Ciência

Imagem Inédita de Potencial Lua Alienígena em Formação

Uma nuvem de poeira em torno de um planeta longínquo pode representar o nascimento singelo de uma lua.Wednesday, July 24, 2019

Por Nadia Drake
Esta imagem de poeira, no sistema estelar PDS 70, captada pelo Observatório ALMA, mostra duas manchas ténues, dentro de um disco maior, em torno de uma estrela. Uma dessas manchas pode ser a primeira imagem de uma lua em formação em torno de um mundo alienígena.

Numa observação que se acredita ser inédita, um planeta gigante longínquo pode ter sido apanhado a gerar luas.

Na imagem captada pelo Observatório ALMA, no Chile, o jovem planeta orbita uma pequena estrela a aproximadamente 370 anos-luz de distância da Terra, e parece estar envolto num disco empoeirado e gasoso – exatamente o tipo de estrutura que os cientistas acreditam ter dado origem às muitas luas de Júpiter, há milhares de milhões de anos.

Um disco ténue de poeira rodeia um planeta enorme, dando possivelmente origem ao nascimento de uma lua, numa ilustração do sistema estelar PDS 70.

"É provável que existam duas luas em formação do tamanho do planeta ", disse Andrea Isella, da Universidade Rice, em comunicado.

"Os planetas gigantes podem ter discos gigantescos à sua volta que formam luas, é plausível", diz Bruce Macintosh, da Universidade de Stanford, sobre a observação publicada recentemente no The Astrophysical Journal Letters. "É um resultado intrigante e bastante razoável."

Sean Andrews, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, concorda, acrescentando que está otimista de que a imagem é a primeira do seu tipo.

“Se os resultados se verificarem”, diz Andrews, “será um primeiro contacto muito importante”.

Efeito giratório
Os astrónomos já observaram muitas nuvens semelhantes em torno de estrelas. Estas estruturas, conhecidas por discos circum-estelares, são o meio onde os planetas se formam – embora se desconheça a forma exata como os mundos emergem da poeira. Em alguns casos, os astrónomos acreditam estar perante planetas recém-nascidos a abrir faixas pelos discos circum-estelares, e o ALMA captou muitas imagens de impressões digitais desses nascimentos planetários.

Até agora ninguém tinha observado um disco de poeira a rodear o próprio planeta; imaginar planetas para além do nosso sistema solar já é uma tarefa difícil por si só, quanto mais ver nuvens difusas de detritos que envolvem mundos mais jovens e gigantescos.

Isella e os seus colegas estudaram um sistema estelar cercado de poeira, chamado PDS 70, usando dados reunidos em 2017 pelo Observatório ALMA – uma rede de 66 radiotelescópios espalhados pelo deserto de Atacama. O sistema estelar inclui um planeta do tamanho de Júpiter, chamado PDS 70b, que absorveu uma zona do manto de poeira em torno da sua pequena estrela natal que tem seis milhões de anos. Outro planeta, chamado PDS 70c, traça o seu caminho perto da extremidade interna da poeira, aproximadamente à mesma distância da sua estrela que Neptuno está do sol.

Inicialmente, a área nebulosa em torno de PDS 70c parecia uma ramificação gasosa muito sumida. Mas este ano, quando a equipa reprocessou os dados do ALMA através de um método ligeiramente diferente, as irregularidades transformaram-se num anel de poeira. Isella e a equipa acreditam que esta imagem recém-processada representa um disco de detritos circum-planetário, o tipo de estrutura onde as luas crescem e os planetas em expansão absorvem materiais.

"Acreditamos que as luas de Júpiter se formaram num disco – em torno de um Júpiter ainda jovem – e que os discos circum-planetários desempenham um papel importante na formação de planetas", diz Andrews.

Diretos ao assunto
Mas ainda não existem conclusões.

“Existem algumas questões pertinentes sobre alguns dos resultados”, diz Andrews, que destaca as inconsistências entre as observações feitas em comprimentos de onda diferentes. Estas observações produzem imagens ligeiramente diferentes do disco a girar em torno da estrela. Observado a partir do ALMA, o disco contém claramente uma fonte central que se assemelha a um planeta: PDS 70c. Mas nos comprimentos de onda infravermelhos mais curtos, essa fonte central fica muito difusa.

“O ambiente em torno de PDS 70c parece muito complicado.”

Isella diz que “a deteção do ALMA é muito ténue”, mas também realça que a equipa está a trabalhar para confirmar os resultados com estudos adicionais.

“Temos um programa a decorrer no ALMA para observar este sistema novamente e medir os movimentos orbitais do disco circum-planetário”, diz Isella. “Por isso, fiquem atentos.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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