Ovos dos Últimos Dinossauros da Europa Descobertos por Equipa Ibérica

Os ovos dos últimos dinossauros foram descobertos numa jazida com 68 milhões de anos, perto dos Pirenéus. Investigadores acreditam tratar-se de dinossauros que podem chegar aos 25 metros de comprimento.

Publicado 30/11/2020, 14:30
ovo de dinossauro

Um dos ovos de dinossauro descobertos, ainda na rocha.

Fotografia de Carmen Núñez-Lahuerta

No contexto de um projeto de investigação sobre a reprodução de dinossauros, uma equipa de investigadores portugueses e espanhóis identificou até ao momento quarenta ovos de dinossauros e garante que existem mais de uma centena no mesmo local.

Os achados, identificados como os ovos dos últimos dinossauros, são esféricos e têm cerca de 20 centímetros de diâmetro, apresentando um estado excecional de conservação. Encontravam-se agrupados, sugerindo a existência de vários ninhos.

A escavação foi realizada perto dos Pirenéus, mais propriamente na região de Aragón, no município de Loarre, uma zona que detém um dos castelos mais antigos e melhor preservados do sul da Europa: o Castelo de Loarre. A jazida onde ocorreu a descoberta arqueológica tem 68 milhões de anos e encontra-se nas montanhas atrás do castelo, a uma altitude de 1400 metros acima do nível do mar. Este local preserva uma grande área de nidificação de dinossauros.

Numa análise preliminar, os investigadores avançam que os ovos pertencem aos dinossauros saurópodes titanossauros, herbívoros quadrúpedes com causas e pescoços longos, que podiam alcançar os 25 metros de comprimento.

Os primeiros embriões de dinossauros?

A jazida principal tem 25 por 40 metros de extensão e foi identificada pela primeira vez no final do ano de 2019 pelo paleontólogo José Manuel Gasca, durante uma sessão de treino de corrida todo o terreno.

Os ovos dos últimos dinossauros pertencem ao final do período Cretáceo e de acordo com o investigador Miguel Moreno-Azanza foram “retirados 40 ovos, mas com a certeza de existirem mais de 100 ovos”.

O primeiro ovo de dinossauro de saurópode titanossauro extraído.

Fotografia de Carmen Núñez-Lahuerta

O especialista em Paleontologia e Biomineralização avança que a equipa descobriu “ovos e cascas de ovo do mesmo nível geológico a dois quilómetros a este da jazida principal e a 8 quilómetros foi identificada uma nova jazida", ainda sem confirmação de pertencer ao mesmo período. Miguel Moreno-Azanza afirma que "não se pode descartar a hipótese de existir um nível de ovos com uma extensão de 10 quilómetros” nessa nova jazida. Sabe-se que jazidas semelhantes podem ser encontradas no sul de França e na Catalunha.

Segundo o investigador, esta é uma descoberta com múltiplos motivos de importância para o campo da paleontologia. Primeiramente, "confirma a presença de dinossauros numa área onde ainda não existia certeza da presença dos seus fósseis", uma descoberta que abriu novos caminhos para a procura de ovos, ossos e pegadas.

Por outro lado, os trabalhos ajudaram a confirmar a idade cretácica das rochas onde ocorreu a escavação, compreendendo quando os Pirenéus se começaram a formar, visto que os ovos foram depositados muito perto do mar, e agora estão bem mais elevados.

Por fim, veio ajudar a desmistificar a forma como os dinossauros saurópodes faziam os seus ninhos - se eram ninhos pequenos com 10 a 12 ovos ou se ninhos maiores com cerca de 30 ovos - um debate que existe entre duas equipas de investigação, uma alemã e outra da Catalunha.

Devido ao bom estado de conservação dos ovos, a equipa de investigadores espera encontrar embriões nos mesmos. Se isso for alcançado, será a primeira vez que se encontra embriões dos ovos dos últimos dinossauros na Europa.

Uma poderosa descoberta

Miguel Moreno-Azanza revela que “os achados estão a ficar temporariamente no Museu de Ciências Naturais da Universidade de Zaragoza”, existindo a pretensão de se construir “uma sede do museu o mais perto possível do local desta descoberta”. Neste momento, está a ser criado um laboratório no local para a preparação dos ovos em direto para que o público possa assistir e conhecer o ambiente em que os dinossauros saurópodes construíam os seus ninhos.

A investigadora Carmen Núñez-Lahuerta, com um martelo pneumático - a ferramenta mais utilizada na escavação.

Fotografia de Julia Galán

De acordo com o paleontólogo, estão também a ser feitos estudos “sobre a geoquímica e a mineralogia da casca de ovo, para tentar extrair informação sob a fisiologia da mãe (como a sua temperatura corporal, dieta e patologias) e do embrião". A equipa está a tentar apurar se as crias podiam viver sozinhas após o nascimento ou se necessitavam de cuidados da progenitora.

No próximo ano os paleontólogos voltarão à jazida, visto ser maior do que inicialmente se calculava e por ainda conter outros ovos que precisam de ser extraídos.

A equipa que encontrou os ovos dos últimos dinossauros

José Manuel Gasca é o paleontólogo espanhol que localizou a área da investigação. Com ele colabora a equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA (FCT NOVA), onde trabalham Octávio Mateus e Miguel Moreno-Azanza, dois dos maiores especialistas em ovos de dinossauros da Europa.

Octávio Mateus é líder da equipa de investigação de vertebrados da FCT NOVA e investigador da área há mais de trinta anos. Este trabalho ajuda a completar os estudos sobre a reprodução dos dinossauros que decorrem na FCT NOVA, uma vez que em Portugal nunca foram descobertos ovos de titanossauros.

O projeto de investigação é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal e conta também com a participação de investigadores do Museu da Lourinhã e do Grupo Aragosaurus da Universidade de Saragoça.

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