrafo a segui-lo intermitentemente durante dois anos. "Visualmente, é um homem fascinante", diz Lehmann. "Mas não teria continuado a fotografá-lo se não gostasse da companhia dele." Wollin deu-lhe livre acesso à sua vida e tornaram-se bons amigos. "Ele viu o verdadeiro eu", diz Wollin. "Não escondi nada."

O resultado é um retrato íntimo e arrebatador de um homem notável. "Acho que é importante mostrar a vida quotidiana de Wollin porque é esse o fulcro da história", diz Lehmann. "Ele faz tudo o que nós fazemos: aspira a casa, anda de skate, passa tempo com a cadela."

Wollin descreve os anos de adolescência como "um pouco delicados", mas diz que os pais não o criaram para ficar a lamentar-se. A morte da mãe, há 12 anos, tornou-se um momento capital na forma como olha para ele próprio. "Foi um verdadeiro sinal de alerta para mim. Percebi o que era importante na vida e deixei de me preocupar com tudo o resto", diz.

Lehmann acredita que há muito a aprender com a perspetiva de Wollin. "Shorty é um ótimo exemplo de alguém que não fica em casa a lamentar-se e segue em frente como todos devíamos fazer."

Embora Wollin atraia muita atenção feminina — uma vez uma mulher deu-lhe duas dúzias de rosas depois do espetáculo —, já houve ocasiões em que a receção não foi tão agradável. "É verdade que, às vezes, sou alvo de atenções indesejadas. Mas vem de pessoas ignorantes ou que pensam algo sobre mim que é incorreto", diz Wollin. Já houve pessoas que se dirigiram a Wollin em público para tentar oferecer-lhe dinheiro ou fazer perguntas pessoais. "Partem do princípio de que não sou como elas", diz Wollin. Mas, diz-nos Lehmann, são casos raros e espaçados. "É difícil criar situações desagradáveis quando uma pessoa tem um sorriso aberto e se apresenta muito feliz", diz.

Wollin completará 40 anos em dezembro e, embora o estilo de vida tão intenso que leva se reflita nas articulações e nos músculos, não mostra sinais de querer abrandar. "Adoro o que faço", explica. "O Bryce [proprietário do circo Hellzapoppin] e eu dizemos na brincadeira que vamos reformar-nos quando cairmos mortos em palco."
 

Saiba mais sobre o trabalho de Brian Lehmann no website do artista e acompanhe-o no Instagram.

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