Dentada de T. Rex Conseguia Esmagar um Carro

Paleontólogos dizem que “o poderoso dinossauro era um daqueles animais altamente otimizados”.quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A dentada de um Tyrannosaurus rex era capaz de quebrar ossos, energia suficiente para esmagar um carro, infligindo até 6 toneladas de pressão sobre as suas vítimas. Mas apesar de existirem vários indícios que suportam a estimativa sobre a força da dentada deste dinossauro, o debate residia em torno de como é que este conseguia projetar tal força com o que parecia ser um crânio fragilmente articulado.

De acordo com um novo modelo – sobre todas as tensões e esforços que aconteciam no crânio do T. rex enquanto este mastigava – a resposta é: não conseguia. Os resultados, apresentados em setembro na revista The Anatomical Record, mostram que os ossos do crânio do T. rex deviam estar fixos e eram rígidos, para o animal conseguir ter uma dentada tão assustadora. (Conheça o maior T. rex do mundo, encontrado recentemente no Canadá.)

"O T. rex era um daqueles animais altamente otimizados”, diz o coautor do estudo, Casey Holliday, paleontólogo na Faculdade de Medicina da Universidade do Missouri. "Ele tinha músculos gigantes no maxilar e era muito eficiente a usar essa força muscular nas suas presas porque tinha um crânio rígido".

Sem articulações onduladas
Holliday diz que a noção de que as articulações entre alguns dos ossos cranianos do T. rex eram móveis tem sido muito difundida. Isto deve-se, em parte, à aparência dos fósseis, e em parte porque alguns parentes vivos dos dinossauros, incluindo papagaios e cobras, têm crânios flexíveis com ossos móveis. Os répteis em particular têm uma série de ossos que ligam as estruturas cranianas aos palatos e depois aos maxilares inferiores, ou mandíbulas.

"Isto é muito diferente dos crânios dos mamíferos, como o nosso, onde existem apenas duas partes: a parte que contém o cérebro e o maxilar", diz Holliday.

Contudo, a ideia de que o T. Rex tinha um crânio flexível apresentava um problema matemático.

“Quando temos uma coisa gigantesca, como o crânio de um T. Rex, com um metro e oitenta de comprimento e um metro e vinte de largura, e que morde com uma quantidade de força brutal, se incorporarmos flexibilidade neste sistema, estamos a destiná-lo ao fracasso”, diz Holliday.

"Queremos pegar em toda esta força dos músculos e colocá-la na presa através dos dentes, e não fazer com que enfraqueça através de uma miríade de articulações onduladas."

Para testar esta teoria, Holliday e o seu antigo aluno, Ian Cost, agora professor-assistente no Albright College, na Pensilvânia, criaram modelos digitais de crânios de T. rex com palatos capazes de se dobrar para os lados, como os das osgas, ou que se movem para cima e para baixo, como os dos papagaios-cinzentos. Depois, os investigadores modelaram a biomecânica destes crânios em ação.

A equipa descobriu que o carnívoro era capaz de aplicar pressão mais eficazmente quando as articulações na parte superior do crânio permaneciam praticamente imóveis, embora uma pequena quantidade de flexibilidade ajudasse o crânio a resistir às incríveis forças aplicadas pelo dinossauro.

"A face e o crânio do T. rex não tinham mobilidade, isto confirma a nossa conclusão de que os ossos (palato) da boca não se mexiam quando o T. rex mordia as suas presas", diz Cost. Isto significa que a espécie tirava mais partido da força total dos seus músculos no maxilar do que os seus antepassados ou parentes com palatos móveis.

Pesos pesados
"Os resultados apresentados neste estudo, que foi realizado com uma enorme atenção aos detalhes, não só demonstram que o crânio do T. rex conseguia resistir ao impacto das suas próprias dentadas, mas também a forma como o fazia", diz Laura Porro, especialista em biomecânica fóssil na University College de Londres. Laura acrescenta que o trabalho vai agora ajudar os investigadores a determinar a flexibilidade dos crânios pertencentes a outros animais fósseis.

Eric Snively, paleobiólogo na Universidade Estadual do Oklahoma, em Tulsa, que também estudou as mecânicas de alimentação do T. rex, diz que “a investigação ajuda a responder como é que o T. rex tinha uma das dentadas mais fortes de qualquer animal terrestre".

Os tiranossauros são incomuns, argumenta Eric, porque os seus dentes mais fortes ficavam na parte da frente da boca, ao contrário de predadores como os crocodilos que têm os dentes mais fortes na parte de trás.

"As zonas frontais das cabeças destes dinossauros estavam fundidas com ossos entrelaçados na zona do nariz, mas até este estudo, não sabíamos como é que o resto do crânio funcionava.”

“Estamos a começar a ter o quadro completo da anatomia do crânio, algo que é bom para percebermos como é que o T. Rex conseguia morder com força suficiente para levantar vários carros.”

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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