Ciência

Na África Rural, os Tablets Revolucionam a Sala de Aula

Numa reserva do Quénia, os tablets da estão a abrir novas oportunidades de aprendizagem às mulheres e crianças da tribo Samburu. Segunda-feira, 22 Janeiro

Por Alexandra E. Petri
Fotografias Por Ciril Jazbec

Algumas horas de automóvel a norte da capital queniana de Nairobi, a capital do Quénia, na zona remota da Reserva Samburu, a escola primária Kiltamany apresentava-se completamente despojada: uma mão-cheia de carteiras de madeira longas e uma faixa de lousa, como quadro, para serem utilizados por centenas de estudantes das aldeias vizinhas. Agora, a escola primária de Kiltamany tornou-se um brilhante exemplo de uma sala de aula sem fios e tecnológica, graças às florescentes mentes da pujante comunidade tecnológica do Quénia.

Fazendo uso de tablets Kio concebidos pela empresa de software BRCK, com sede em Nairobi, as crianças da tribo Samburu — meninos e meninas — estão a aprender a ler e a fazer operações básicas de matemática, entre outros objetivos educativos, reforçando a ideia de que o conhecimento é poder e ampliando o seu crescimento futuro. Além disso, a mulheres Samburu, cujas tradições e costumes as obrigam a ficar em casa, também frequentam a escola, servindo de exemplo para os filhos ao fazerem algo que nunca puderam fazer antes.

"Elas querem inspirar os filhos a levarem a educação a sério", afirma o fotógrafo esloveno Ciril Jazbec, cujo último trabalho “How Africa's Tech Generation Is Changing the Continent” apareceu na edição de dezembro de 2017 da revista National Geographic.

Antes de se dedicar à fotografia, Jazbec estudou economia, um percurso que o ajudou no objetivo de contar a história do espírito empreendedor da África — dando destaque às extraordinárias centelhas de criatividade, progresso e pensamento inovador que muitas vezes não condizem com as ideias estereotipadas existentes sobre o continente.

Todas as viagens começam com um passo. Para o Quénia e muitos dos países vizinhos, essa viagem começou com a internet de banda larga. Há uma década, a África Oriental — e a África em geral — encontrava-se um passo atrás do resto do mundo, desligada da internet de alta velocidade que atravessava oceanos, países e continentes e construía uma comunidade global online. Os primeiros cabos de fibra ótica foram instalados na região por volta de 2010 e foram a semente que fez germinar as comunidades tecnológicas locais.

Alguns anos depois, a presença da internet cresceu no Quénia graças à “Estratégia Nacional de Banda Larga" do governo, uma iniciativa que visa instalar internet em todo o país e proporcionar um serviço de qualidade aos cidadãos do país.

Os avanços tecnológicos permitiram a que as mulheres da tribo Samburu estejam agora a usar tablets digitais para expandir competências e conhecimento, e aumentaram o valor da educação nesta tribo tradicionalmente nómada.

Jazbec conta-nos que no tempo que passou com a tribo Samburu encontrou contrastes interessantes: numa hora estava a fotografar uma sala de aula digital; na hora seguinte estava de volta à aldeia dos Samburu, onde vivem uma vida tribal tradicional.

"Foi fascinante ver o choque entre a cultura, a tecnologia e o desejo", afirma, referindo-se à tensão inerente entre modernidade e identidade cultural. Por um lado, os ecrãs estão a inundar a nossa vida. Por outro, a tecnologia pode ser usada como solução e inspirar e preparar a próxima geração do Quénia a fazer parte da paisagem competitiva global.

Continuar a Ler