Ciência

Saturno: Descobertas 20 Luas, Recorde no Sistema Solar

Com as suas novas companheiras, Saturno ultrapassa Júpiter como o planeta que tem mais luas conhecidas nas redondezas cósmicas.segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Em outubro de 2016, a sonda Cassini da NASA captou a última imagem de Saturno e dos seus principais anéis. Quase 3 anos depois, os astrónomos anunciaram a descoberta de 20 pequenas luas a orbitar Saturno, elevando o total do planeta para 82.
Em outubro de 2016, a sonda Cassini da NASA captou a última imagem de Saturno e dos seus principais anéis. Quase 3 anos depois, os astrónomos anunciaram a descoberta de 20 pequenas luas a orbitar Saturno, elevando o total do planeta para 82.

Júpiter pode ser o rei do sistema solar, mas Saturno tem uma comitiva maior: no dia 7 de outubro, os astrónomos anunciaram a descoberta de mais 20 luas em torno de Saturno, elevando o seu número total para 82 – recorde entre os planetas do sistema solar. Estes resultados surgem um ano depois de os astrónomos terem anunciado 12 novas luas a orbitar Júpiter mas, com as descobertas mais recentes, o séquito de Saturno supera agora os 79 satélites naturais conhecidos de Júpiter. (Explore o atlas interativo de luas da National Geographic.)

Estes conjuntos de luas relativamente pequenas podem ajudar os astrónomos a compreender melhor as inúmeras colisões que aconteceram no início do sistema solar e podem fornecer novas diretrizes para as futuras missões aos gigantes gasosos.

CONCEPÇÃO DE UM ARTISTA DA SUPERFÍCIE DE TITÃ ENQUANTO O HUYGENS DESCE E POUSA NA LUA. …
ver galeria

"Uma das coisas mais empolgantes sobre estas luas exteriores reside no facto de termos sempre missões a caminho do local", diz Scott Sheppard, astrónomo no Instituto para a Ciência de Carnegie e coautor das descobertas feitas recentemente nos dois planetas. Neste momento, estão a ser preparadas 3 missões para Júpiter e Saturno: a Europa Clipper da NASA; a missão Dragonfly da NASA; e a missão JUICE da Agência Espacial Europeia.

"Existem tantas luas, é quase garantido que existe uma lua perto de onde as sondas entram no ambiente de Júpiter ou de Saturno", diz Sheppard.

Agentes do caos?
As luas recém-descobertas de Saturno têm cerca de 5 km de diâmetro. São tão ténues que ficam nos limites de deteção do telescópio Subaru, uma instalação no topo do vulcão Mauna Kea, no Havai, usada para detetar as luas.

É por isso que esta descoberta levou mais de uma década a surtir efeito. De 2004 a 2007, Sheppard e a sua equipa usaram o Subaru para procurar luas perto da região de Saturno. Apesar de verem alguns pontos de luz intrigantes, não conseguiam provar que estes corpos estavam de facto a orbitar Saturno.

"Era algo que eu tinha sempre em mente", diz Sheppard. Mas agora, as novas técnicas de computação conseguem encontrar ligações entre as imagens de telescópio, processo que normalmente demoraria anos. Quando Sheppard reexaminou os dados, as imagens confirmaram que 20 dos pontos de luz traçavam órbitas em torno de Saturno.

Entre as 20 novas luas, 17 orbitam na direção oposta à rotação de Saturno. Cada uma destas luas "regressivas" demora mais de 3 anos a traçar uma órbita. Duas das chamadas luas "progressivas" – que orbitam na direção da rotação do planeta – demoram aproximadamente 2 anos a completar uma órbita, enquanto que outra demora mais de 3 anos a orbitar Saturno.

Imagens da recém-descoberta lua de Saturno, provisoriamente designada de S/2004 S24, obtidas com o telescópio Subaru. A lua está destacada a laranja contra o fundo de estrelas e galáxias.
Imagens da recém-descoberta lua de Saturno, provisoriamente designada de S/2004 S24, obtidas com o telescópio Subaru. A lua está destacada a laranja contra o fundo de estrelas e galáxias.

As luas recém-descobertas encaixam-se nos grupos conhecidos de satélites saturnianos – cada um com uma denominação alusiva a figuras mitológicas. Com base nas suas direções e inclinações orbitais, incluindo as distâncias de Saturno, as luas regressivas estão no grupo nórdico. As duas luas progressivas mais perto de Saturno enquadram-se no grupo inuíte, e a mais distante encaixa na categoria do grupo gaulês.

Sheppard e a sua equipa calculam que cada um destes aglomerados lunares se formou a partir de um corpo parental distinto, captado por Saturno durante os primeiros dias do sistema solar. Depois, num evento celestial semelhante a uma viagem de carrinhos de choque, as colisões quebraram os corpos parentais ao longo do tempo, produzindo as luas fragmentadas que agora observamos.

"Acreditamos que estas luas nos estão simplesmente a mostrar o quão caótico o sistema solar era num passado muito distante", diz Sheppard. "Estava praticamente tudo em colisão, e estas luas são o vestígio desse processo.”

Nenhuma das 20 luas tem nome oficial. Sheppard e os seus colegas convidam todas as pessoas a darem sugestões através de um concurso que termina no dia 6 de dezembro.

‘Um sonho realizado’
Os telescópios de nova geração, como o Telescópio Gigante de Magalhães que está a ser construído no Chile, provavelmente irão encontrar mais luas à volta dos gigantes gasosos do sistema solar. Sheppard diz que, atualmente, os nossos melhores telescópios não conseguem detetar as luas de Júpiter que têm menos de 1 km de diâmetro, ou luas saturnianas com menos de 5 km de diâmetro. E em Urano e Neptuno podem estar ocultos objetos ainda maiores.

“Esses estão muito longe, atingimos o limite em Urano nos 30 km de tamanho, e em Neptuno por volta dos 50 km”, diz Sheppard.

CIÊNCIA 101 -  SATURNO
CIÊNCIA 101 -  SATURNO

Se existirem mais objetos pequenos e distantes para encontrar, Sheppard está bem preparado. Com o astrónomo Chad Trujillo, Sheppard já tinha descoberto um objeto extremamente distante, com uma órbita que podia ser puxada pelo invisível "Planeta Nove" nas profundezas do sistema solar. Em 2018, Sheppard foi uma das pessoas que encontraram o objeto mais distante alguma vez observado no nosso sistema solar, uma bolha congelada chamada Farout, a uma distância 100 vezes superior à distância entre a Terra e o sol. E poucos meses depois, juntamente com a sua equipa, bateram o recorde pessoal quando encontraram um objeto ainda mais distante chamado Farfarout.

As descobertas lunares de Sheppard também têm um lado mais pessoal. Quando ele tinha cerca de 12 anos, recebeu uma revista de ciências para crianças que tinha a lista de todos os planetas e luas conhecidas, e pendurou as páginas na parede do quarto.

“Poder preencher cada vez mais esse diagrama é um sonho realizado.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler