Porque é que Estas Pessoas Constroem Telescópios de Raiz

Milhares de entusiastas de astronomia estão literalmente a tratar com suas próprias mãos da observação das estrelas. Eis como o fazem e porquê.

Fotografias Por ROBERT ORMEROD
Publicado 19/11/2018, 11:29
Uma jovem rapariga espreita através de um telescópio no Scope X, o maior festival amador de ...
Uma jovem rapariga espreita através de um telescópio no Scope X, o maior festival amador de construção de telescópios e ciência de proximidade de África, que se realiza anualmente em Joanesburgo, África do Sul.
Fotografia de Robert Ormerod

Por vezes, é fácil esquecer que vivemos sob um imenso céu estrelado em constante mudança. Há milénios que a humanidade tem dirigido os seus sonhos e mitologias ao céu noturno, no entanto, o mesmo pode frequentemente parecer inacessível ou totalmente fora de alcance — o domínio dos telescópios espaciais, astronautas que são verdadeiras celebridades e astrónomos profissionais em observatórios em topos de montanha.

Telescópios nos campos de Vermont durante o festival amador de construção de telescópios e astronomia Stellafane.

Fotografia de Robert Ormerod

No entanto, para algumas pessoas, existe uma forma de aproximar as estrelas e de, literalmente, ter em mãos a observação das estrelas: construindo telescópios a partir do zero. Estes projetos implicam um pouco de audácia, formação, ferramentas e cálculos. Mas, no final, é possível construir um instrumento capaz de observar centenas de objetos do céu profundo, as nuvens coloridas a envolverem-se em redor de Júpiter, crateras lunares com nitidez ou as manchas escuras que marcam o sol.

Se tal soa a um esforço monumental, em alguns casos, é mesmo. Polir os espelhos que refletem e concentram a luz é uma tarefa que pode implicar centenas de horas.

“Eu não o conseguiria fazer sozinho”, afirma o fotógrafo Robert Ormerod, que fotografou recentemente dois encontros de construtores amadores de telescópios. "Considero verdadeiramente extraordinário o empenho associado à construção destes instrumentos".

Rita e Jurg Wagener começaram a observar estrelas há 10 anos e organizam agora excursões noturnas de observação do céu noturno para visitantes em Sutherland. Noutro local, uma jovem rapariga reage ao observar através de um telescópio no festival Scope X.
Fotografia de ROBERT ORMEROD

Johan Landman, técnico de aeronaves, é um desses construtores. O próprio descreve-se como uma pessoa prática que gosta de construir e mexer em coisas, afirmando ter-se sempre sentido fascinado por tudo o que está associado à astronomia.

"Em criança, colecionava tudo o que fosse de natureza ótica - lentes de óculos, lentes partidas de binóculos antigos, câmaras, etc.", afirma Landman, sediado em Joanesburgo, África do Sul. "Depois, juntava todos estes objetos em vários tipos de orientações e, por vezes, obtinha uma imagem! Ao fazê-lo, estava inconscientemente a ensinar a mim próprio todos os conceitos básicos e isso só despertou ainda mais a minha curiosidade".

Landman estudou design de telescópios e, por fim, acabou por aprender a construí-los a partir do zero. Atualmente, gosta de partilhar a sua paixão de vida com a sua filha Leané de 15 anos. Juntos, observam estrelas, reconstroem e modificam telescópios antigos e levam as suas criações para a estrada.

"A Leané ajuda na oficina praticamente desde que começou a andar", afirma Landman. "Ela começou a demonstrar interesse na observação por volta dos 6 anos de idade e nós comprámos-lhe um pequeno telescópio no Natal quando tinha 9 anos".

Para Leané, a ideia de utilizar algo que ela ajudou a conceber e construir para ver o céu noturno é algo bastante satisfatório e, para além disso, existe o bónus adicional de possuir uma competência muito rara e impressionante.

Os festivais para construtores amadores de telescópios como Johan e Leané decorrem no mundo inteiro. Um dos maiores festivais nos EUA chama-se Stellafane e decorre no mês de agosto em Springfield, Vermont. Ormerod fotografou o encontro de 2018, no qual os telescópios cresciam na relva tal como esculturas complexas e mil pessoas se reuniram para admirar o céu através de trabalho manual local.

"Estava verdadeiramente interessado em saber o que estas pessoas ganham através da construção destes telescópios e o que ganham também em observar o céu noturno", afirma Ormerod.

Este instrumento caseiro é utilizado para demonstrar o funcionamento interno dos telescópios durante o festival Scope X na África do Sul.

Fotografia de Robert Ormerod

Há vários anos que Ormerod documenta a variedade de terráqueos que sentem uma ligação especial com o espaço, quer seja através da construção de telescópios, caça de auroras, missões simuladas em Marte ou construção amadora de foguetões. Para Ormerod, parte do encanto é o estar mais perto do próprio cosmos.

"Creio que tudo está associado à sensação que as estrelas transmitem às pessoas quando estas as observam", afirma Ormerod. "Creio que as fazem sentir pequenas, mas também demonstram o universo maravilhoso que está sempre ali."

No mês passado, Ormerod visitou a África do Sul para fotografar o Scope X, o maior encontro amador de construção de telescópios e ciência de proximidade do continente. Foi lá que conheceu os Landman e onde viu Saturno através de um telescópio pela primeira vez.

"Foi muito fixe", afirmou. "Nunca tinha visto nenhum destes planetas tão de perto".

Após ter fotografado o festival Scope X, Ormerod viajou para Sutherland, no interior do país. Lá, passou dois dias à espera que o tempo melhorasse e as estrelas surgissem. Após a passagem das nuvens e a chegada da lua, aventurou-se para o exterior e ficou imediatamente arrebatado pelo céu tão saturado de estrelas que parecia estar a empurrá-lo.

"Foi de loucos a quantidade de estelas - mais estrelas que escuridão, se é que me entendem", relembra.

Um astrónomo amador monta o seu telescópio ao anoitecer em Stellafane.

Fotografia de Robert Ormerod

Este tipo de experiência é o que ele e Landman esperam passar à próxima geração de observadores de estrelas e construtores de telescópios amadores.

"Creio que é muito importante incutir um sentido de curiosidade e interesse pela astronomia junto dos adolescentes", afirma Landman. "Atualmente, a maioria olha para baixo - para telemóveis, tablets ou para o mais recente jogo eletrónico - em vez de olhar para cima e desfrutar das maravilhas do nosso universo, tal como Galileu e outros antepassados o fizeram no passado".

Kenneth Slater, engenheiro eletrotécnico reformado, é agora vice-presidente do festival Stellafane. O festival de astronomia acontece anualmente em Springfield, Vermont, perto da histórica casa que serve de clube para o Stellafane.
Fotografia de ROBERT ORMEROD

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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