Nova Planta Fóssil Descoberta em São Pedro da Cova

O investigador e paleontólogo Pedro Correia identificou um novo género de planta, num fóssil com mais de 300 milhões de anos, em São Pedro da Cova, no concelho de Gondomar.

Por National Geographic
Publicado 26/09/2018, 17:46
Imagem de espécime parátipo de um fronde incompleto com pínulas lobadas
Espécime parátipo UP‐MHNFCP‐154076 de um fronde incompleto com pínulas lobadas que ostenta margens assimétricas e lobos basais bem desenvolvidos.
Fotografia por Pedro Correia

Pedro Correia do Instituto das Ciências Terra da Universidade do Porto tem desenvolvido trabalhos de investigação na área de paleontologia, com a sua equipa nesta região. O novo achado fóssil foi batizado com o nome nome Douropteris alvarezii, homenageando o Douro e o geólogo americano Walter Alvarez, autor da teoria da extinção dos dinossauros causada pela colisão de um asteroide.

Figura do artigo (Correia et al. 2018).
Fotografia por Pedro Correia

O achado foi encontrado em 2010 durante uma escavação realizada pela equipa do investigador português, e o estudo foi publicado em junho na revista científica Geological Journal, com descrição de uma nova espécie de planta fóssil, com cerca de 300 milhões de anos, descrita nas formações do Carbonífero de São Pedro da Cova. Esta localidade é uma das zonas portuguesas mais ricas em fósseis do período Carbonífero.

Espécime holótipo UP‐MHNFCP‐154066 consistindo de um fronde parcialmente preservado, exibindo pínulas de tamanho e forma variáveis, com pínulas grandes e lobadas a pequenas e inteiras (não lobadas).
Fotografia por Pedro Correia

O Douropteris alvarezii distingue-se pelo seu padrão de nervação e lobos basais das pínulas. Insere-se no grupo extinto de pteridospérmicas do período Carbonífero, entre há 359 milhões de anos e 299 milhões de anos atrás. Destaca-se pelas suas características de dois tipos de plantas: as pteridófitas (fetos) e as pteridospérmicas.

Três dos mais importantes espécimes fósseis (holótipo UP‐MHNFCP‐154066 e parátipos UP‐MHNFCP‐154761 e UP‐MHNFCP‐154074) do Douropteris alvarezii gen. nov., sp. nov.
Fotografia por Pedro Correia

A região da bacia do Douro preservou estas impressões em xisto laminado. Foram recolhidas cerca de 100 amostras do novo espécime, todos na mesma jazida, que incluiu a descoberta de duas novas espécies de insetos (Lusitaneura covensis e Stenodictya lusitanica) e o primeiro registo fóssil de aracnídeos (Aphantomartus pustulatus) no Paleozóico português. Foram posteriormente referenciadas e armazenadas nas coleções do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.

Espécime parátipo UP‐MHNFCP‐154074 de uma pínula isolada perfeitamente preservada, exibindo um proeminente lobo basal acroscópico.
Fotografia por Pedro Correia

Pedro Correia afirma que “devido à falta de apoios e incentivo nas instituições da ciência e cultura de Portugal, a investigação na paleobotânica no Carbonífero português esteve praticamente abandonada durante cerca de 60 anos. Os últimos trabalhos na bacia do Douro tinham sido feitos pelo geólogo português Carlos Teixeira, nas décadas de 30 e 40 do século XX.”

Imagens dos trabalhos de escavação realizados em 2010, com anotações sobre o “log estratigráfico” e respectiva colheita de amostras (suplemento de imagem não publicada, fornecido por Pedro Correia).
Fotografia por Pedro Correia

Este estudo teve o contributo dos investigadores Artur Sá, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real), Zbynek Šimunek, dos Serviços Geológicos de Praga (República Checa), e Christopher Cleal, do Museu Nacional e Ciências Naturais do País de Gales (Reino Unido). O trabalho não terminou e as colaborações com investigadores estrangeiros continuam. Pedro Correia afirma que “a equipa de investigadores está envolvida em novos estudos sobre outros fósseis também encontrados na mesma região”. As novas descobertas serão anunciadas em breve.

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