Ciência

Emojis com Diferentes Tons de Pele Promovem a Inclusão Social

Quando surgiram os emojis com diferentes tons de pele, os mais críticos temeram que os utilizadores das redes sociais os usassem de forma abusiva. Mas um novo estudo veio contrariar os piores receios.Thursday, April 26

Por Elaina Zachos
Desde 2015 que os emojis estão disponíveis na tradicional cor amarela e em cinco tons de pele diferentes.

Quando o Consórcio Unicode reconheceu, oficialmente, os emojis em 2010, estes surgiam com o mesmo tom de pele amarelo. Em 2015, foram introduzidos novos códigos para criar uma diversidade de tons. Para além dos convencionais ícones em amarelo, os utilizadores dispunham agora de um vasto conjunto de emojis em cinco tons de pele diferentes, desde o branco pálido até ao castanho escuro.

Inicialmente, gerou-se alguma discórdia em torno dos diferentes tons de pele dos emojis. Algumas pessoas argumentavam que ícones em cores diferentes podiam ser usados, de forma abusiva, nas redes sociais para fomentar sentimentos raciais antagónicos. Outros entendiam que os tons de pele dos ícones deviam refletir as pessoas que os usavam.

Um novo estudo revela que os utilizadores das redes sociais não tendem a usar indevidamente a seleção do tom de pele dos emojis e que, na verdade, a diversidade de cores dos ícones aumenta a inclusão na esfera digital.

“Faz todo o sentido ter emojis e avatares que sejam autênticas representações das pessoas que os utilizam”, afirma Debra Adams Simmons, editora executiva da National Geographic para a cultura. Em colaboração com uma equipa de historiadores, jornalistas e fotógrafos, Simmons orientou a edição de abril da revista centrada nas questões raciais.

Estudos Sobre a Cor

Após analisarem mais de um milhão de tweets, os investigadores da Universidade de Edimburgo descobriram que a maioria das pessoas que modificavam os respetivos emojis escolhiam aqueles cujos tons de pele se aproximavam dos seus. Os utilizadores com tez escura revelaram maior predisposição para alterar os tons de pele dos respetivos emojis do que os utilizadores com tez clara, o que, segundo os investigadores, sublinha a importância da expressão da identidade pessoal na internet. Quase metade dos emojis alterados tinham tons de pele claros.

Nos tweets em que o tom de pele escolhido era diferente do tom de pele do utilizador, as mensagens publicadas eram, na sua maioria, positivas.

Os estudos da Pew Research revelaram que, embora as pessoas de tez clara estejam em maior número no Twitter, as pessoas de pele escura tendem a ser mais ativas na plataforma. Em regra, as pessoas de pele branca não definem por defeito os emojis com tons de pele claros, porque, tal como o linguista e investigador de emoticons, Tyler Schnoebelen, disse à The Atlantic, “elas já estão predefinidas, de qualquer forma”.

O estudo concluiu que os tons mais escuros eram os menos usados, em quase todo o mundo. Segundo os autores, estes resultados podem refletir a falta de acesso à internet nas regiões em vias de desenvolvimento.

"A introdução da opção de tons de pele nos emojis tem sido um sucesso por permitir representar a diversidade e a sua ampla utilização indica-nos que preenchem uma necessidade real dos utilizadores”, afirma, num comunicado de imprensa, Walid Magdy, coautor do estudo e professor na Faculdade de Informática da Universidade de Edimburgo.

Um Mundo de Muitas Cores

Na edição dedicada às questões raciais, a fotógrafa Angélica Dass fotografou 4000 pessoas e combinou os seus retratos com amostras de cores do sistema Pantone. O projeto, sob o título Humanae, inclui pessoas de 18 países e mostra que o mundo não é apenas a preto e branco.

“Não é de admirar que a escolha de um emoji reflita, muitas vezes, a forma como uma pessoa se vê”, afirma Simmons.

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