Radiotelescópio Icónico Sofre Colapso Catastrófico

A plataforma suspensa de equipamento do Observatório de Arecibo caiu dezenas de metros e chocou contra a enorme antena parabólica.

Publicado 3/12/2020, 14:17
Esta vista aérea mostra os danos no Observatório de Arecibo depois de a sua plataforma de ...

Esta vista aérea mostra os danos no Observatório de Arecibo depois de a sua plataforma de 900 toneladas se ter soltado, batido numa rocha e caído sobre a antena parabólica.

Fotografia de Ricardo Arduengo, Getty Images

A plataforma suspensa do Observatório de Arecibo colapsou pouco antes das 8 horas da manhã, hora local, no dia 1 de dezembro, caindo de uma altura de mais de 45 metros e colidindo com a enorme antena parabólica do telescópio – um final catastrófico que tanto cientistas como engenheiros temiam estar iminente depois de vários cabos que sustentavam a plataforma se terem inesperadamente partido nos últimos meses. De acordo com a equipa do observatório em Porto Rico, ninguém ficou ferido quando a plataforma de 900 toneladas perdeu a sua batalha contra a gravidade.

O telescópio ficou destruído, embora a extensão total dos danos nas instalações vizinhas ainda não tenha sido avaliada. As fotografias aéreas mostram que a plataforma provavelmente fez um movimento pendular contra uma rocha. Partes da plataforma, incluindo uma enorme cúpula que abrigava um sistema refletor complexo, partiram-se perto do centro da antena parabólica. As fotografias captadas ao nível do solo revelam que os topos das três torres de sustentação da plataforma também desmoronaram. As pessoas nas proximidades disseram que, conforme a plataforma descia, parecia uma avalanche, um comboio ou um sismo.

“Podemos confirmar que a plataforma caiu e que não há relatos de quaisquer ferimentos. Vamos divulgar mais detalhes assim que forem confirmados”, diz Robert Margutta, da Fundação Nacional de ciência (NSF), o órgão responsável pelas instalações.

O icónico telescópio estava num estado precário desde agosto, quando um cabo auxiliar de suporte da plataforma cedeu e caiu na antena parabólica, deixando um rasgo de 30 metros de comprimento nos painéis refletores. A situação agravou-se no início de novembro, quando um dos cabos principais de sustentação da plataforma também cedeu, deixando o telescópio à beira de um colapso catastrófico. As inspeções revelaram que outros cabos também apresentavam sinais de desgaste e, nas últimas semanas, os engenheiros detetaram cabos enfraquecidos e outros sinais de perigo iminente.

No dia 19 de novembro, a NSF anunciou que tinha decidido desativar o telescópio e que ia procurar opções para uma demolição controlada da estrutura. Esta decisão surgiu depois de empresas de engenharia terem avaliado a estrutura e previsto que, caso não fosse reparada, a plataforma entraria em colapso num futuro próximo.

Dado o perigo iminente de colapso, as autoridades determinaram que era demasiado arriscado enviar trabalhadores para a plataforma, ou para as torres de sustentação, para tentar efetuar trabalhos de reparação.

“Se estivermos preocupados com o seu colapso, ninguém deve subir ou estar no observatório quando isso acontecer”, disse na altura à National Geographic o ex-diretor do observatório, Michael Nolan, que agora trabalha na Universidade do Arizona.

“Dado que fui inspirado pelo observatório quando era criança para alcançar as estrelas, isto é devastador e de partir o coração. Eu sou testemunha de como o observatório ainda continua a inspirar a minha ilha”, disse Edgard Rivera-Valentin, cientista planetário do Instituto Lunar e Planetário. Após o colapso do observatório, Edgard fez uma publicação no Twitter onde dizia estar “com o coração despedaçado, triste, de luto e em lágrimas”.

A decisão da NSF em desativar o telescópio não impediu cientistas e porto-riquenhos, para quem o telescópio tem um valor científico e cultural, de se unirem em campanhas de apoio ao observatório. Durante décadas, o observatório foi uma fonte de orgulho e inspiração para a ilha, e serviu como um recurso crucial para as comunidades locais durante os desastres naturais. Agora, o telescópio em ruínas deixa uma enorme e perigosa pilha de detritos para limpar – e, quiçá, um local onde se pode reconstruir.

Anne Virkki, que lidera a equipa de radar planetário do observatório, escreve por email: “Precisamos de começar a fazer uma campanha para começar já a reconstruir.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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