Ciência

Os Nobel e os 10 quase-Nobel Portugueses

Entre 1901 e 1966, doze portugueses foram nomeados para os Prémios Nobel: dois ganharam o prémio, outros dez ficam na memória.Tuesday, September 25

Por National Geographic

Os Prémios Nobel, em memória de Alfred Nobel, premiam as personalidades ou organismos que mais se destacaram ao longo do ano, bem como descobertas revolucionárias ou extraordinárias, em categorias como Física, Química, Medicina, Fisiologia, Literatura e Paz.

Atualmente, são uma das distinções mais prestigiadas do mundo, sendo parte dos sonhos de muitos ganhar um prémio Nobel.

Portugal já conquistou estes prémios pela mão de dois portugueses, com dezenas de outros a serem indicados desde a primeira cerimónia em 1901. Vamos conhecer os Nobel e alguns dos Quase-Nobel de Portugal.

António Caetano de Abreu Freire Moniz, médico neurologista, foi o primeiro laureado português com o Prémio Nobel da Medicina em 1949.

Egas Moniz, o Primeiro Prémio Nobel

António Caetano de Abreu Freire Moniz foi o primeiro laureado português, com o Prémio Nobel da Medicina em 1949. O médico neurologista, antes de ganhar, já tinha sido indicado outras quatro vezes para a mesma categoria.

Em 1949, partilhou o Nobel da Medicina com o fisiologista suíço Walter Rudolf Hess, com quem desenvolvera trabalhos no ano anterior. Apesar de se pensar que Egas Moniz ganhou o Nobel pela invenção da lobotomia, não foi bem assim.

Egas Moniz e o colega Hess desenvolveram a técnica da leucotomia pré-frontal. Esta cirurgia consistia na remoção da matéria branca que une os dois lobos frontais do cérebro. Era usada para tratar doentes de psicoses, nos quais já não houvesse mais esperança.

Egas Moniz e o colega Hess desenvolveram a técnica da leucotomia pré-frontal. Esta cirurgia consistia na remoção da matéria branca que une os dois lobos frontais do cérebro.

O tratamento cortava as ligações entre a parte pré-frontal do cérebro e outras regiões, tornando a vida mais suportável para quem sofria de doenças como esquizofrenia. De facto, um dos principais argumentos justificativos da atribuição do prémio à dupla Egas Moniz e Hess foi justamente “a descoberta do valor terapêutico da leucotomia em algumas psicoses”.  No entanto, esta técnica foi adotada e ligeiramente modificada por um investigador norte-americano, Walter Freeman, que a começou a usar indiscriminadamente.

Ora, os efeitos da lobotomia – nome que foi dado à prática comum que derivou da leucotomia pré-frontal – eram devastadores, permanentes e foram responsáveis por inúmeras mortes no mundo todo.

Por causa desta confusão, existiu até uma campanha, na primeira década de 2000, nos Estados Unidos, cuja motivação era retirar o Prémio Nobel a Egas Moniz. Esta campanha foi organizada por familiares de vítimas de lobotomias.

José Saramago, vencedor português do Prémio Nobel. Ganhou o prémio Nobel da Literatura, em 1998.

Saramago, e o Seu “Direito à Heresia”

O mais recente vencedor português do Prémio Nobel é José de Sousa Saramago. Ganhou, evidentemente, o prémio Nobel da Literatura, em 1998. Obras como o “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Memorial do Convento”, “A Viagem do Elefante” ou “Ensaio Sobre a Cegueira” valeram-lhe uma das máximas distinções na área da Literatura. Esta última justificou também o Prémio Camões, em 1995.

Apesar de nascido e criado em Portugal, na Golegã, em 1991, Saramago mudou-se com a esposa Pilar para Lanzarote, motivado grandemente pelo veto à candidatura do seu romance “Evangelho de Jesus Cristo” ao Prémio Literário Europeu. Este romance era mal visto pela Igreja e pela comunidade católica em geral – Saramago era ateu e nunca poupou a religião de críticas.

Fotografia de José Saramago, quando venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1998.

Quem leu o discurso de aceitação do Prémio Nobel de Saramago ficou a compreender a simplicidade da sua vida: nasceu pobre, numa família sem estudos, e teve como heróis os avós paternos, analfabetos. E ainda assim, tendo aprendido o ofício de serralheiro mecânico, conseguiu dedicar-se ao que amava e hoje em dia ser um dos maiores nomes na literatura.

Algo que marca profundamente a obra de Saramago é a denúncia das injustiças sociais. Tanto que em 2007 inaugurou a Fundação José Saramago, destinada à defesa e difusão dos Direitos Humanos e proteção do ambiente.

José de Sousa Saramago faleceu dia 18 de junho de 2010, aos 87 anos, vítima de uma doença prolongada, em Lanzarote.

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O mais recente vencedor português do Prémio Nobel é José de Sousa Saramago, que ganhou o Prémio em 1998.

10 quase-Nobel Portugueses

Entre 1901 e 1966, 63 nomeações foram para Portugueses, alguns deles várias vezes – os nomeados para os prémios só são revelados pela Academia ao fim de 50 anos, pelo que só há informação oficial até 1966. Ao todo, mais dez portugueses estiveram indicados para os Prémios Nobel, até 1966 – saber-se-á com o tempo quantos mais desde aí.

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Aldo Castellani

Foi um patologista e bacteriologista italiano, médico do rei, que se exilou em Portugal, juntamente com a rainha Maria José da Bélgica, nos anos quarenta.

Ao todo, foi nomeado vinte vezes para o Prémio Nobel de Medicina e Fisiologia, entre 1905 e 1953, mas só na última nomeação, em 1953, o seu país era Portugal. Viveu em Portugal como médico, investigador e professor no Instituto de Medicina Tropical em Lisboa.

 

António de Sousa Pereira

Nascido em Penafiel, foi cirurgião, diretor do Hospital de S. João, e reitor da Universidade do Porto. Nomeado uma vez ao Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia, em 1953.

 

João Gonçalves Zarco da Câmara

Dramaturgo, escritor e jornalista, foi o primeiro português a ser nomeado para um prémio Nobel, na primeira edição da cerimónia. João da Câmara foi nomeado para o Nobel da Literatura, pela obra de 1900, “Meia Noite”.

 

João Bonança

Foi nomeado também uma vez para o Nobel da Literatura, em 1907. O jornalista, escritor e político foi nomeado por Teófilo Braga, de quem era amigo.

 

António Corrêa d'Oliveira

O autor de Ladainha (1897) foi nomeado para o Nobel da Literatura em nove anos diferentes, com um total de 15 nomeações, entre 1933 e 1942.

 

Maria Madalena Martel Patrício

Esta escritora é a única mulher na lista de Portugueses nomeados para os Prémios Nobel (tanto quanto se sabe). Entre 1934 e 1947, foi nomeada todos os anos, num total de 13 vezes, na categoria de Literatura. É a portuguesa mais nomeada até 1966.

 

Teixeira de Pascoaes

Escritor e poeta do saudosismo, natural de Amarante, esteve indicado ao Nobel da Literatura por cinco anos, entre 1942 e 1948. Anos antes, em 1923, foi eleito juntamente com Raul Brandão para a Academia de Ciências de Lisboa.

 

Júlio Dantas

Este médico, escritor e político foi nomeado em 1950 para o Nobel da Literatura, e outra vez em 1951 (da segunda vez pela Academia Brasileira). Mas não só a sua obra e nomeação o fizeram famoso: Júlio Dantas é o destinatário do Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros.

 

Miguel Torga

Miguel Torga foi nomeado sete vezes para o Prémio Nobel da Literatura, em seis anos diferentes, entre 1959 e 1966. E grande parte delas partiram de nomes internacionais. Apesar de não ter ganho o Nobel, foi laureado com o Prémio Camões de 1989.

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Sebastião Magalhães Lima

No fim da lista está o único português a ser nomeado para o Nobel da Paz. O Jornalista, escritor, republicano, pacifista, Maçon e fundador do jornal O Século e da Liga Portuguesa da Paz, fez parte da Geração de 70, e foi nomeado em 1909 ao Prémio Nobel da Paz.

 

Em 2018, o Prémio Nobel da Literatura não será entregue. Em causa está um escândalo que envolve o dramaturgo Jean-Claude Arnault, marido de uma escritora que fazia parte da academia. O dramaturgo foi acusado de vários crimes de assédio sexual e violação, o que levou a que vários membros do júri abandonassem os cargos.

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