Entrevista a Trudi Trueit, Autora da Saga Explorer Academy

Através desta saga, Trudi Trueit tenta que as crianças, apesar de serem jovens, não se sintam impotentes e tenham um papel ativo na melhoria do planeta. terça-feira, 6 de novembro de 2018

Por National Geographic

O Que a Inspirou a Escrever Esta Saga?

Antes de escrever a saga Explorer Academy, escrevia ficção contemporânea real, assim como livros de biblioteca para crianças. Muitos dos meus livros não ficcionais retratam animais e a sua luta pela sobrevivência contra obstáculos como a caça, as alterações climáticas e a poluição. Eu tinha reunido algumas ideias para uma saga ficcional de ação ou aventura onde os protagonistas fossem pró-ativos (não viam apenas as coisas a acontecerem), quando a National Geographic me abordou com a ideia da Explorer Academy. Soube desde início que uma escola de viagens onde as crianças pudessem explorar, aprender e participar no mundo, era o projeto perfeito para mim.

 

Que Histórias e Exploradores Mais a Inspiraram?

Honestamente, todos os exploradores da National Geographic com quem falei ou sobre os quais li, inspiraram-me pela sua paixão pelo trabalho, compromisso em fazer a diferença e desejo em ajudar os outros. Tive a sorte de conhecer alguns exploradores, entre eles, Zoltan Takacs, que viaja pelo mundo para capturar animais venenosos que são utilizados posteriormente o desenvolvimento de medicamentos para doenças humanas; Gemina Garland-Lewis, uma fotógrafa e investigadora de saúde ecológica, que documentou a luta das antigas baleias nos Açores e que é um modelo incrível para raparigas; e o Dr. Nizar Ibrahim, um paleontólogo que está na linha da frente da descoberta de novas espécies de dinossauros em África. Estes exploradores inspiraram-me não só por tudo o que alcançaram, mas pela sua personalidade terna e preocupada.

 

Como Criou Estas Personagens para a Explorer Academy?

Uma vez que a Explorer Academy é feita de estudantes de todo o mundo, foi importante desenvolver um leque de personagens diferentes. Cruz é americano, com raízes mexicanas, o seu colega de quarto é chinês-canadiano, e os seus dois amigos mais próximos são maori e islandeses. O resto dos exploradores são de vários países. Além da sua diversidade, também é importante que cada uma das personagens tenha a sua personalidade, e as suas falhas e objetivos. Queria que fossem realistas e relacionáveis, e espero que os jovens leitores consigam identificar-se com um ou mais deles, à medida que leem os livros.

Algumas das Personagens dos Seus Livros Reflete Crianças ou Pessoas que Conhece?

Claro! Qualquer escritor que diga que as suas personagens não espelham uma característica ou duas de pessoas conhecidas, está a brincar. Isso é o que os escritores fazem. Observamos o mundo e revelamos essas observações no nosso trabalho. Contudo, eu nunca crio uma personagem copiando alguém que conheça. Crio uma personagem nova com pedaços e características de diferentes pessoas. Isso é muito mais divertido porque a personagem torna-se real, à medida que escrevemos. Sei que pode soar estranho, mas eu penso que Cruz e os seus amigos existem mesmo. Acho que se tem de fazer isto quando se pretende retratar realisticamente uma personagem.

 

Quais São os Desafios de Escrever para Gerações Mais Jovens Numa Época em que o Conteúdo é Consumido de Uma Forma Digital e Rápida?

Estou ciente que os leitores jovens são digitalmente experientes e é importante agarrar e manter a sua atenção rapidamente. Devo confessar que também sou uma leitora bastante impaciente. Se um livro não me prende nas primeiras páginas, tendo a passar ao próximo livro. Não consigo quantificar os livros que comecei a ler sem os ter terminado. Quando escrevo estou sempre preocupada com o ritmo. As coisas estão a desenrolar-se de forma muito lenta ou muito acelerada? Se se tornarem muito lentas, obviamente, perde-se o leitor. Se os eventos ocorrem demasiado rápido, pode manter-se o interesse do leitor mas este não se sentirá ligado às personagens e no final não ficará satisfeito com o livro. Portanto, para mim, o ritmo é tão importante como as personagens, o diálogo e o enredo.

 

Que Ferramentas Utiliza para Atrair e ‘Reter’ a Atenção das Crianças?

Para manter um leitor a ler, o meu objetivo é sempre contar uma história entusiasmante com personagens equilibradas, interessantes e pró-ativas. Não há nada pior do que ler um livro onde o que acontece com a personagem principal não envolve o leitor. Também me esforço bastante para garantir que o diálogo é o mais real possível. Os jovens leitores são defensores da honestidade e dir-lhe-ão se o diálogo não for realístico. Por fim, faço o possível para manter o ritmo ao longo do livro. Leio e releio o meu livro muitas vezes. Se começar a ficar entediada, sei que estou em sarilhos!

 

Quais São as Mensagens Principais Deste Livro?

Espero que os leitores compreendam que apesar de serem jovens, não são impotentes. Cruz e os seus amigos não aprendem apenas os problemas globais como as alterações climáticas, a extinção ou os assaltos, mas têm um papel ativo em ajudar a melhorar o planeta. Desta forma, tenho esperança que as crianças fiquem encorajadas a participarem no mundo. Todos os cientistas adultos e professores no livro têm uma paixão pelo seu trabalho. Pode ser que um leitor se identifique com um biólogo marinho, um paleontólogo ou um arqueólogo no livro e se torne um Explorador National Geographic, um dia!

 

O Seu Amor Pela Escrita Começou no Quarto Ano Quando Escreveu a Sua Primeira Peça, Mas Não Seguiu Logo Este Caminho. Quais São os Seus Conselhos Para Crianças Indecisas?

É verdade, não publiquei o meu primeiro livro até ter 30 e poucos anos, mas sempre fui uma escritora. Sou formada em jornalismo, trabalhei como repórter de notícias na TV e escrevi como freelancer antes de escrever livros para crianças. Um passo levou naturalmente ao passo seguinte. O meu conselho para as crianças é encontrarem o que gostam de fazer e depois, à medida que forem crescendo, arranjem uma forma de se sustentarem com isso. E, se ainda não encontraram o que gostam de fazer? Não importa. Esta é a altura de experimentarem muitas coisas diferentes – desporto, ciência, música, arte, dança, cozinha. O céu é o limite! Experimentem tudo. Eu tive sorte de gostar de escrever desde cedo, mas também fiz outras coisas, como jogar futebol, cantar no coro e tocar saxofone. Não têm de saber o que querem fazer quando crescerem, mas não se coíbam de fazerem e experimentarem coisas novas e a vossa paixão encontrar-vos-á!

 

Entrevista realizada à escritora Trudi Trueit, a 2 de novembro de 2018.

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