Ciência

Encontrados Dois Planetas Potencialmente Habitáveis a Orbitar Uma Estrela

“Eventualmente iremos descobrir se estes planetas são habitáveis e, talvez, saber se têm vida”, preveem os astrónomos.Tuesday, June 25, 2019

Por Nadia Drake
Nesta ilustração vemos a estrela de Teegarden, uma anã vermelha muito fraca a cerca de 12 anos-luz de distância. A velha estrela tem provavelmente dois planetas a orbitar a zona que é conhecida como habitável, dizem os astrónomos, o que significa que ambos os planetas podem sustentar vida como a conhecemos.

No dia 18 de junho, astrónomos anunciaram a descoberta de uma velha estrela que pode hospedar dois planetas rochosos, com climas temperados, a apenas 12 anos-luz de distância. A ser confirmado, ambos os planetas recém-descobertos são quase idênticos à Terra em termos de massa, e ambos estão em órbitas que possibilitam a existência de água nas suas superfícies.

Os cientistas estimam que o hospedeiro estelar, conhecido como estrela de Teegarden, tem pelo menos oito mil milhões de de anos, ou quase o dobro da idade do nosso sol. Isso significa que quaisquer planetas na sua órbita são presumivelmente antigos, pelo que a vida como a conhecemos teve tempo mais do que suficiente para evoluir. Mas por enquanto, a estrela é notavelmente tranquila, com poucas indicações dos violentos tremores e erupções estelares que tendem a irromper de tais objetos.

Estes fatores, em junção com a proximidade relativa deste sistema, fazem dele um alvo intrigante para os astrónomos que querem treinar os telescópios de nova geração noutros mundos e que procuram sinais de vida para além da Terra.

"Ambos os planetas de Teegarden são potencialmente habitáveis", diz Ignasi Ribas, do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e membro da equipa que anunciou os planetas na revista Astronomy & Astrophysics. "Eventualmente saberemos se eles são realmente habitáveis e, talvez, habitados."

Fraqueza estelar
A estrela orbitada por estes dois mundos é tão fraca que só foi avistada em 2003, quando o astrofísico da NASA, Bonnard Teegarden, estava a investigar dados astronómicos à procura de estrelas anãs próximas e fracas – e que até agora tinham evitado a deteção.

A estrela de Teegarden mal atinge os 9% da massa do sol. É conhecida como uma anã M ultrafria e emite a maior parte da sua luz no espectro de infravermelhos – tal como a estrela TRAPPIST-1 que hospeda sete planetas rochosos conhecidos. Mas a estrela de Teegarden, relativamente ao sistema TRAPPIST-1, está apenas a um terço de distância da Terra, fazendo dela uma candidata perfeita para uma caracterização mais aprofundada.

Esta ilustração mostra a estrela de Teegarden e as órbitas prováveis dos planetas recém-descobertos. O nosso sistema solar, que fica a 12 anos-luz de distância do sistema da anã vermelha, é mostrado como referência.

Ribas e os seus colegas estão atualmente à procura de planetas que orbitam 342 estrelas pequenas, e apontaram o instrumento CARMENES, localizado no Observatório de Calar Alto, à mini-estrela.

O CARMENES observou a estrela de Teegarden durante três anos, analisando os movimentos produzidos por quaisquer planetas na sua órbita. No final, mais de 200 medições sugeriram que dois pequenos mundos estão a afetar a estrela – cada um pesa aproximadamente 1.1 vezes a massa da Terra. A equipa calcula que um dos planetas, chamado estrela de Teegarden b, completa uma órbita em apenas 4.9 dias terrestres; o outro, a estrela de Teegarden c, tem uma órbita de apenas 11.4 dias.

Estranhamente tranquila
Antes de poder relatar a existência dos planetas, a equipa teve de descartar fenómenos estelares intrínsecos, como pontos estelares e cintilações, que se podem mascarar como mundos em órbita. Às vezes, nas estrelas anãs vermelhas essa confirmação pode ser muito complicada, dado que estas estrelas são notoriamente tempestuosas e propensas a erupções massivas. Mas a estrela de Teegarden é estranhamente tranquila, sendo mais fácil detetar os sinais planetários.

“O número de medições é tão elevado e a estrela é tão bem comportada que quase não existe a possibilidade de uma explicação alternativa”, diz Ribas. “Portanto, para mim, isto é um caso inequívoco de deteção de planetas. Eu apostava os meus dois dedos mindinhos em como os planetas estão lá”.

“Estes são candidatos a planetas muito plausíveis”, concorda Lauren Weiss, da Universidade do Havai. “Estou impressionada com a qualidade dos dados.”

Contudo, Weiss refere que existem algumas questões que a deixam hesitante. Em primeiro lugar, os cientistas são sabem o tempo exato de rotação da estrela de Teegarden sobre o seu eixo, e esse tipo de movimento pode simular um dos sinais dos planetas.

Ainda assim, “em princípio a rotação estelar só conseguiria imitar a órbita de um planeta, não de dois, pelo que um dos planetas será provavelmente real”, diz.

“Em segundo lugar, existe a possibilidade de os planetas terem velocidades superiores às calculadas, desfazendo o seu potencial de habitabilidade.”

“No entanto, estas preocupações técnicas são coisas menores”, diz Weiss. “Se realmente existirem planetas em torno da estrela, e mesmo que os autores tenham calculado mal os seus períodos orbitais, os planetas continuam a ser planetas.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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