Ciência

Porque é que Esta Lua Cheia Gigante Parece Cair do Céu?

Um vídeo registado perto de um vulcão pode parecer a cena de um filme hollywoodesco, mas é, na verdade, um ótimo exemplo de como a ciência pode mexer com a nossa mente. Monday, June 18, 2018

Por Nadia Drake

“Estas pessoas não correm qualquer perigo.”

Assim começa por explicar a NASA a propósito de um vídeo extraordinário que revela a aproximação de uma Lua gigante a cerca de uma dúzia de pessoas, que permanecem no cume de um vulcão. Tão depressa como surgiu, a esfera lunar começa a afundar por detrás do cume, transmitindo a ideia de que está a cair do céu.

Poderá interrogar-se sobre a razão do entusiasmo da NASA com um pequeno vídeo de ficção científica ou uma qualquer ilusão digital, com uns laivos de manipulação de imagem. Não querendo ser desmancha-prazeres: as imagens são reais.

Daniel López, um fotógrafo que se estabeleceu nas ilhas Canárias, filmou esta cena na manhã de 30 de maio, a partir de uma elevação perto do vulcão do Monte Teide, em Tenerife, captando a paisagem sobrenatural, à medida que o Sol nascia e a Lua Cheia se punha. Primeira do género no mês de maio, esta Lua Cheia é, tradicionalmente, conhecida por lua de flor, lua de milho ou lua de leite em várias culturas, caso tenha curiosidade.

O vídeo final é real e não foi manipulado, ilustrando, de forma soberba, a forma como a ciência pode enganar a nossa mente.

Primeiro, a razão para o tamanho gigantesco da Lua é surpreendentemente simples. López usou uma teleobjetiva para registar a cena, que pode comprimir, substancialmente, a distância aparente entre objetos em primeiro e segundo planos. Este é um efeito muito comum em fotografias de baleias que nadam muito longe da costa da Califórnia e que parecem, muitas vezes, saltar a alguns metros de distância da costa.

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Nesta imagem em particular, as pessoas, com uma silhueta mínima, estão sobre o cume de um vulcão a cerca de 16 quilómetros de distância do fotógrafo. A nossa companheira celeste posiciona-se, na verdade, a 386 242 quilómetros das figuras humanas, com o seu disco iluminado perfeitamente integrado no cume do vulcão.

Quanto à aparente rapidez do movimento lunar, esse é o resultado da rotação da Terra e não um truque de fotografia com time-lapse ou um vídeo reproduzido em modo acelerado.

Girando a cerca de 1609 quilómetros, o movimento perpétuo da Terra é, normalmente, impercetível para nós, que estamos à superfície, exceto quando fixamos, por algum tempo, objetos no céu e/ou sombras no chão. Mais uma vez, a distância comprimida a extremos nestas imagens ilumina a velocidade a que gira o nosso planeta e acentua o tamanho do amigo lunar da Terra.

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