Descoberta Uma Mão em Metal com 3500 Anos

Um artefacto raro, encontrado numa sepultura da Idade do Bronze, pode ter sido usado com fins rituais.terça-feira, 2 de outubro de 2018

Os arqueólogos suíços anunciaram recentemente a descoberta daquela que é, no seu entender, a primeira representação em metal de uma parte do corpo humano encontrada na Europa. O artefacto com 3500 anos é uma mão, ligeiramente mais pequena do que uma mão real, e no qual foram usados mais de 450 gramas de bronze. A mão apresenta uma pulseira em folha de ouro colada ao pulso e um encaixe no interior que terá servido para fixar a mão numa vara ou numa estaca.

A descoberta foi feita em 2017, perto do lago Biel, no cantão ocidental de Berna, por caçadores de tesouros, com recurso a detetores de metais, que entregaram o artefacto às autoridades, juntamente com um punhal em bronze e um osso de uma costela encontrado nas imediações. “Nunca tínhamos visto nada igual”, afirma Andrea Schaer, responsável pelo Departamento de História Antiga e Arqueologia Romana do Instituto de Arqueologia de Berna. “Nós não sabíamos se o artefacto era autêntico ou não, ou o que era na realidade.”

A datação por radiocarbono de um pequeno fragmento da cola orgânica, usada para fixar a folha de ouro ao pulso da escultura, permitiu determinar a antiguidade do artefacto, datando-o de meados da Idade do Bronze, ou provavelmente entre 1400 e 1500 a.C.

A datação foi suficiente para convencer os arqueólogos a regressar na passada primavera à zona onde tinha sido encontrada a mão de bronze. Depois dos antigos larápios terem indicado o local onde tinham encontrado o artefacto, Schaer e a equipa passaram sete semanas dedicadas às escavações de uma sepultura, situada num planalto acima do lago Biel, perto da pequena aldeia de Prêles, e cujos trabalhos revelaram ter sido seriamente corrompida. “A vista do planalto sobre os Alpes é deslumbrante”, diz Schaer. “É realmente um lugar extraordinário.”

Na sepultura, os investigadores encontraram as ossadas de um homem de meia-idade, juntamente com um alfinete comprido em bronze, uma estrutura em espiral também ela em bronze usada provavelmente para prender o cabelo e fragmentos de uma folha de ouro, que correspondiam àquelas que adornavam a mão em bronze. A equipa recuperou também um dos dedos partidos da escultura na sepultura do homem, um indicador de que a mão terá sido inicialmente enterrada com aquele.

Os objetos de metal em sepulturas da Idade do Bronze são raros, e é pouco provável encontrar objetos em ouro em sepulturas relativas àquele período, na Suíça.  Segundo os arqueólogos suíços que estiveram envolvidos na descoberta, uma escultura como esta é única na Europa e talvez noutras geografias. “O facto de conhecermos várias sepulturas da Idade do Bronze, e nunca termos encontrado nada semelhante, diz-nos que esta escultura é verdadeiramente especial”, afirma Stefan Hochuli, responsável pelo Departamento de Arqueologia e Preservação de Monumentos, no cantão suíço de Zug.

A escultura estará exposta ao público em Biel, na Suíça, neste mês de outubro. Entretanto, os arqueólogos trabalham para divulgar o achado e procuram explicar os fins a que se destinava a utilização da mão em bronze. “Acreditamos que a mão servisse para ser colocada sobre qualquer coisa, mas ainda não sabemos exatamente o quê”, afirma Schaer. O suporte da escultura sugere que possa ter servido de adorno a uma estátua, colocada sobre um bastão e brandida como um cetro, ou até usada como uma prótese, como parte de um ritual.

A pergunta poderá permanecer sem resposta. Dado que foi retirada da sepultura por larápios de tesouros sem qualquer registo documental, é impossível saber o enquadramento inicial da mão no conjunto das ossadas do homem. “Descobertas como esta lembram-nos das muitas lacunas que persistem ainda no nosso conhecimento do passado”, afirma Hochuli. “Esta escultura oferece-nos um pequeno vislumbre do mundo espiritual desta sociedade, e esse mundo afigura-se-nos muito mais complexo do que aquele que supomos habitualmente.”

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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