Ciência

Foi Descoberto o Maior T. Rex do Mundo

Mais pesado que um elefante adulto, o animal de 9 toneladas mostra que os dinossauros predadores viviam mais tempo e cresciam mais do que se pensava.Monday, April 1, 2019

Por Michael Greshko
Descoberto em 1991, o espécime de Tyrannosaurus rex conhecido por Scotty pesava mais de 9 toneladas em vida – fazendo dele o maior T. Rex alguma vez encontrado.

O espécime mais pesado, alguma vez encontrado, de um Tyrannosaurus rex – um animal que pesava mais de 9 toneladas em vida, muito mais pesado que a maioria dos elefantes vivos atualmente – veio de uma região com fósseis no Canadá.

O dinossauro, revelado no dia 21 de março no site The Anatomical Record, consiste num esqueleto completo, em cerca de 65%, incluindo o crânio, as ancas, algumas das suas costelas, ossos das pernas e da cauda. O tiranossauro, com a alcunha de “Scotty”, era bastante velho para os padrões da espécie, tinha 28 anos de idade.

Há 68 milhões de anos, a paisagem canadiana onde Scotty viveu era um paraíso costeiro subtropical – mas a vida não era fácil. Os restos mortais do dinossauro incluem uma costela partida e um crescimento maciço de osso entre dois dentes – um indício de infecção – e ossos partidos, provavelmente danificados pela dentada de outro tiranossauro.

“Levando em consideração todas estas lesões, podemos concluir que a vida não era fácil, mesmo para o rei dos dinossauros”, diz Nizar Ibrahim, paleontologista na Universidade Detroit Mercy, que não esteve envolvido no estudo.

Esta descoberta sugere que os grandes dinossauros predadores conseguiam viver mais tempo e crescer mais do que os paleontologistas imaginavam, tendo por base os fósseis atualmente disponíveis. Entre as espécies conhecidas, o T. rex é um dos dinossauros extintos mais bem representados, com mais de 20 fósseis identificados.

"À medida que encontramos mais espécimes desses terópodes, encontramos também as suas versões do Scotty: animais particularmente grandes e mais velhos", diz o líder do estudo Scott Persons, um investigador de pós-doutoramento na Universidade de Alberta. "Não me surpreenderia que esses animais aumentassem o tamanho do corpo – ultrapassando o que sabemos sobre o T. rex".

OSSOS GRANDES

Os paleontologistas conhecem o Scotty desde 1991, altura em que os seus ossos foram escavados em Saskatchewan, no Canadá. A equipa queria fazer um brinde à descoberta da criatura. Mas chegados ao final da época de escavação, a única coisa que tinham para celebrar era uma garrafa de scotch – daí a alcunha.

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Entretanto, passaram-se mais de vinte anos até os cientistas conseguirem finalmente estudar os restos mortais de Scotty na sua totalidade. Os ossos gigantes do animal estavam firmemente cravados em rocha muito dura, tornando a sua extração para estudo extremamente difícil. Mas assim que os ossos de Scotty foram libertados, a equipa de Pearsons pôde finalmente reconstruir o tamanho e a idade do dinossauro.

As secções transversais dos ossos mostram que a sua estrutura era notavelmente robusta, fazendo lembrar a de outro T. rex, que se sabe ter morrido com cerca de 28 anos de idade. E o osso principal da perna de Scotty, ou fémur, forneceu uma pista vital para desvendar o seu tamanho geral.

Ao estudar muitos animais vivos, os cientistas descobriram que quanto mais largo for o fémur de um animal, mais peso esse osso tende a suportar. O fémur de Scotty tinha uns 20 centímetros de largura – o que significa que as duas pernas de Scotty conseguiam suportar aproximadamente 10 toneladas. Quando aplicaram os mesmos métodos a Sue, o famoso T. rex completo no Museu Field, descobriram que este tinha menos 400 quilos.

ESGUIO E FEROZ

Contudo, este método de medição óssea não é infalível. Por exemplo, os animais não usam os seus esqueletos para sustentar passivamente o seu peso; os ossos também suportam as forças do movimento. Existem algumas evidências de que os tiranossauros podem ter sido mais rápidos e mais ágeis do que outros grupos de grandes dinossauros predadores, como os primeiros alossauros. Talvez os ossos das pernas dos tiranossauros fossem projetados para libertar tensão em corrida, induzindo assim os investigadores a calcular o peso de Scotty um pouco acima da realidade.

Para além disso, a massa corporal é apenas uma maneira de calcular o tamanho, e nem todos os dinossauros predatórios tinham as mesmas dimensões. Tiranossauros como o T. rex parecem ter tido uma constituição mais robusta, enquanto que outras espécies tinham corpos mais longos e magros. Esta variedade, argumentam alguns investigadores, também se pode manter dentro das espécies de T. rex, incluindo assim alguns espécimes mais "delgados".

A espécie que melhor demonstra esta questão é o Spinosaurus, um dinossauro semiaquático que viveu há cerca de 100 milhões de anos, onde agora fica o Norte de África. Este animal tinha cerca de 15 metros, da cabeça à cauda, tornando-o mais comprido que o T.rex. Mas se calcularmos o peso do Spinosaurus, tendo por base o tamanho do seu fémur, pesaria pouco mais de 1600 quilos.

Mas para sermos realistas, é quase certo que o Spinosaurus pesava mais do que isso. Acredita-se que o dinossauro tenha passado grande parte do tempo na água, ficando com membros posteriores mais pequenos. Além disso, os seus ossos eram muito mais densos do que os de outras espécies predadoras, uma característica que ajuda a manter a flutuabilidade em dinossauros semiaquáticos vivos, como os pinguins.

“O Spinosaurus foge um bocado à norma”, diz Ibrahim, bolseiro da National Geographic que redescobriu os restos mortais do Spinosaurus. “É um terópode altamente especializado com uma ecologia e um contexto ambiental únicos – é como se fosse um monstro do rio.”

Para já, a atenção de Pearson vai permanecer em terra firme. Ele vai continuar a estudar em pormenor os restos mortais de Scotty, começando pelas saliências dramáticas nos olhos e pelos “chifres” vistosos no crânio.

“A questão mais badalada neste momento é o tamanho potencial deste individuo em particular”, diz Pearson, “mas as minhas partes preferidas do espécime são na realidade os pequenos detalhes – os pedacinhos misteriosos”.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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