Portugueses Podem Ajudar a Encontrar Espécies Marinhas

O projeto NEMA envolve a comunidade científica e a sociedade em geral no estudo de espécies não-nativas no Algarve. A iniciativa pretende contribuir para a informação do público sobre a biologia e distribuição destas espécies.

Publicado 10/09/2020, 11:12 WEST, Atualizado 5/11/2020, 05:59 WET
O projeto NEMA pretende compreender melhor a distribuição de espécies pouco conhecidas na costa algarvia através do ...

O projeto NEMA pretende compreender melhor a distribuição de espécies pouco conhecidas na costa algarvia através do contributo dos cidadãos.

Fotografia de Enric Sala/National Geographic Creative

O projeto NEMA – Novas Espécies Marinhas do Algarve é uma iniciativa de ciência cidadã que procura aumentar os conhecimentos científicos, relativamente a estas espécies marinhas não-nativas, existentes nas zonas costeiras e estuarinas do sul de Portugal.

O NEMA foi lançado no início do ano de 2019 pelo Ecology and Restoration of Riverine, Estuarine and Coastal Habitats – ECOREACH, um grupo de investigação do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve. A iniciativa procura, com a ajuda da comunidade, compreender melhor a distribuição das espécies ainda pouco conhecidas no Algarve. Assim, qualquer cidadão que aviste ou pesque alguma espécie na zona que considere fora do comum, pode enviar uma fotografia, a localização, data de observação, método de observação e/ou captura e a escala da mesma.


Das invasoras às subtropicais
Interessam, no âmbito do projeto NEMA, o estudo de três grupos de espécies: as invasoras, como o caranguejo azul ou a corvinata real; as subtropicais, como o peixe verde ou o verme de fogo e; outras, identificadas como mais estranhas ou pouco comuns, como é o caso do peixe-balão.

Entre as espécies procuradas encontram-se ainda a veja, o roncadores, a garoupa pintada e a garoupa de rolo. Também se espera por bicudas, riscado, cirurgião, rascasso da Madeira e camarão mantis.

A presença de espécies não-nativas em território português já não é novidade, sendo muitas delas introduzidas na natureza pelos humanos. Outro motivo que impulsiona este fenómeno parece relacionar-se com as alterações climáticas, provocando a circulação de espécies em diferentes habitats.

Com o projeto NEMA pretende-se ainda centralizar e organizar registos dispersos de espécies de estudo pouco aprofundado, contribuindo ao mesmo tempo para informar o público em geral sobre a sua biologia, distribuição e possíveis cuidados a ter em conta.

O projeto NEMA assenta em três pilares principais:
- Estudo e monitorização das espécies não-nativas do Algarve, com recurso a métodos científicos de monitorização regular;
- Integração de informação submetida por voluntários;
- Avaliação dos impactos destas novas espécies, a nível ambiental, no comércio e na economia.

A colaboração entre a comunidade científica e a sociedade é benéfica e existiu desde sempre. Esta em específico não tem, necessariamente, que se restringir a acordos de cooperação ou projetos específicos. Até ao momento, o projeto NEMA conta já com mais de 350 observações.

Foram já identificadas 39 espécies diferentes, com o apoio de 32 observadores. É possível verificar as participações registadas na plataforma da BioDiversity4All e, para conseguir colaborar e submeter as suas observações, basta seguir as instruções disponíveis.

O que precisa para integrar a base de dados do NEMA
Fotografia –
é essencial para que a equipa do projeto NEMA possa identificar a espécie corretamente. A qualidade da mesma não é importante, mas deverá incluir o organismo completo.
Localização – deve ser o mais exata possível. Não é necessário enviar as coordenadas GPS, mas se as puder incluir, melhor. Deve ser indicada em que zona foi encontrada ou a que distância de alguma estrutura de referência. Em mar aberto é necessária pelo menos a distância aproximada da terra.
Data de observação – a data em que a espécie foi observada pode ser diferente da data em que a informação é enviada. Uma vantagem desta abordagem é também ser possível recolher registos passados, reconstruindo assim o processo de chegada de algumas espécies.
Método – em que circunstância se encontrou a espécie: se já se encontrava morta, se foi apenas fotografada ou se foi capturada, incluindo o respetivo método de captura.
Escala – se possível, deve incluir-se algum tipo de objeto na fotografia junto ao organismo, de modo a funcionar como escala e possibilitar uma estimativa do seu tamanho. De preferência um objeto que seja possível saber o seu tamanho exato, como uma moeda, uma tampa de garrafa, um telemóvel ou uma fita métrica.

Quaisquer outros dados adicionais, como a profundidade onde se encontrava, a temperatura da água ou qualquer comportamento da espécie observado no momento, são informações extra e de grande valor.

O reconhecimento dos observadores e participantes
Os registos e as informações esporádicas podem também, quando devidamente recolhidos e tratados, ser de elevada importância para o avanço do conhecimento científico e estão, por isso, à disposição de qualquer pessoa que tenha curiosidade e interesse em participar no projeto.

A contribuição de cada participante é reconhecida e valorizada. Cada observação fica sempre associada ao nome de quem realizou o registo e regularmente é partilhada nas redes sociais do projeto, dando o merecido crédito ao autor da descoberta. O anonimato também está disponível a quem assim o desejar.

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