Uma Análise ao Sangue Permite Saber se um Bebé Nasce Prematuro

O nascimento prematuro é uma das principais causas de mortalidade infantil, e uma nova análise ao sangue pode auxiliar os clínicos no despiste da prematuridade.quinta-feira, 21 de junho de 2018

Por Sarah Gibbens
Uma mulher grávida submete-se a uma ecografia de controlo aos seus bebés gémeos.

O nascimento prematuro é um dos maiores perigos que mães e bebés podem enfrentar. As complicações decorrentes de uma gestação pré-termo são uma das principais causas de mortalidade infantil nos Estados Unidos e da morte de crianças, com idades inferiores a 5 anos, à escala global.

Recentemente, uma equipa internacional de cientistas anunciou uma nova análise ao sangue, que é quase tão eficiente como uma ecografia na determinação do tempo de gestação e, mais importante ainda, na avaliação da probabilidade de um parto prematuro.

Embora a análise ainda esteja em fase de estudo, a equipa afirma que este tipo de exame de diagnóstico é menos oneroso e mais fácil de transportar do que um aparelho de ecografia. Caso chegue ao mercado, a análise pode permitir o acesso de mulheres grávidas, com baixos recursos ou a viver em regiões remotas com escassez de serviços médicos, a este tipo de cuidados pré-natais.

SAIBA: Como Um Útero Artificial Pode Trazer Uma Nova Esperança Para Bebés Prematuros

“Este é um estudo animador que assegura o investimento contínuo e a avaliação de um grupo mais abrangente de mulheres”, diz Louis Muglia, diretor do Centro de Prevenção da Prematuridade do Hospital Pediátrico de Cincinnati.

PORQUE É QUE O NASCIMENTO PREMATURO É TÃO PERIGOSO?

Um nascimento prematuro é aquele que acontece, no mínimo, três semanas antes do termo do período de gestação da mulher, que equivale a 38 semanas. A prematuridade é difícil de prever, e muitas crianças nascidas prematuramente podem sofrer de um quadro vasto de perturbações físicas e neurológicas.

A condição afeta aproximadamente 9% das mulheres norte-americanas. Embora a genética seja um fator determinante no risco de um parto prematuro, a condição clínica da mãe e outras condicionantes ambientais também podem contribuir largamente para a prematuridade do nascimento.

Por exemplo, as mães com baixo peso ou fumadoras apresentam um risco elevado de parto prematuro. As mães afro-americanas também apresentam maior probabilidade de darem à luz crianças prematuras, sendo a sua condição clínica apontada como uma das razões mais prováveis para a prematuridade, nomeadamente o défice crónico de vitaminas.

O QUE TESTA A NOVA ANÁLISE AO SANGUE?

Descrita na revista Science, os ensaios preliminares da nova análise ao sangue foram capazes de prever a idade gestacional do feto com 45% de exatidão, aproximando a análise da ecografia, cuja exatidão na previsão da idade gestacional do feto ronda os 48%. Além disso, os investigadores foram capazes de prever quais as mulheres que dariam à luz prematuramente, com 75 a 80% de exatidão.

A análise debruça-se sobre as moléculas de ácido ribonucleico, ou ARN, presente no sangue materno. Estas moléculas mensageiras carregam instruções genéticas, que orientam o corpo no processo de fabrico de proteínas. Nos ensaios, os cientistas estudaram níveis de moléculas de ARN associadas a diferentes genes, para encontrar e identificar aqueles que podem prever uma gestação de pré-termo.

Para tal, a equipa de investigação aperfeiçoou o método de determinação da fase de gestação. Vinte e uma mulheres dinamarquesas cederam, semanalmente, amostras de sangue até ao fim das respetivas gravidezes de termo. Este procedimento ajudou os cientistas a estabelecer um modelo que revelou quais os genes que podiam ser usados para determinar a idade gestacional. O modelo foi verificado com recurso a amostras de sangue obtidas de 10 outras mulheres.

A equipa recolheu amostra de sangue de 38 mulheres americanas, que tinham dado à luz prematuramente, numa gestação anterior. Os investigadores recolheram amostras de sangue durante o segundo e o terceiro trimestres das gestações atuais destas mulheres. Deste grupo, 13 mulheres deram à luz prematuramente. e 25 tiveram gestações de termo. Por via da comparação dos dois grupos, a equipa identificou moléculas de ARN em 7 genes, que pareciam prever uma gestação de pré-termo.

“Acreditamos que é a mãe a mandar um sinal de que está pronta para acionar o paraquedas”, afirmou o coautor do estudo Mira Moufarrej da Universidade de Stanford numa conferência de imprensa.

QUAL O PASSO SEGUINTE PARA ESTA ANÁLISE?

Os autores do estudo sublinham que esta análise ao sangue ainda se encontra numa fase preliminar de estudo. Para começar, os ensaios abrangeram um número limitado de mulheres, e a análise não será, efetivamente, verificada até que a amostra do número de mulheres seja alargada.

Ainda assim e segundo os investigadores, a análise ao sangue é promissora. Métodos antigos de previsão de gestações pré-termo revelaram-se menos fiáveis, baseando-se simplesmente na avaliação das gravidezes anteriores das mães ou na consideração de fatores que são identificáveis já numa fase mais avançada da gestação.

Para além disso, novos estudos para identificar os fatores genéticos que influem na prematuridade podem auxiliar os cientistas no futuro a desenvolver métodos de tratamento dirigidos não apenas para a prevenção, mas também para o combate da condição genética.

"Dediquei muito tempo, ao longo dos anos, ao trabalho de investigação do parto prematuro”, disse o coautor do estudo Mads Melbye num conferência de imprensa. “Este é o primeiro avanço científico, com um significado real, no domínio da prematuridade em muitos anos de investigação.”

+ sobre bebés

Continuar a Ler