Descubra Como Observar a Chuva de Meteoros das Perseidas em 2018

A expetativa é grande para a observação do fenómeno celeste deste ano, que coincide com a escuridão do céu em noites de Lua Nova, estimando-se que cerca de 90 a 120 meteoros atinjam por hora a atmosfera terrestre.

Publicado 10/08/2018, 11:39
Uma composição fotográfica descreve o movimento circular aparente das estrelas.
Uma composição fotográfica descreve o movimento circular aparente das estrelas intersetado pelos meteoros das Perseidas nos céus do Parque Nacional de Yorkshire Dales, no Reino Unido.
Fotografia de DANNY LAWSON, PA WIRE VIA AP

Os observadores dos céus em todo o mundo aguardam com expetativa a chegada da chuva de meteoros das Perseidas, que atingirá o pico da atividade entre os dias 12 e 13 de agosto. Sendo geralmente um dos espetáculos mais impressionantes do género, a chuva de meteoros das Perseidas deverá ser particularmente intensa este ano, pela escuridão do céu, em virtude da Lua Nova, durante o ponto máximo de atividade.

As Perseidas são visíveis no período compreendido entre os dias 17 de julho a 24 de agosto, embora apenas seja possível observar uns quantos meteoros durante sensivelmente cerca de uma hora ao longo da maior parte desse período. O espetáculo astronómico intensifica-se com a aproximação dos dias de pico da atividade, com uma média prevista de 90 estrelas cadentes por hora.

Em 2017, a luminosidade da Lua ofuscou o espetáculo anual. Mas, este ano, a fase de Lua Nova começa a 11 de agosto, apenas dois dias antes do ponto da atividade máxima das Perseidas, o que significa que a melhor parte da chuva de meteoros irá coincidir com a entrada da Lua na fase de Quarto Crescente, que se afirmará no céu pouco tempo depois do cair da noite.

Se o céu estiver limpo, a escuridão cerrada deverá oferecer um espetáculo impressionante na noite de 12 de agosto, com cerca de 120 estrelas cadentes a cruzar por hora o céu noturno, com maior visibilidade fora dos grandes centros urbanos. Os observadores na zona leste da América do Norte, na Europa e no Médio Oriente devem procurar os melhores lugares para observar esta dádiva meteorítica, uma vez que o pico de atividade máxima está previsto ocorrer exatamente à uma da manhã da hora universal.

Embora possa começar à procura das Perseidas mal comece a escurecer, a melhor altura para observação será após a meia-noite local e as primeiras horas do dia 13, quando os céus estão no ponto de escuridão máxima e a nuvem de meteoros se aproxima da sua zona do planeta. (Veja as imagens da chuva de meteoros das Perseidas.)

Os meteoros serão visíveis inclusive sobre os céus claros dos subúrbios, mas não espere ver mais do que um quarto a metade das estrelas cadentes. Independentemente do lugar onde estiver, precisará de cerca de meia hora para que os seus olhos se adaptem à escuridão, antes de conseguir observar o céu noturno na sua plenitude.

HERÓIS E MÁRTIRES

As Perseidas iluminam os nossos céus, quando a Terra atravessa uma nuvem de fragmentos deixados pela passagem do cometa Swift-Tuttle, que voou, pela última vez, perto do Sol em 1992. À medida que o cometa se aproxima do Sol vindo das zonas externas do sistema solar, o gelo que integra o seu núcleo evapora-se, libertando gases e poeiras que variam em tamanho, desde minúsculos grãos de areia a grandes blocos de pedra. A dispersão dessas partículas, ao longo da trajetória orbital do cometa, ocorre de tal forma que leva a que a Terra atravesse a região de poeiras todos os anos, por volta de meados de agosto.

Uma ilustração mostra a trajetória orbital do cometa Swift-Tuttle.
Fotografia de ILUSTRAÇÃO DE A. FAZEKAS

Quando tal acontece, as poeiras do cometa entram na atmosfera terrestre a velocidades que rondam as centenas de milhares de quilómetros por hora e desintegram-se, incendiando-se e produzindo um rasto luminoso no céu noturno, ao qual chamamos carinhosamente de estrelas cadentes. (Veja como os cientistas acreditam ser possível produzir, artificialmente, chuvas de meteoros.)

O radiante desta chuva de meteoros, ou seja, o ponto de onde os traços das suas estrelas parecem sair, está na constelação de Perseus, o mítico herói, que se erguerá após a meia-noite local no céu nordeste.

Apesar do seu homónimo grego, o registo conhecido mais antigo das Perseidas aparece nos antigos escritos chineses, que descrevem observações impressionantes de mais de uma centena de meteoros por hora já em 36 d.C.

As referências à chuva de meteoros mantiveram-se ao longo dos séculos em muitas outras culturas. Na Europa medieval, os católicos devotos aludiam ao fenómeno como “as lágrimas de São Lourenço”, uma vez que o espetáculo anual coincidia com o aniversário da morte de Lourenço, o mártir. Mas os astrónomos só viriam a estabelecer a relação entre o fenómeno celeste anual e os cometas já perto do final do século XIX.

Os meteoros das Perseidas parecem sair de um ponto situado na constelação de Perseus, conforme ilustrado.
Fotografia de ILUSTRAÇÃO DE A. FAZEKAS

UMA FOTOGRAFIA PARA MAIS TARDE RECORDAR

Se quiser uma recordação do evento celeste deste ano, experimente tirar uma fotografia. Tudo o que precisa é de uma máquina fotográfica SLR, assente sobre um tripé, que permita longas exposições de 15 segundos ou mais.

Use uma objetiva grande angular para captar a maior quantidade de céu possível acima da sua cabeça, e configure a sua máquina para o ISO 400 para captar as estrelas cadentes mais ténues. Também pode configurar um temporizador remoto e afastar assim a possibilidade de tremer com a câmara.

Lembre-se de que tirar uma fotografia das Perseidas requer alguma paciência e sorte. Podem passar muitos minutos até que um único meteoro cruze o seu campo de visão, por isso experimente fazer imagens com exposição até 40 segundos, e tire tantas fotografias quanto aquelas que puder tirar.

Olhe para os céus!

Andrew Fazekas, o homem do céu da noite, é autor de Star Trek: The Official Guide to Our Universe e da segunda edição de Backyard Guide to the Night Sky, com lançamento previsto na primavera de 2019. Siga-o no Twitter e na sua página do Facebook.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com. Contributo da tradutora Ana Rodrigues.

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados