As Vacinas São Fundamentais Para Manter Doenças Afastadas

As vacinas protegem-nos de patógenos mortíferos há muito tempo. Descubra como é que as vacinas escudam o corpo humano.

Friday, April 17, 2020,
Por Amy McKeever
Uma vacina experimental contra a gripe é administrada num voluntário. As vacinas desempenham um papel essencial ...

Uma vacina experimental contra a gripe é administrada num voluntário. As vacinas desempenham um papel essencial para manter os humanos a salvo de doenças mortais.

Fotografia de Lynn Johnson, Nat Geo Image Collection


Cientistas do mundo inteiro estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina para o novo coronavírus, um vírus que já matou centenas de milhares de pessoas desde o final de dezembro. Dezenas de empresas e instituições estão envolvidas num processo com um ritmo sem precedentes, e algumas já começaram a primeira fase de ensaios clínicos. No entanto, os investigadores continuam a alertar que pode demorar pelo menos um ano até que uma vacina esteja pronta para a utilização pública – muito tempo para esperar pelo que muitos consideram ser a melhor esperança na contenção da propagação do vírus SARS-CoV-2, o vírus que provoca a COVID-19.

Muitas das vacinas não curam doenças; previnem sobretudo as infeções. As vacinas contêm o mesmo germe (ou parte de um germe) que provoca uma doença, mas num estado morto ou enfraquecido, para não adoecermos. O sistema imunitário aprende sobre o patógeno, armazena as informações e produz anticorpos para o combater. Assim, da próxima vez que o patógeno surgir, o corpo sabe como se defender.

As vacinas existem há pouco mais de duzentos anos, mas o conceito da inoculação contra doenças tem uma longa história.

A invenção das vacinas
A varíola foi um dos primeiros flagelos enfrentados pela humanidade – e a primeira e única doença a ser erradicada através da utilização de uma vacina. No ano 430 a.C., os humanos perceberam que as pessoas que tinham sobrevivido à varíola tinham desenvolvido imunidade à doença. Durante os 2 mil anos que se seguiram – há quem diga que foi em 200 a.C. – as pessoas aprenderam a vacinar-se contra a varíola.

Relatos antigos da China e da Índia indicam que esta doença mortal foi combatida com uma técnica chamada variolação. Este processo envolvia a trituração de crostas de varíola que eram depois sopradas por uma narina, ou arranhadas na pele, para infetar deliberadamente uma pessoa. A variolação deu origem a uma versão mais enfraquecida da doença, mas estava longe de ser perfeita – para além de haver uma taxa de mortalidade a rondar os 2% e os 3%, os infetados continuavam a poder contrair varíola. Ainda assim, no início do século XVIII, a técnica tinha-se popularizado na Europa e nas Américas.

Em 1796, um médico inglês chamado Edward Jenner revolucionou a forma como abordamos as doenças como a varíola. Edward mostrou que a inoculação através de uma estirpe enfraquecida da varíola bovina – uma doença zoonótica que na época passava do gado para os humanos – também era eficaz na proteção contra a varíola. Durante as décadas que se seguiram, o método de vacinação de Edward substituiu gradualmente a variolação. Graças a esta descoberta e aos desenvolvimentos subsequentes nos anos seguintes, a varíola começou a desaparecer. Em 1980, quase 200 anos depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a sua erradicação.

A inovação de Edward Jenner abriu caminho para vacinas que atualmente previnem a propagação de uma variedade de doenças, incluindo gripe, sarampo, poliomielite, raiva, tétano, febre tifoide, febre amarela e cancro do colo do útero.

Funcionamento das vacinas
O sistema imunitário do nosso corpo foi projetado para procurar e destruir patógenos invasores – mas nem sempre é fácil, e os patógenos conseguem ser inteligentes. Por exemplo, o vírus influenza, quando entra no nosso corpo, disfarça-se e começa a replicar-se antes que o sistema imunitário consiga perceber que o vírus está lá. As vacinas dão ao sistema imunitário uma vantagem nesta luta, ensinando-o a reconhecer rapidamente um patógeno.

Existem vários tipos diferentes de vacinas, mas basicamente servem todas para introduzir um germe, ou parte de um germe, no nosso corpo, de uma forma que não nos faça adoecer – embora possa causar sintomas mais ligeiros, como febre, à medida que o corpo cria imunidade. Algumas vacinas usam o patógeno completo, mas num estado morto ou enfraquecido; outras usam apenas as partes do organismo que alertam o sistema imunitário; há vacinas que usam uma toxina produzida pelo germe e outras que dependem do material genético do patógeno.

Quando somos vacinados, o germe envia um alerta ao nosso sistema imunitário para que este comece a produzir anticorpos para o combater. Assim que o sistema imunitário consegue derrotar o patógeno, fica a saber como o destruir rapidamente. Quando somos expostos à vertente real, o corpo reconhece o problema e pode combater a infeção antes de esta começar.

Por vezes, a imunidade de uma vacina consegue durar anos, ou até ao resto da nossa vida, mas outras vacinas exigem reforços em intervalos regulares. Todos os adultos e crianças devem ser vacinados anualmente contra a gripe, para prevenir uma infeção contra as estirpes virais que provavelmente serão comuns nessa época gripal.

A desinformação, juntamente com o aumento da desconfiança na ciência e nas autoridades governamentais, estimularam um movimento anti-vacinas entre as pessoas que questionam a segurança das mesmas. No entanto, as vacinas continuam a ser fundamentais para manter afastadas doenças perigosas como o sarampo e a poliomielite. A OMS estima que as vacinas salvam entre 2 a 3 milhões de vidas todos os anos.

E muitas pessoas depositam agora todas as suas esperanças numa vacina que faça o mesmo com o novo coronavírus. Mas ainda é demasiado cedo para se saber quando é que isso vai acontecer – ou que tipo de vacina será mais eficaz contra a doença que se continua a propagar pelo mundo inteiro.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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