Lusovenator Santosi: Paleontólogos Descobrem Nova Espécie do Jurássico Superior de Portugal

Paleontólogos portugueses envolvidos na descoberta do caçador da Lusitânia. O Lusovenator santosi recua 20 milhões de anos no registo conhecido da presença dos carcharodontossáurios.

Thursday, August 27, 2020,
Por National Geographic
Lusovenator santosi

Interpretação do aspeto em vida de Lusovenator santosi.

Fotografia de Carlos de Miguel Chaves

A nova espécie, apresentada recentemente, pertence ao grupo dos carcharodontossáurios, os dinossáurios carnívoros, dos maiores predadores do planeta Terra. Este grupo está bem representado no Cretácico Inferior da Europa há, aproximadamente, 130 milhões de anos, por espécies de porte médio.

As formas de maior tamanho são abundantes no final do Cretácico, há cerca de 100 milhões de anos, em diferentes áreas do hemisfério sul, como é o caso do Carcharodontosaurus na Tanzânia, ou do Giganotosaurus na Argentina.

Na Península Ibérica, o grupo dos carcharodontossáurios estava apenas representado pela espécie Concavenator corcovatus, identificada na jazida de Las Hoyas, em Cuenca, Espanha.


A descoberta do Lusovenator santosi, que envolveu uma equipa de paleontólogos portugueses e espanhóis, revela que estes dinossáurios carnívoros estavam presentes no hemisfério norte, 20 milhões de anos antes do que indicam os últimos registos conhecidos.

O Jurássico Superior Português constitui importante espólio de fósseis na Europa
Com o resultado da investigação, reforça-se a posição da Península Ibérica como uma região fundamental para compreender o processo de dispersão dos carcharodontossáurios no hemisfério norte, durante o final do Jurássico, milhões de anos antes destes se tornarem os maiores predadores terrestres no hemisfério sul, no final do Cretácico.

Com esta nova espécie, amplia-se a diversidade de dinossáurios terópodes conhecidos no Jurássico Superior português, que constitui um dos melhores registos de fósseis, para este intervalo de tempo, em toda a Europa.

A fauna de terópodes do Jurássico Superior de Portugal está composta, maioritariamente, por formas aparentadas com espécies contemporâneas, conhecidas da Formação de Morrison, na América do Norte, como é o caso do Ceratosaurus, do Torvosaurus e do Allosaurus. No entanto, não são conhecidos carcharosontossáurios na América do Norte até ao Cretácico Inferior. Mas tal, é possível explicar-se devido à existência de uma barreira geográfica no Jurássico Superior e o posterior estabelecimento de uma rota de dispersão entre as terras, emersas de ambos lados do proto Atlântico Norte, no final do referido período.

O caçador da Lusitânia surge na faixa costeira oeste de Portugal
O estudo foi liderado por Elisabete Malafaia, investigadora do Instituto Dom Luiz (IDL) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, contando com a colaboração de paleontólogos ligados ao mesmo instituto, como é o caso do investigador Pedro Mocho.

No seu desenvolvimento, contou também com o Grupo de Biologia Evolutiva da UNED, em Madrid, com a Sociedade de História Natural, em Torres Vedras, com os investigadores Fernando Escaso Santos e Francisco Ortega Coloma, assim como, com o Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, na Califórnia.

Denominado genericamente de Lusovenator, que significa “caçador da Lusitânia”, tem o acréscimo específico de Santosi, em homenagem a José Joaquim dos Santos que, durante mais de 30 anos, descobriu um grande número de jazidas com dinossáurios na faixa costeira do oeste de Portugal, através da colaboração com grupos de investigação da região.

O Lusovenator santosi foi identificado a partir de restos recolhidos nas duas últimas décadas, nas jazidas das praias de Valmitão, na Lourinhã, e de Cambelas, em Torres Vedras.

Coleção do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica em Torres Vedras
A coleção de fósseis, descoberta por José Joaquim dos Santos, um aficionado da paleontologia, pertence à Câmara Municipal de Torres Vedras e é gerida pela Sociedade de História Natural da mesma cidade.

Esta coleção é uma herança de extrema importância para o conhecimento das faunas de vertebrados do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica. Tal permitiu a descrição de diversas novas espécies de dinossáurios, tais como o saurópode Oceanotitan dantasi, o ornitópode Eousdryosaurus nanohallucis e a tartaruga Hylaeochelys kappa.

Continuar a Ler