Amêijoa asiática elimina resíduos de azeite no ecossistema

O Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, da Universidade de Aveiro, avança informação sobre a capacidade de a amêijoa asiática remover resíduos do azeite.

Por National Geographic
Publicado 2/03/2021, 16:57
Amêijoa asiática

Foi descoberto recentemente que a amêijoa asiática tem propriedade que proporcionam a remoção de metais e compostos orgânicos recalcitrantes de azeite.

Fotografia por Joël Sartore, National Geographic Photo Ark

Uma equipa de investigadores portugueses avança que a amêijoa asiática (Corbicula flumínea) tem a capacidade de remover metais e compostos orgânicos recalcitrantes, como os que se encontram nos efluentes da produção do azeite.

Apesar de estarem classificadas como invasoras, que estão a destruir gradualmente os ecossistemas ribeirinhos nacionais, as amêijoas asiáticas conseguem ajudar a despoluir águas contaminadas pela produção do aceite. Com a capacidade de remover os compostos não biodegradáveis ou de difícil biodegradação, as amêijoas asiáticas apresentam-se como uma espécie capaz de taxas de filtração elevadas e são tolerantes a condições ambientais adversas, como as que decorrem da contaminação.

Os investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro afirmam que a amêijoa asiática pode ser utilizada em vários cenários, em que se verifique que há uma matriz aquática a tratar e onde seja necessário remover contaminantes compatíveis com a tolerância e capacidade de processamento da amêijoa asiática.

Da gastronomia para os reservatórios de água

A amêijoa asiática surgiu, em Portugal, na década de 1980. Trata-se de um bivalve apreciado na gastronomia ou utilizado como isco na atividade de pesca. Como inconveniente tem a rapidez com que se espalha, tornando-se uma praga. Entre a destruição de ecossistemas que provoca, aniquila o mexilhão de água doce.

A quantidade média de efluentes provenientes da indústria do azeite pelos países mediterrâneos, em que se incluem a Espanha, Itália, Portugal e Grécia, equivale a cerca de 30 milhões de toneladas. O impacto ambiental de um metro cúbico desses efluentes equivale ao impacto de 200 metros cúbicos de efluentes domésticos.

Uma solução económica e sustentável

É essencial que novas soluções de tratamentos eficazes, económicos e ambientalmente sustentáveis, continuem a ser desenvolvidos. As amêijoas asiáticas conseguem remover matéria orgânica no geral, bactérias e vírus potencialmente patogénicos, caso sejam integradas em determinadas fases dos processos de tratamento de água.

Desta forma, a amêijoa asiática surge como uma solução biológica que poderá substituir a utilização de um ou mais químicos do sistema de tratamento ou, pelo menos, diminuir as dosagens destes, trazendo várias vantagens a nível económico e ambiental.

Por termos à disposição este molusco asiático na remediação de águas residuais de moinhos de azeite, estima-se a rentabilização dos químicos habituais no tratamento das águas, o que vais vai permitir financiar programas de erradicação de amêijoas asiáticas em ecossistemas ribeirinhos.

A biorremediação de águas residuárias é potencializada pela amêijoa asiática

O estudo, publicado recentemente na revista Journal of Cleaner Production, incide também sobre a possibilidade de a amêijoa asiática poder ser usada em estações de tratamento de águas residuais, na purificação de piscinas ou praias fluviais.

A carga química gerada pela utilização da amêijoa asiática nos moinhos de azeite, reduziu o período de filtração em sete dias. Este é um indício de que a biorremediação tem surgido como um tratamento de efluentes bem-sucedido no que respeita a eventos de contaminação.

O objetivo do estudo passou por explorar o potencial da amêijoa asiática como um agente de biorremediação. A interferência deste molusco pode ser sugerida especialmente com relação às suas proteínas e grupos fosfato. Os tecidos moles e as conchas apresentam-se como recipientes adequados para os contaminantes do azeite.

Entre a equipa de investigadores encontra-se Ana Domingues, Inês Correia Rosa, João Pinto da Costa, Teresa Rocha-Santos, Fernando GonçalvesRuth Pereira e Joana Pereira, numa parceria que ocorre entre o CESAM, da Universidade de Aveiro, e a Universidade do Porto.

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