Biodiversidade está a ser registada no campus FCUL

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa desenvolveu um projeto em prol da biodiversidade do campus, que conta já com mais de 1.500 observações e mais de 470 identificações de espécies.

Publicado 12/04/2021, 16:56 , Atualizado 12/04/2021, 19:20
A comunidade da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e quem viva ou trabalhe perto, pode contribuir ...

A comunidade da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e quem viva ou trabalhe perto, pode contribuir com registos de espécies nesta zona.

Fotografia de projeto +Biodiversidade @CIÊNCIAS

A propósito do projeto “+Biodiversity @CIÊNCIAS: Mobilizar a comunidade de CIÊNCIAS para a promoção da sustentabilidade no Campus”, ancorado na plataforma BioDiversity4All, professores, alunos, investigadores e cidadãos naturalistas, estão a criar um mapa das espécies observadas na zona do campus da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

A iniciativa é coordenada por dois investigadores da FCUL e visa registar toda a biodiversidade na zona. Até ao último registo, contabilizavam-se mais de 1.500 observações, correspondendo a mais de 470 espécies.

O projeto propõe aplicar o conceito de sustentabilidade nos espaços verdes da FCUL e caracterizar e monitorizar a sua biodiversidade ao longo do tempo. Para tal, pretende recorrer a equipamentos de monitorização e à ciência cidadã; a levantamentos da biodiversidade, florística e faunística, usando metodologias tradicionais nas quais se incluem a armadilhagem de insetos, que tem como objetivo determinar a diversidade de espécies deste grupo taxonómico no campus.

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O projeto de ciência cidadã

As estatísticas já registadas indicam a presença de 229 espécies de plantas, 93 espécies de fungos, 63 espécies de insetos e 37 espécies de aves. Em menor expressão foram observados anfíbios, répteis, mamíferos, moluscos, entre outros, num total de 2.443 identificações.

Entende-se como natural que o destaque de espécies registadas vá para as plantas, uma vez que são os grupos mais fáceis de fotografar. Já o número de espécies de fungos foi uma surpresa, no entanto, os esforços de comunicação lançados sobre estes parecem ter relação com o número de registos observados.

O campus da FCUL tem revelado uma biodiversidade imensa.

Fotografia de projeto +Biodiversidade @CIÊNCIAS

O projeto de ciência cidadã, surge em resposta à primeira edição do Concurso de Ideias para a Sustentabilidade, lançado pela FCUL no ano de 2020. O seu intuito é identificar e promover iniciativas que contribuam para a sustentabilidade no campus da FCUL, cujas propostas podem incluir, entre outros, temas como:
- Utilização eficiente de energia e/ou água no campus da FCUL;
- Geração e/ou utilização de energia;
- Redução da produção de resíduos;
- Redução da pegada ecológica de processos;
- Criação de medidas que visem um maior bem-estar das comunidades;
- Utilização de produtos locais;
- Redução do impacto da FCUL na cidade de Lisboa.

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A iniciativa transpõe os espaços da FCUL

Sergio Chozas e Patrícia Tiago, investigadores do cE3c Ciências ULisboa (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais), são os coordenadores da equipa do projeto. Desde setembro de 2020, lançaram o desafio a todos os interessados dentro e fora da FCUL, abrangendo também os espaços contíguos de Lisboa, uma vez que o campus se integra de forma orgânica na área envolvente.

Neste sentido, a área de amostragem do projeto é alargada até aos limites mais óbvios, numa área de cerca de 160 hectares, sendo que cada um deles corresponde aproximadamente à dimensão de um campo de futebol.

Segundo Sergio Chozas e Patrícia Tiago, “a biodiversidade está atualmente sob grande pressão e são muitas as espécies que se extinguem a uma velocidade sem precedentes, ao mesmo tempo que espécies invasoras ocupam cada vez mais novos habitats. As cidades podem apresentar uma importante riqueza em biodiversidade e manter o funcionamento de ecossistemas urbanos pode melhorar significativamente a saúde e o bem-estar humanos. Os serviços dos ecossistemas urbanos e a biodiversidade podem ajudar a contribuir para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas e devem ser integrados com as políticas e planeamento urbano. As cidades oferecem, igualmente, oportunidades únicas para aprender e educar sobre um futuro resiliente e sustentável e têm, em si, um enorme potencial para gerar inovações e ferramentas de governança, podendo assumir um papel de liderança no desenvolvimento sustentável".

Acrescentaram ainda que "dentro do espaço urbano, as denominadas estruturas verdes assumem, hoje em dia, uma importância fundamental na qualidade de vida das populações. Ou seja, surgem como uma necessidade para o equilíbrio ecológico sustentável do meio urbano. Estes espaços incluem todas as áreas “plantáveis” da cidade como parques e jardins urbanos, ruas arborizadas, sebes, cemitérios, zonas agrícolas e florestas residuais, entre outras. É essencial que os cidadãos tenham consciência da importância da biodiversidade urbana e do seu valor, e o projeto +Biodiversidade @CIÊNCIAS tem esse mesmo objetivo”.

Uma das imagens recolhidas no campus da FCUL.

Fotografia de projeto +Biodiversidade @CIÊNCIAS

A conclusão da iniciativa está prevista ser feita até ao verão, estimando-se o registo de mais espécies de plantas, insetos e aves. Para além do trabalho no terreno propriamente dito, as observações são realizadas com recurso a drones, câmaras e microfones, registando imagens e sons. O registo de aves de inverno contou com a intervenção da especialista Ana Leal.

Relativamente à possibilidade de se encontrar plantas, insetos ou aves em riscos de extinção, Patrícia Tiago admite que “estando no meio da cidade de Lisboa não é de esperar que se registem espécies com elevado estatuto de ameaça. No entanto, a monitorização de espécies que são, neste momento, comuns não deixa de ser extremamente relevante até porque não sabemos como o número de indivíduos destas espécies vai evoluir, nas zonas urbanas, nos próximos anos. É também bastante relevante a monitorização de espécies exóticas como algumas aves que observamos hoje em dia nas cidades”.

Menção honrosa e prémio de 1000 euros

A iniciativa do Laboratório Vivo para a Sustentabilidade, venceu a 1.ª edição do Concurso de Ideias para a Sustentabilidade e, de dia para dia tem mais seguidores. Qualquer cidadão pode colaborar neste projeto, através de ações de monitorização, quer pela plataforma BioDiversity4All ou pela app iNaturalist/BioDiversity4All, disponível em Android e iOS.

Após arrecadar um prémio no valor de 1000 euros, este promete ser o início de um programa de monitorização, para acompanhar as variações da diversidade ao longo do tempo. Os investigadores preveem identificar as zonas com maior diversidade e promover atividades em prol da biodiversidade, tal como os serviços dos ecossistemas.

Para além do proposto, a equipa pretende ainda acompanhar de perto o projeto Tiny Forest, a criação de uma pequena floresta superdensa, que poderá influir na biodiversidade do campus. Na prática, o prémio vai permitir fabricar placas identificadoras das espécies arbóreas e arbustivas, comprar exemplares de árvores e arbustos e criar um site para disponibilizar a informação.

Esta distinção representa, por fim, o reconhecimento da FCUL, pela importância de adotar práticas sustentáveis na gestão do dia-a-dia do campus e de constituir um exemplo no âmbito da Universidade e da cidade de Lisboa.

Participação colaborativa online

O BioDiversity4All é uma plataforma online e de acesso livre, e qualquer cidadão pode contribuir com observações de animais, plantas, cogumelos ou qualquer outro ser vivo. A mesma conta já com mais de 9.300 utilizadores registados, 6.500 validadores e mais de 9.200 seguidores nas redes sociais.

No final de março, segundo Patrícia Tiago, “no projeto +Biodiversidade @CIÊNCIAS, lançado na plataforma, temos 1517 observações de espécies, realizadas na área de estudo por 56 observadores, validadas por 275 identificadores (utilizadores que ajudam na identificação) da comunidade iNaturalist e pertencentes a 471 espécies (51,4% de plantas e 20,6% de fungos)”.

A missão da BioDiversity4All é unir o maior número de pessoas em prol do conhecimento da biodiversidade. Para participar, os coordenadores do projeto incentivam à interação com especialistas e à colaboração com a comunidade científica através de projetos de investigação.

Os participantes podem criar o seu próprio caderno de campo online e, através do telemóvel, registar a biodiversidade. Podem ajudar cientistas e gestores ambientais a entender quando e onde os organismos ocorrem, ajudar a validar as observações de outros utilizadores e, ainda, organizar um evento de campo para registo de espécies.

O projeto foi um dos distinguidos com o primeiro lugar na primeira edição do concurso promovido pela FCUL e, em colaboração com o Núcleo de Estudantes de Biologia da Faculdade, compõe uma larga equipa.

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