Coronavírus: Viver de Quarentena em Wuhan

Um pai, uma médica e outros residentes relatam o primeiro mês a conviver com o surto mortal.

Friday, February 14, 2020,
Por Jane Qiu
Um homem atravessa uma estrada deserta, no dia 3 de fevereiro de 2020, em Wuhan, na ...
Um homem atravessa uma estrada deserta, no dia 3 de fevereiro de 2020, em Wuhan, na China. O número de mortes pelo coronavírus na China aumentou para mais de 1.350, com casos confirmados em outros países, incluindo os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão, Coreia do Sul, Índia, Reino Unido, Alemanha, França e muitos outros.
Fotografia de Getty Images

PEQUIM – O Novo Ano Lunar trouxe suores e calafrios.

Wang Zhen, de 33 anos, estava a ver programas festivos na televisão com a sua esposa, os seus dois filhos e os pais, nos arredores de Wuhan, quando perdeu o fôlego. Enquanto a noite caía sobre a vila, Wang sentia um aperto no peito, e não se conseguia sentar.

“A primeira coisa que me passou pela cabeça foi a de que não podia infetar a minha família – caso não fosse tarde demais”, diz Wang, professor de filosofia na Universidade de Hubei.

Wang colocou algumas roupas numa mala e seguiu sozinho de carro até ao seu apartamento na cidade. As estradas principais estavam bloqueadas, mas Wang, nascido em Wuhan, sabia contornar os pontos de controlo. Quando chegou ao apartamento, caiu no sofá e começou a ler as últimas notícias sobre a epidemia.

Funcionários do governo num posto de controlo, em Wuhan, em frente a um hotel com pessoas de quarentena infetadas com o coronavírus.
Fotografia de Feature China/Barcroft Media via Getty Images

Quando esta realidade sombria se abateu sobre Wang Zhen, no dia 25 de janeiro, a China tinha confirmado 1.320 casos do novo coronavírus – principalmente na província de Hubei, onde Wuhan atua como a capital. Nas primeiras semanas do surto, Wang tinha ouvido falar de pessoas que tinham contraído esta doença misteriosa, mas ele não estava muito alarmado. Inicialmente, as autoridades locais disseram que o vírus tinha origem na vida selvagem, mas que não passava de pessoa para pessoa. (Leia sobre como os cidadãos chineses estão a fazer pressão para a China acabar com os mercados de vida selvagem.)

A mensagem das autoridades chinesas alterou-se cinco dias antes de Wang adoecer, quando Zhong Nanshan, o investigador principal de uma equipa da Comissão Nacional de Saúde enviada a Wuhan, disse à televisão estatal chinesa que as evidências da transmissão entre humanos eram fortes. O governo impôs restrições nos transportes de Wuhan, uma cidade gigante com uma população de 11 milhões de habitantes, restrições que depois se expandiram ao resto da província. A província de Hubei, que tem o dobro do tamanho de Portugal, com quase 60 milhões de habitantes, estava agora bloqueada.

“A cidade estava completamente deserta”, diz Wang. “Havia uma atmosfera sinistra no ar. Parecia o fim do mundo.”

No apartamento, a condição de Wang começou a deteriorar-se e ele ligou para o 120, o número de emergência na China. Mas as linhas estavam ocupadas. Wang desligou o telefone e ficou sozinho no escuro, aguardando – enquanto que no exterior o novo coronavírus se propagava como se fosse um incêndio florestal.

A história de Wang é semelhante à de muitas outras pessoas na linha da frente desta guerra viral – histórias com contornos parecidos com o primeiro mês de qualquer emergência de saúde global.

Até agora, o número de pessoas infetadas na China atingiu uns impressionantes 48.206 casos. Mais de dois terços dos afetados vivem na província de Hubei, e 3.800 pessoas sofrem de pneumonia grave – aumentando assim o espectro da epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) de há 17 anos, que atingiu 8.100 pessoas a nível mundial e ceifou quase 800 vidas.

Na altura, tal como acontece agora, um coronavírus era o germe responsável pela doença, mas esta vertente emergente atingiu muito mais pessoas num curto espaço de tempo. Mais de 200 pessoas em mais de 20 países e territórios da Ásia, da Europa e da América do Norte estão a sofrer com esta nova infeção, e as primeiras mortes fora da China ocorreram em finais de janeiro.

Identificar os primeiros casos
A médica Zhang Li passou a maior parte do dia 1 de janeiro nas enfermarias do Hospital Wuhan Jinyintan, o principal centro de doenças infecciosas da cidade, tentando freneticamente salvar os pacientes gravemente afetados por uma pneumonia atípica. Os primeiros pacientes chegaram no dia 29 de dezembro, mas no dia seguinte chegaram muitos mais, e esta tendência continuou. Em pouco menos de uma semana, o hospital estava na sua capacidade máxima. Zhang e o seu marido, ambos especialistas em doenças respiratórias em Jinyintan, juntamente com a restante equipa do hospital, nunca mais pararam desde então.

“É uma luta de vida ou morte”, diz Zhang.

As suas palavras ecoam as do presidente chinês, Xi Jinping, que colocou a região em pé de guerra para impedir e controlar a disseminação do novo coronavírus. Na véspera do Ano Novo Lunar, 450 equipas médicas militares – com experiência no combate à SARS e Ébola – aterraram em Wuhan, integradas no esforço do Partido Comunista para salvar vidas. O presidente Xi Jinping ordenou a entrega célere de mantimentos médicos, incluindo máscaras protetoras, aventais e ferramentas de diagnóstico para as áreas sob bloqueio, e prometeu consequências para as autoridades que foram negligentes a lidar com a crise.

Os cientistas apressaram-se a decifrar as ramificações da infeção. Um estudo feito sobre os primeiros 425 casos graves, publicado no dia 29 de janeiro no New England Journal of Medicine, mostra que a média de idades das pessoas atingidas por esta doença é de 59 anos. O maior estudo epidemiológico feito até agora sobre o novo coronavírus também apresenta evidências claras da transmissão entre humanos, diz o principal autor do estudo, Benjamin Cowling, epidemiologista na Universidade de Hong Kong.

“É inequívoco”, diz Cowling, embora acrescente uma nota positiva: a equipa não testemunhou casos em crianças com menos de 15 anos.

O estudo de Cowling e outro estudo publicado no The Lancet – ambos liderados por Gabriel Leung, reitor de medicina da Universidade de Hong Kong – estimam que, em média, cada paciente infetou 2.2 a 2.7 pessoas adicionais. Com base nas investigações de Leung e em outras análises, a nova infeção parece ter um período de incubação de 5 a 6 dias antes de revelar sintomas.

O contágio faz-se principalmente através de contactos de proximidade, sobretudo através gotículas pulverizadas pela tosse e espirros de uma pessoa infetada. Num segundo estudo, também publicado no New England Journal of Medicine, os cientistas encontraram sinais do vírus nas fezes do primeiro caso nos EUA, sugerindo que a doença também se pode transmitir através de matéria fecal.

Para impedir a propagação do vírus, milhões de pessoas que partiram de Hubei antes do bloqueio – para a migração em massa do Festival da Primavera – estão a ser rastreadas e colocadas numa quarentena obrigatória de duas semanas. A época festiva foi prolongada, dado que as pessoas de todo o país foram aconselhadas a ficar em casa, e a trabalhar em casa, o máximo possível. As excursões para o festival foram suspensas e todas as viagens internas de autocarro, comboio e avião também foram interrompidas. (Descubra como o coronavírus se propaga num avião – e qual é o lugar mais seguro.)

Alguns dos especialistas dizem que estas medidas, apesar de inéditas e quase draconianas, são de louvar. “O governo chinês merece ser reconhecido por ter respondido rapidamente, e pelo seu compromisso na contenção do vírus”, diz Ian Lipkin, diretor do Centro de Infeções e Imunidade da Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, cujo laboratório trabalhou com as autoridades chinesas para desenvolver testes de diagnóstico precoce para a SARS. “As coisas estão bastante melhores do que aconteceu em 2003 no combate à SARS”, diz Lipkin.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, ecoou este sentimento quando a sua agência designou a nova epidemia de coronavírus, no dia 30 de janeiro, como uma emergência de saúde global. Esta designação é o nível mais elevado de alarme da OMS, reservado para surtos que ameaçam populações para além do país de origem do patógeno e que requerem uma resposta internacional coordenada. Nos próximos três meses, a OMS planeia investir 675 milhões de dólares num plano de resposta para os países mais vulneráveis.

“Esta declaração não é um voto de desconfiança na China”, disse Ghebreyesus em Genebra, no dia 30 de janeiro, em conferência de imprensa. “A nossa maior preocupação recai sobre o potencial de propagação do vírus em países com sistemas de saúde mais debilitados.”

Esquerda: Esta fotografia aérea mostra o Hospital Huoshenshan, em Wuhan, um hospital construído em 10 dias para abrigar as pessoas infetadas com coronavírus. Direita: Camas preparadas no Centro Internacional de Conferências e Exposições de Wuhan.
Fotografia de GETTY IMAGES

Mas Zhang sente que a situação está a piorar no Hospital Wuhan Jinyingtan, local designado para tratar os pacientes mais críticos.

“A taxa de mortalidade parece estar a aumentar. Hoje, morreram três pacientes nas minhas enfermarias”, disse Zhang à National Geographic na noite de 2 de fevereiro. Zhang parecia exausta, tinha uma voz calma, mas a sua sensação de tristeza e de desespero era palpável. “Interrogo-me se isto é um sinal de que o vírus está a ficar mais mortífero.” Zhang continua a perder colegas devido à doença: alguns estão infetados, outros estão doentes devido à exaustão. Li Wenliang, o médico que alertou o público sobre o surto, morreu no dia 7 de fevereiro.

Num estudo publicado no The Lancet, Zhang e os seus colegas revelam que 99 dos casos graves confirmados, internados no seu hospital entre o dia 1 e 20 de janeiro, tiveram uma taxa de mortalidade de 11%. Por todo o país, as mortes entre os casos mais graves rondam os 15%.

O estudo identifica uma lista de fatores que podem ajudar a prever os casos mais severos, incluindo o histórico de tabagismo, infeções bacterianas, tensão alta, diabetes e velhice. “A identificação e tratamento precoce destes fatores são críticos para impedir que os pacientes desenvolvam sintomas mortais”, diz Zhang.

Mas há outros especialistas que duvidam que esta visão sombria se estenda para além da zona crítica do epicentro do surto. O número total de mortes ronda os 1.350, cerca de 2% dos casos confirmados no mundo inteiro.

“A taxa real de mortalidade pode ser mais baixa”, diz Linfa Wang, diretor do programa de doenças infecciosas emergentes da Faculdade de Medicina Duke-NUS, em Singapura. Isto acontece porque os casos confirmados representam apenas uma fração da totalidade de casos, já que muitas das pessoas com sintomas mais ligeiros podem não ir ao hospital, e a capacidade de testes é limitada, acrescenta Linfa Wang.

Intervenções na Internet
Porém, em Wuhan, sozinho no seu apartamento, Wang só conseguia sentir morte. A ideia de não poder ver os seus filhos a crescer era insuportável. Wang ligou novamente para o número de emergência, mas continuava ocupado.

Depois de tentar ligar, e falhar, várias vezes, Wang entrou em pânico e fez o que qualquer pessoa poderia fazer nesta era digital – virou-se para as redes sociais.

Wang começou a enviar mensagens no WeChat, a aplicação de mensagens mais popular na China, para os seus amigos, colegas e estudantes. Obteve dezenas de respostas de pessoas que se ofereceram para ligar para o número de emergência em seu nome. Um amigo de um colega do Hospital Wuhan Tianyou ofereceu-se para lhe reservar uma cama.

“O medo, a ansiedade e a ignorância sobre a doença afetam profundamente as populações nas áreas de isolamento”, diz Liu Hao, médico no Wuhan Ciming Health Checkup Group. “Graças à internet, podemos fazer várias coisas.”

Liu Hao, também nascido em Wuhan, reuniu cerca de 100 voluntários de todo o país, incluindo mais de 30 médicos, para oferecer apoio online aos indivíduos negligenciados. O grupo oferece orientação médica e aconselhamento psicológico. E também fornece conselhos sobre como evitar infeções, boa alimentação e sobre como manter a saúde durante o período de quarentena.

Sem saber quando é que o bloqueio vai ser levantado, “o caminho torna-se muito mais longo”, diz Liu. “As pessoas precisam de sentir que existe alguém que se preocupa com elas. Precisam de saber que existe alguém que vai estar lá caso seja necessário – mesmo que os hospitais não consigam cuidar da sua situação no imediato.”

Horas depois de enviar alertas pela aplicação WeChat, uma ambulância chegou ao apartamento de Wang. Duas equipas médicas, com máscaras e roupas de proteção,  levaram-no para o hospital de Tianyou. Apesar da febre, os raios-x não revelaram sinais de uma doença respiratória grave.

“Pelo menos não estou a morrer”, pensou Wang. Mas Wang não pode fazer testes específicos para o coronavírus porque os escassos reagentes médicos estavam reservados para os pacientes com sintomas claros de pneumonia. Wang foi internado para ser acompanhado, dividindo um quarto com dois pacientes idosos do sexo masculino – as camas estavam separadas por cortinas.

“Nunca chegámos a falar, mas estávamos cientes da presença uns dos outros. Provavelmente, estávamos todos a pensar que os outros podiam ter o vírus”, diz Wang. Mas a sua experiência está entre as mais positivas.

Depois do bloqueio de Wuhan, os habitantes inundaram os hospitais da cidade. As imagens de clínicas sobrelotadas e mergulhadas no caos invadiram a televisão estatal, com inúmeras pessoas a voltar para trás e a pedir para ficar de quarentena em casa. Devido à escassez de espaço e à ausência de conselhos adequados para a quarentena, muitas pessoas dizem que acabaram por infetar os seus familiares. E muitos dos pacientes que morrem em casa podem nunca vir a ser contabilizados entre os números de mortes oficiais.

Os críticos dizem que há uma necessidade urgente de colocar em quarentena os casos suspeitos. “Caso contrário, podemos ter mais fontes infecciosas ambulantes e mais infeções cruzadas”, diz Lei Reipeng, vice-reitora da Universidade de Ciências e Tecnologia Huazhong, em Wuhan. Lei Reipeng e uma equipa de Huanzhong têm pressionado o governo da província para colocar de quarentena qualquer pessoa que revele sintomas, mas que não pode ser tratada imediatamente pelos hospitais designados para a epidemia.

“Não podemos simplesmente deixar as pessoas andarem por aí e, potencialmente, infetarem outras pessoas”, diz Reipeng. “Muitos dos hotéis em Wuhan estão vazios. E também existe espaço em muitos dos hospitais não especializados. Porque é que não os podemos usar para diminuir as fontes de infeção?”

Felizmente, o desamparo sentido por muitas das pessoas retidas em Wuhan pode em breve encontrar algum alívio. De acordo com o Hubei Daily, no início de fevereiro, o governo da província anunciou que a identificação e quarentena dos casos suspeitos seria uma prioridade durante as semanas seguintes.

E para responder a estas necessidades médicas sem precedentes, o governo apressou-se a construir dois novos hospitais em Wuhan. A televisão estatal mostrou dezenas de máquinas a escavar os canteiros das obras. Mais de 6.300 operários trabalharam em turnos contínuos para garantir uma construção acelerada.

O primeiro hospital, chamado Huoshenshan – ou Montanha do Deus de Fogo – ficou concluído em 10 dias e abriu no dia 3 de fevereiro. O Hospital Leishenshan – Montanha do Deus do Trovão – começou a receber pacientes no dia 8 de fevereiro. Ambas as instalações têm 3.400 médicos militares e 2.600 camas.

Entretanto, mais 24 hospitais da cidade estão a ser alterados para receber pacientes com doenças respiratórias infecciosas. Sun Fenghua, membro do projeto, disse à televisão estatal que este processo ia oferecer mais 13.000 camas.

“Vamos ver se existe a necessidade de alterar mais hospitais com base na evolução da epidemia”, diz Sun Fenghua.

Caminho para a recuperação
Depois de alguns dias de tratamento no Hospital Wuhan Tianyou, incluindo uma medicação à base de antivirais, Wang começou a sentir-se muito melhor. A febre desapareceu e Wang pode respirar novamente. A dor que sentia no peito enfraqueceu e teve alta do hospital. Wang está a recuperar, mas a China parece estar de rastos.

Um trabalhador com uma salamandra gigante acabada de ser capturada no Mercado de Marisco de Huanan, mercado encerrado devido à sua ligação com os primeiros casos de coronavírus.
Fotografia de Feature China/Barcroft Media via Getty Images

“Ainda é muito cedo para dizer quando é que isto vai acabar”, diz Zhang, a especialista em doenças respiratórias do Hospital Wuhan Jinyintan. “Vão existir mais casos.”

No dia 31 de janeiro, um estudo publicado no The Lancet estimava que, até dia 25 de janeiro, cerca de 76.000 pessoas em Wuhan podiam ter sido infetadas com o novo coronavírus – com base num modelo do número conhecido de casos e pela forma como a doença se propaga. Os autores calculam que a epidemia duplicou a cada 6.4 dias. Mas o crescimento da epidemia pode estar a desacelerar devido às “enormes medidas inéditas de distanciamento social que foram implementadas desde então”, disse Gabriel Leung por email – Leung foi o autor principal do estudo.

Até agora, nos estudos revistos por pares, não parecem existir super-propagadores – pacientes que transmitem um patógeno a várias pessoas ao mesmo tempo. Mas um artigo publicado no dia 24 de janeiro no The Lancet, mostra que os pacientes podem ser contagiosos mesmo quando apresentam sintomas ligeiros, ou mesmo quando não apresentam sintomas. No dia 4 de fevereiro, a Comissão Nacional de Saúde da China confirmou a existência de muitos destes casos, sobretudo entre membros da própria família.

“Esta situação contrasta com a SARS, onde as pessoas só são infecciosas quando apresentam sintomas”, diz Jeremy Farrar, diretor da Wellcome Trust, uma fundação de caridade focada em investigações médicas sediada em Londres. “Isto faz com que seja extremamente difícil de controlar.”

Wang está de quarentena no seu apartamento citadino, na Universidade de Hubei, porque pode estar infetado e pode ser contagioso. Os seus alunos vão-se revezando e levam-lhe compras de supermercado.

“Eles deixam as coisas à porta do apartamento e depois enviam-me uma mensagem”, diz Wang. “Nós não nos encontramos. Não podemos correr riscos.”

Wang “vê” a sua família todos os dias através de vídeo chamadas na aplicação WeChat: “Só quero que isto acabe depressa. Mal posso esperar para abraçar os meus filhos novamente.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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