O que Significa Realmente Ser um Explorador National Geographic

Estes cientistas, conservacionistas, contadores de histórias e educadores estão a mudar o mundo.segunda-feira, 2 de julho de 2018

Por Alexandra E. Petri
Todos os anos, a National Geographic reúne exploradores, cientistas e contadores de histórias, vindos dos quatro cantos do mundo, para partilharem as suas descobertas, visões e soluções, com o objetivo de criar um futuro mais sustentável. Saiba mais sobre o Festival dos Exploradores e assista em direto ao feed do evento. Leia outras histórias de exploradores e junte-se à conversa em #NatGeoFest.

Erin Spencer era uma estudante universitária a frequentar o curso de ecologia marinha, quando recebeu a notícia. Numa tropelia de emoções e disposta a bradar aos quatro ventos, Spencer precipitou-se em direção ao gabinete da sua orientadora.

“Entrei de rompante e disse-lhe que me tinha sido atribuída a bolsa de exploradora”, afirma Spencer. “Quer dizer, eu assumi que não iria conseguir à primeira.”

Aos 19 anos, Spencer tornou-se uma exploradora da National Geographic, uma comunidade em cujas fileiras figuram personalidades como Jane Goodall e Jacques Cousteau. Spencer nunca se tinha candidatado a uma bolsa, mas tomou conhecimento da existência daquela um ano antes do Festival do Explorador da National Geographic, um evento anual que reúne vários cientistas, conservacionistas, exploradores e contadores de histórias, vindos dos quatro cantos do mundo e apoiados pela National Geographic, para partilharem as suas descobertas, visões e soluções, com o objetivo de criar um mundo mais sustentável.

Embora Goodall e Cousteau figurem entre os exploradores mais célebres, existem milhares de personalidades às quais foram também atribuídas bolsas.

“Se estou aqui hoje a fazer este trabalho, devo-o à primeira bolsa da National Geographic”, afirma Spencer.

Desde os primórdios da sua existência há 130 anos, a National Geographic Society atribuiu mais de 13 000 bolsas e apoiou o trabalho de mais de 3000 exploradores no terreno.

As bolsas atribuídas em início de carreira, como aquela que Erin Spencer recebeu, são, muitas vezes, a porta de entrada para aqueles que anseiam estabelecer laços com a National Geographic Society, diz  Alex Moen, vice-presidente dos Programas de Exploradores.

Moen, que integra a National Geographic Society há 17 anos, supervisiona a equipa que identifica e apoia a comunidade de exploradores. Ser um explorador não é sinónimo de uma função no seio da National Geographic Society. Na verdade, ser um explorador é uma oportunidade para desenvolver projetos e trabalho de campo financiados por esta entidade, receber formação e integrar um coletivo de pessoas que comungam das mesmas visões. A comunidade de exploradores compõe-se de conservacionistas, cientistas, contadores de histórias, educadores e tecnologistas, um grupo que Moen designa, no coletivo, como agentes da mudança.

Ser um explorador da National Geographic é mais do que explorar pelo simples facto de explorar ou conquistar o desconhecido. É embarcar numa missão com um sentido de propósito.

“Há um vasto leque de oportunidades às quais as pessoas se podem dedicar, mas penso que, para se ser um explorador, é essencial ter esta paixão pela aprendizagem, pelo entendimento, pelo conhecimento e pela partilha”, explica Moen.

Para além disso, ser um explorador vem também acompanhado de um sentimento de proteção dirigido às pessoas, ao planeta e à vida selvagem. “Penso que são estes os traços e a mentalidade que possuem todos os exploradores da National Geographic. É isso que os torna parte desta equipa”, diz Moen.

A missão da Dra. Gladys Kalema-Zikusoka para proteger a vida selvagem, em particular o gorila-de-montanha, uma espécie em sério risco de extinção, foi o que levou esta veterinária, estabelecida no Uganda, a tornar-se num dos elementos mais recentes a integrar a equipa de exploradores da National Geographic.

A veterinária de 48 anos é a fundadora e a diretora-geral da Conservation Through Public Health, uma organização não governamental norte-americana, sem fins lucrativos, que articula a conservação da vida selvagem e a saúde pública em comunidades, situadas em torno das áreas protegidas do continente africano, sobretudo no Parque Nacional Impenetrável de Bwindi, no Uganda, onde se estima que viva metade da população mundial de gorilas-de-montanha, uma espécie seriamente ameaçada de extinção.

Nos últimos seis meses, a Dra. Kalema-Zikusoka e a sua equipa usaram os fundos da National Geographic Society para estender as iniciativas da Conservation Through Public Health, no âmbito da integração dos gorilas e da promoção da saúde humana, a novas áreas em torno do Parque Nacional Impenetrável de Bwindi, marcado pelo conflito entre humanos e gorilas.

“Fazer parte da comunidade de exploradores permitiu-me alimentar a minha paixão pela descoberta de novas realidades sobre os gorilas e outras formas de vida selvagem, bem como implementar iniciativas de conservação junto das comunidades locais, que ajudam a assegurar um futuro melhor para os gorilas-de-montanha, ameaçados de extinção”, diz a Dra. Kalema-Zikusoka.

Para além disso, o Programa de Exploradores da National Geographic Society coloca ao dispor de Kalema-Zikusoka e da sua equipa um conjunto de ferramentas auxiliares para levar a cabo o seu trabalho, incluindo máquinas fotográficas e oportunidades de formação, que lhes permitem contactar com outros exploradores e divulgar o seu trabalho de uma forma mais eficiente.

Apoio formativo, desenvolvimento de competências e progressão na carreira constituem uma parte importante da experiência de um explorador, afirma Moen.

“Não se trata apenas de integrar pessoas na equipa e atribuir-lhes um título de explorador da National Geographic”, afirma Moen. “Nós também queremos dar-lhes as ferramentas e as competências que as ajudem a afirmar-se como líderes. Como lhes damos não apenas os recursos ou financiamento, mas também a formação adequada na arte da narrativa, na área da conservação e em áreas que visem desenvolver outras competências?”

Ser um explorador significa ter poder seja através dos campos de treino na arte da narrativa científica e da tutoria, seja através do envolvimento com a comunidade científica e do acesso a ferramentas e tecnologia.

Para Spencer, conseguir a sua primeira bolsa em 2012 foi o trampolim para seguir a sua vocação.

“Sempre tive um fascínio pela ciência e sabia que o meu trabalho estaria, de alguma forma, relacionado com a área, mas nunca pensei vir a ser uma cientista”, afirma Spencer. “Tornar-me uma exploradora permitiu-me perceber o quanto gosto das vertentes de investigação e do estudo da ciência.”

Seis anos mais tarde, Spencer é hoje uma estudante licenciada pela Universidade da Carolina do Norte, em Chapell Hill, a frequentar o mestrado em ecologia marinha. Recentemente, foi-lhe atribuída uma terceira bolsa pela National Geographic Society para investigar uma possível tendência regional de má rotulagem dos produtos da pesca ao longo da costa do Atlântico. Como parte do seu trabalho, Spencer viaja da Carolina do Norte para a Flórida, recolhendo peixe de lojas de sushi, supermercados e restaurantes, que esteja rotulado como luciano-do-Golfo.

O seu objetivo é dar ao consumidor as ferramentas e as melhores práticas para evitar produtos de pesca mal rotulados e sensibilizar o público para o problema.

No processo de recolha e testes de amostras de ADN, Spencer descobriu novas formas de cozinhar o peixe que sobra do seu trabalho de investigação. “Neste momento, tenho cerca de 2,7 quilos de peixe no congelador”, diz, sorrindo, e a National Geographic agradece-lhe por isso.

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