Nova ‘Super-Terra’ Pode Orbitar Estrela Vizinha

As alterações subtis no movimento da estrela Proxima Centauri sugerem que esta pode ter não um, mas dois mundos alienígenas.sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

BERKELEY, CALIFÓRNIA – Aparentemente, existem dois planetas a orbitar a estrela mais próxima do Sol, uma pequena anã vermelha chamada Proxima Centauri, que fica a cerca de 4.24 anos-luz de distância da Terra.

“Temos o prazer de vos apresentar, pela primeira vez, aquilo que para nós é um novo candidato a planeta, perto de Proxima, ao qual chamamos Proxima c”, disse Mario Damasso, do Observatório de Turim, em Itália, durante a conferência Breakthrough Discuss 2019. No dia 15 de janeiro foi publicado um artigo na Science Advances que descreve o potencial planeta.

“É apenas um candidato”, continuou Mario Damasso, “é muito importante salientar isso.”

Factos Sobre Exoplanetas
Os exoplanetas fazem-nos questionar se estamos sozinhos no universo. Saiba que tipos de exoplanetas existem, os métodos que os cientistas utilizam para os encontrar e quantos mundos podem existir na galáxia da Via Láctea.

Se o planeta estiver de facto lá, tem pelo menos 6 vezes mais massa do que a Terra – configurando o que se chama de “super-Terra” – e demora 1.936 dias a fazer uma órbita completa em torno da sua estrela. Isto significa que a temperatura média da superfície do planeta é demasiado fria para conter água em estado líquido.

“Este planeta é habitável? Nem por isso, é demasiado frio”, diz Fabio Del Sordo, da Universidade de Creta.

Ilusões
Em 2016, os cientistas do projeto Pale Red Dot revelaram o primeiro mundo a orbitar a estrela Proxima Centauri – um planeta com pelo menos 1.3 vezes a massa da Terra que pode ser quente o suficiente para suster vida na sua superfície. Os cientistas identificaram este planeta, chamado Proxima Centauri b, observando a forma como a sua gravidade é afetada por Proxima Centauri.

Recentemente, Damasso e Del Sordo decidiram revisitar os dados usados para detetar Proxima b. E processaram-nos de maneira um pouco diferente, removendo os sinais da atividade estelar intrínseca de Proxima b e adicionando 61 medições feitas durante 549 dias pelo espectrógrafo HARPS, que foi montado num telescópio do Observatório de La Silla, no Chile.

No total, conseguiram obter aproximadamente 17 anos de dados sobre as oscilações da estrela. E nesses dados, descobriram um sinal que pode vir de outro planeta a orbitar Proxima Centauri. Se o planeta estiver lá – e estamos a falar de um grande “se” – o Proxima c leva pouco mais de 5 anos terrestres a contornar a sua estrela, orbitando a uma distância 1.5 vezes maior do que a Terra do sol.

“Este tipo de deteção é muito desafiador”, diz Del Sordo. “Por vezes, interrogamo-nos se estamos de facto perante um planeta real. Mas a verdade é que, mesmo que este planeta seja uma ilusão, temos de continuar a trabalhar para encontrar fundações ainda mais fortes que o suportem.”

De olhos no prémio
Os cientistas vão continuar a recolher dados sobre a estrela e planeiam usar as informações da sonda Gaia, da Agência Espacial Europeia, para estudar mais detalhadamente o movimento de Proxima Centauri, refinando assim a interpretação das suas oscilações. A equipa também sugere que este planeta pode um dia vir a ser observado diretamente com os telescópios do futuro.

Para além disso, as observações feitas pelo observatório ALMA podem suportar a possibilidade de existirem vários planetas em órbita: nas imagens do observatório, a estrela Proxima Centauri está rodeada por faixas de poeira que provavelmente são esculpidas por objetos em órbita. E o ALMA detetou outra fonte brilhante neste sistema, situada aproximadamente à distância onde Proxima c pode estar.

“Existe uma fonte desconhecida – está lá qualquer coisa. Pode ser uma fonte de fundo, ou ruído, não sabemos”, diz Del Sordo.

“Estes resultados são verdadeiramente espantosos – espero que resistam ao escrutínio científico nos próximos meses e anos”, diz Rene Heller, do Instituto Max Planck.

Lauren Weiss, da Universidade do Havai, sugere que a equipa pode estar a ver um sinal provocado por uma combinação de outros planetas no sistema, para além dos ruídos estelares.

“Talvez existam planetas adicionais, mas neste momento ainda estamos numa fase precoce”, disse Lauren a Damasso e Del Sordo durante a conferência. “Não sei realmente o que podemos fazer, exceto o que foi dito de forma acertada – continuar a monitorizar... e temos um longo caminho pela frente.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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