Foram Encontradas as Pegadas Mais Antigas de Sempre no Grand Canyon

Expostas por um desabamento de pedras, as pegadas com um ângulo esquisito permitem um raro olhar sobre os primórdios do comportamento animal.

Publicado 30/10/2018, 17:15

Há cerca de 310 milhões de anos no território que é atualmente o Arizona, uma criatura primitiva locomovia-se de gatas por enormes dunas de areia que iam parar ao mar. Normalmente, as pegadas desta criatura teriam desaparecido como as pegadas humanas numa praia. Mas neste caso insólito, as pegadas ficaram endurecidas no arenito, que preservou este vestígio de um comportamento antigo.

Expostas por um desabamento de pedras, as pegadas são atualmente as mais antigas alguma vez descobertas no Grand Canyon, na opinião de cientistas revelada este mês na reunião anual da Society of Vertebrate Paleontology em Albuquerque, Novo México. As pegadas são também significativas pela sua estranheza: cada uma está a 40º da direção da marcha, como se o animal tivesse uma marcha diagonal.

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"Mesmo que apresentasse uma marcha normal, seria invulgar", afirma Stephen Rowland, paleontólogo da Universidade do Nevada, Las Vegas, que está a estudar as pegadas. "Mas neste caso, está a fazer um passo lateral curioso, uma espécie de dança, o que é estranho". (Estas pegadas fossilizadas na Coreia do Sul são, provavelmente, os vestígios mais antigos conhecidos de um lagarto a correr.)

Rowland teve conhecimento das pegadas, por acaso, em 2016, quando um amigo paleontólogo estava numa caminhada no Grand Canyon com estudantes. À medida que caminhava pelo trilho Bright Angel, o grupo avistou uma pedra que tinha caído do penhasco e se tinha aberto.

A pedra partida tinha-se lascado por um veio interior, revelando um molde natural e um molde de 28 pegadas espalhadas por uma linha com mais de cerca de 1 metro de comprimento. O amigo informou Rowlande e os funcionários do parque sobre o achado e uma equipa de campo retirou a rocha do local. Em maio de 2017, Rowland visitou as pegadas e, em março de 2018, regressou com Mario Caputo , geólogo da Universidade de San Diego para estudar as mesmas.

PASSO A PASSO

O achado da dupla ainda está numa fase preliminar, pelo que esperam submeter um artigo científico em breve. Entretanto, surgem várias questões, incluindo a identidade do caminhante da duna.

Tentadoramente, estas pegadas foram deixadas por volta da altura em que os antigos antepassados do réptil começaram a diversificar-se, e assemelham-se às pegadas com 299 milhões de anos encontradas na Escócia deixadas pelos primeiros répteis ou anfíbios com proporções semelhantes às dos répteis. Se animais semelhantes fizeram ambas as pegadas, então as encontradas no Grand Canyon podem ser as pegadas mais antigas do seu género em mais de 10 milhões de anos. (Conheça um verdadeiro tesouro de antigas pegadas humanas encontradas em África.)

Uma ilustração explica como um animal semelhante aos primeiros répteis fez as pegadas de ângulo estranho na areia.
Fotografia de STEVE ROWLAND

A equipa também está a debater o porquê de as pegadas terem um ângulo tão esquisito. Estaria o animal com dificuldade em andar enfrentando ventos fortes? Ou será que dava um ângulo à sua marcha quando descia por uma duna de areia para não escorregar? O estudo de Caputo do arenito irá ajudar a esclarecer estes cenários.

"Se a revelação assim o deixar, irá permitir-me afirmar que sim, este organismo estaria a caminhar perto da crista ou do cume desta duna... Ou talvez numa área entre dunas", afirma. Tais detalhes irão permitir aos investigadores reconstruir um momento único na vida de um animal que morreu há mais de 300 milhões de anos - um feito científico surpreendentemente intimista.

"Com um esqueleto com ossos e dentes, conseguimos muita informação boa mas não conseguimos identificar o comportamento", afirma Rowland. Em contrapartida, "apanhámos este animal a caminhar".

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

 

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