Supercomputador Deucalion vai ajudar Portugal na investigação científica

O Centro de Computação Avançada do Minho (MACC), em Guimarães, receberá o supercomputador Deucalion, o segundo, que se junta ao mais antigo Bob.

Publicado 8/04/2021, 12:23 WEST
O supercomputador Deucalion: 7.7 PFlops fornecido pela Fujitsu.

O supercomputador Deucalion: 7.7 PFlops fornecido pela Fujitsu.

Fotografia de European High Performance Computing Joint Undertaking (EuroHPC JU)

Existe um novo membro na família portuguesa de supercomputadores. Num contrato celebrado com a Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho (EuroHPC), a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Fujitsu, o supercomputador Deucalion representa um investimento de mais de 20 milhões de euros nos próximos três anos. O Deucalion é um dos oito novos supercomputadores a serem acolhidos por países da União Europeia, e deverá entrar em funcionamento em 2022.

No entanto, o Deucalion não é o primeiro supercomputador do Minho Advanced Computing Center (MACC), nem de Portugal. A MACC, em Riba d’Ave, tem um outro supercomputador – de seu nome BOB – a operar desde 2019, tendo sido o primeiro supercomputador no país.

Super… porquê?

Os supercomputadores recebem esta designação devido às suas capacidades extraordinárias de computação. O supercomputador mais rápido do mundo, batizado Fugaku, e para o qual a Fujitsu forneceu a tecnologia, encontra-se no Japão, no Centro de Ciência da Computação de Kobe (RIKEN). O Deucalion pode não ser o mais rápido do mundo, mas usa a tecnologia ARM usada pelo Fugaku.

Mas o que faz deste supercomputador… super? O agregado computacional do Deucalion pesa ao todo 26 toneladas. Porém, além de super em tamanho, também é super em rapidez: o Deucalion tem uma capacidade máxima de processamento de 10 petaflops, o que se traduz na capacidade de executar dez milhões de biliões de cálculos por segundo. Esta capacidade é dez vezes maior do que a do BOB.

Super, de classe mundial, e verde!

E como se a extraordinária capacidade do Deucalion não fosse suficientemente impressionante, o que marca também é o seu modo de funcionamento. O Deucalion é um dos primeiros projetos europeus de supercomputação cuja operação se baseia em energias renováveis (eólica e solar) e num nível reduzido de emissões de carbono. As unidades que alimentarão o Deucalion estarão concentradas num espaço cedido pela Câmara Guimarães, com dimensão de 5000 metros quadrados.

Além da infraestrutura e operação sustentáveis, espera-se que o consumo energético deste supercomputador não exceda 1MW. Este projeto “verde” está alinhado com o Pacto Ecológico Europeu e pretende ser um exemplo para os supercomputadores e centros de computação do futuro, estabelecendo o caminho em direção à computação de alto desempenho verde.

O Deucalion terá ainda capacidade de armazenamento de, pelo menos, 10 petabytes, de sigla PB, cerca de 10 milhões de gigabytes (GB). Para referência, estes 10 petabytes seriam suficientes para guardar todos os filmes já alguma vez produzidos no mundo, em definição normal, e ainda sobraria espaço para grande parte das séries.

Aplicações transversais

E para que será o supercomputador Deucalion utilizado? A computação de alto desempenho está intimamente ligada com a área científica e de engenharia, em que é necessário executar simulações e modelações tão complicadas em termos computacionais, que mesmo um computador de topo de gama não conseguiria.

Segundo o EuroHPC, o Deucalion terá aplicação em inteligência artificial e em machine learning. Mas não só. De acordo com o MACC, o Deucalion terá capacidade para executar uma série de aplicações nas áreas de dinâmica de fluidos, dinâmica molecular, ciência de materiais, ou física de altas-energias.

A longo prazo, supercomputadores como o Deucalion têm o potencial de ajudar a desenvolver e evoluir a medicina e a bioengenharia, por exemplo, ao acelerar o diagnóstico e tratamento de doenças. Prevê-se ainda que a supercomputação venha a permitir a (mais fiel) antecipação de condições climatéricas, ou ainda a ajudar à luta contra as alterações climáticas, ao permitir previsões precisas.

Uma rede que se expande

Atualmente existem quatro Centros de Operação de Computação Avançada no país: o MACC, o Laboratório de Computação Avançada (LCA) em Coimbra, a Infraestrutura Nacional de Computação Distribuída (INCD) em Lisboa, e a infraestrutura ENGAGE SKA, em Évora, que é a interface da comunidade científica nacional para o futuro radiotelescópio SKA.

Espera-se que durante o primeiro semestre de 2021, sejam instalados em Portugal mais seis novos centros de competências de computação avançada.

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