Como é que a COVID-19 afeta o cérebro? A imagem emergente é preocupante.

Os investigadores estão a descobrir que as pessoas que sofreram apenas infeções ligeiras podem ser afetadas por problemas cognitivos debilitantes.

Por Emily Mullin
Publicado 20/08/2021, 12:05
O radiologista Arshid Azarine (à direita) realiza uma ressonância magnética com uma equipa médica no hospital ...

O radiologista Arshid Azarine (à direita) realiza uma ressonância magnética com uma equipa médica no hospital Paris Saint-Joseph, no dia 29 de outubro de 2020 em Paris, França. A França impôs outro confinamento nacional à medida que o número de casos de coronavírus disparava durante a segunda vaga. Os hospitais estão a chegar ao ponto de saturação e os casos urgentes de coronavírus estão a ser transferidos por todo o país.

Fotografia de Siegfried Modola, Getty Images

Hannah Davis contraiu COVID-19 em março de 2020, durante os primeiros dias da pandemia. Na época, esta nova-iorquina saudável de 32 anos era uma artista e cientista de dados que trabalhava por conta própria. Mas, ao contrário de muitas pessoas que contraem a doença, o primeiro sinal de infeção de Hannah não foi uma tosse seca ou febre. O seu primeiro sintoma foi não conseguir ler uma mensagem de texto de um amigo. Hannah pensou que estava apenas cansada, mas as tonturas que sentia não desapareceram depois de uma noite inteira de sono.

Outros problemas neurológicos começaram a surgir, como dores de cabeça súbitas e intensas. A sua capacidade de concentração diminuiu. Hannah não conseguia ver televisão ou jogar videojogos. As dificuldades de concentração afetavam as suas tarefas diárias, como cozinhar. Hannah deixava uma panela ao lume e só se lembrava quando sentia o cheiro a comida queimada. Ao atravessar a rua, Hannah já nem olhava para os dois lados da estrada, sendo quase atropelada. Nenhum destes problemas existia antes da COVID-19.

Hannah Davis está entre uma grande parte dos pacientes de COVID-19 – possivelmente até 30%, de acordo com uma estimativa dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA – que sofrem algum tipo de sintomas neurológicos ou psiquiátricos. Ainda mais preocupante é que, para muitos destes indivíduos, como Hannah, os problemas cognitivos podem persistir durante semanas ou meses após a infeção inicial.

No ano passado, dezenas de hospitais e sistemas de saúde por toda a América do Norte abriram clínicas pós-COVID para ajudar pacientes que tinham sido internados em unidades de cuidados intensivos (UCI) com casos graves de COVID-19. Contudo, à medida que a pandemia se arrasta, estas clínicas estão agora cheias de pessoas que nunca foram hospitalizadas, mas que sofrem de sintomas persistentes, incluindo “névoa cerebral” e outros problemas cognitivos.

“A expectativa era a de que todas estas pessoas nas UCI podiam ter períodos de recuperação realmente longos e prolongados”, diz Walter Koroshetz, diretor do Instituto Nacional de Doenças Neurológicas que faz parte dos NIH. “A grande surpresa são as pessoas que nunca precisaram de hospitalização e que estão a ter problemas persistentes.” Walter Koroshetz é um dos líderes de um estudo dos NIH que visa compreender porque é que alguns pacientes com COVID-19 recuperam mais depressa do que outros e descobrir as razões biológicas que fazem com que os problemas continuem a persistir durante meses.

A imagem de como é que a COVID-19 provoca estes problemas cognitivos está a começar a emergir. Mas ainda não se sabe quantas pessoas acabarão por recuperar e quantas ficarão com efeitos devastadores a longo prazo.

Passado um ano e meio, Hannah Davis só consegue trabalhar algumas horas por dia devido à névoa cerebral persistente, perda de memória de curto prazo e outros problemas cognitivos. Hannah consultou mais de uma dezena de médicos especialistas e foi diagnosticada com disautonomia pós-viral, um distúrbio do sistema nervoso que provoca tonturas, taquicardia e respiração acelerada quando uma pessoa se levanta de uma posição sentada ou deitada. Esta condição é por vezes tratada com fludrocortisona, um corticoide, ou midodrina, um medicamento para a pressão arterial.

“Nunca passei por nada parecido com isto na vida”, diz Hannah. “Parece que o nosso corpo se está a desfazer. Perdemos a noção de nós próprios.”

O Grande Teste de Inteligência Britânico

Antes do início da pandemia, o neurocientista cognitivo Adam Hampshire e os seus colegas no Imperial College de Londres estavam a planear uma sondagem a nível nacional chamada Grande Teste de Inteligência Britânico. O objetivo: compreender como é que a capacidade cognitiva varia entre a população e como fatores como a idade, o consumo de álcool ou ocupação podem afetar a cognição. O teste, que é anónimo e demora cerca de meia hora, envolve um questionário e exercícios para medir as capacidades de planeamento e raciocínio, memória de trabalho e capacidade de concentração.

Com a ajuda da BBC, a equipa lançou a sondagem em janeiro de 2020. À medida que a pandemia se começava a propagar no Reino Unido, Adam Hampshire e os seus colegas perceberam que tinham uma oportunidade única para recolher dados cognitivos tanto de pacientes com coronavírus como de pessoas saudáveis. Em maio de 2020, os investigadores atualizaram o teste para incluir perguntas sobre experiências com a COVID-19.

Entre os mais de 81.000 participantes que responderam ao questionário entre janeiro e dezembro de 2020, quase 13.000 relataram infeções por COVID-19 – variando de casos ligeiros a graves. Os resultados revelaram que estas pessoas tiveram problemas cognitivos em comparação com o grupo que não teve COVID-19.

“No pior extremo do espectro, as pessoas que foram hospitalizadas e estiveram ligadas a um ventilador apresentaram um desempenho cognitivo mais baixo”, diz Adam.

Estes indivíduos tiveram mais problemas com questões de raciocínio, resolução de problemas e planeamento espacial em comparação com as pessoas na mesma faixa etária e escolaridade que não tinham sido hospitalizadas com COVID-19. Esta diferença era semelhante ao declínio cognitivo médio observado ao longo de 10 anos de envelhecimento. As descobertas foram publicadas no The Lancet no dia 22 de julho.

O cérebro UCI

Embora as descobertas de Adam Hampshire pareçam surpreendentes, é bastante comum os pacientes internados nas UCI sofrerem de problemas cognitivos mais persistentes. Megan Hosey, psicóloga de reabilitação na Escola de Medicina Johns Hopkins, diz que cerca de um terço dos pacientes internados em UCI com insuficiência respiratória aguda apresentam sintomas semelhantes aos de lesão cerebral traumática.

Uma das razões deve-se ao facto de os pacientes serem geralmente sedados na UCI para reduzir a ansiedade e o desconforto, como o provocado pelos ventiladores mecânicos. Os sedativos diminuem a atividade cerebral e, nesse processo, podem provocar delírio, uma alteração repentina no estado mental que dá origem a confusão e desorientação. Os pacientes têm problemas de concentração ou podem não saber onde estão; uma condição que pode durar horas, dias ou até semanas.

“O que sabemos é que quanto mais tempo uma pessoa está num estado de delírio, pior será o seu resultado cognitivo a longo prazo”, diz Megan.

“Mas a sedação não explica todos os casos de problemas neurológicos e cognitivos nos pacientes com casos de COVID de longa duração.” Muitos dos pacientes com COVID-19 não precisam de ventilação e outros, como Hannah Davis, nunca chegam a ser hospitalizados.

Alguns dos pacientes com COVID-19 que foram hospitalizados têm problemas neurológicos e cognitivos tão graves que nem sequer podem participar nos exames de acompanhamento por telefone, diz Jennifer Frontera, especialista em cuidados neurológicos da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque.

Num estudo publicado no dia 15 de julho, Jennifer e os seus colegas rastrearam problemas neurológicos em pacientes hospitalizados com casos graves de COVID-19. Entre os 382 pacientes presentes no estudo, 50% relataram problemas cognitivos e capacidade reduzida para realizar atividades diárias, caminhar ou cuidarem de si próprios até seis meses após receberem alta hospitalar. Entre os que trabalhavam antes de serem hospitalizados, 47% não conseguiram regressar aos seus empregos passados seis meses.

Os investigadores também descobriram que um subconjunto dos 382 pacientes com COVID-19 que não tinham síndromes neurológicos anteriores tiveram derrames e convulsões enquanto estavam no hospital. Ao mesmo tempo, os indivíduos com histórico de problemas neurológicos tinham maior risco de desenvolver novos problemas enquanto estavam hospitalizados com COVID-19, diz Jennifer. Estas descobertas sublinham a quantidade de danos que a COVID-19 pode provocar no sistema nervoso, sobretudo em pessoas que desenvolvem casos graves de doença.

Efeitos inesperados

Na sondagem sobre cognição realizada no Reino Unido, parte das pessoas que tiveram casos confirmados de COVID-19, mas que não foram hospitalizadas, também apresentaram problemas cognitivos, embora não tão graves quanto o grupo hospitalizado. Outros estudos confirmam que as pessoas que têm casos “ligeiros” ou “moderados” de COVID-19 também podem ter problemas cognitivos persistentes com impactos profundos nas suas vidas diárias.

Hannah Davis e outros pacientes com casos semelhantes formaram o Coletivo de Investigação Gerido por Pacientes, um grupo de pacientes com casos de COVID-19 de longa duração que está a recolher dados sobre sintomas neurológicos e outros sintomas duradouros. Num artigo revisto por pares que foi publicado no dia 15 de julho, este grupo descobriu que, entre as quase 3.800 pessoas que sofreram de COVID de longa duração, 85% relataram casos de “névoa cerebral” – que os autores definem como falta de concentração, incapacidade de resolução de problemas, problemas no funcionamento executivo e tomada de decisão. Apenas uma pequena parte destas pessoas – 317 casos – foram hospitalizadas com casos graves de COVID-19.

Numa das referidas clínicas pós-COVID-19, no Hospital Northwestern Memorial em Chicago, os investigadores descobriram que muitos dos indivíduos com casos de COVID de longa duração nunca foram hospitalizados, mas apresentavam sintomas neurológicos com uma duração superior a seis semanas. Entre 100 pacientes, as manifestações neurológicas mais comuns eram névoa cerebral, dormência e sensação de formigueiro, que afetaram 81% e 60% dos pacientes, respetivamente, de acordo com um estudo publicado em março. Estes indivíduos também tiveram pior desempenho em tarefas cognitivas de atenção e memória de trabalho em comparação com pessoas da mesma idade que não tiveram COVID-19.

Sondar o cérebro

Outros vírus, como o vírus do Nilo Ocidental, Zika, herpes simples e o vírus que provoca a varicela, são conhecidos por infetarem diretamente o cérebro. No ano passado, quando os pacientes com COVID-19 começaram a relatar efeitos cognitivos e neurológicos secundários, os cientistas interrogaram-se se o SARS-CoV-2 podia fazer a mesma coisa.

Os investigadores começaram a analisar os cérebros de pessoas que faleceram de COVID-19 à procura de vestígios do vírus. Mas não é fácil ter acesso a tecido cerebral. São poucas as pessoas que doam os seus cérebros para investigação e os protocolos rígidos para o manuseio de tecido cerebral potencialmente infecioso tornam o seu estudo ainda mais difícil. Assim, estes estudos são pequenos e geralmente envolvem poucos pacientes.

Embora alguns estudos tenham detetado a presença do vírus nos neurónios e nas células glia de suporte, que mantêm os neurónios juntos como se fossem cola, os cientistas pensam agora que é pouco provável que o SARS-CoV-2 infete as células cerebrais, pelo menos em quantidades suficientes para provocar danos neurológicos. Se o vírus estiver presente, é provável que seja em quantidades demasiado reduzidas ou que fique contido nos vasos sanguíneos do cérebro.

Um estudo da Universidade de Colúmbia com 40 pessoas que morreram de COVID-19 não encontrou evidências de RNA viral ou proteínas nas amostras de células cerebrais de pacientes. Estes resultados foram publicados em abril na revista Brain. Os autores sugerem que os relatos anteriores de vírus detetados em células cerebrais podem dever-se a contaminação durante a autópsia.

“O facto de o SARS-CoV-2 poder estar a provocar estes efeitos cognitivos a longo prazo torna a questão um pouco invulgar”, diz Christopher Bartley, bolseiro de pós-doutoramento em imunopsiquiatria na Universidade da Califórnia, em São Francisco.

Mecanismos biológicos

Se o SARS-CoV-2 não infeta as células cerebrais, como é que é tão destrutivo para a cognição? Existem duas hipóteses em cima da mesa.

A primeira é a de que a infeção desencadeia de alguma forma uma inflamação no cérebro. Alguns pacientes com COVID-19 sofreram encefalite ou inchaço no cérebro, que pode provocar confusão e visão dupla e, nos casos mais graves, problemas na fala, audição ou visão. Se não forem tratados, os pacientes podem desenvolver problemas cognitivos. Alguns vírus, como o vírus do Nilo Ocidental e o Zika, podem causar encefalite ao infetarem diretamente as células cerebrais, mas ainda não se sabe como é que a COVID-19 pode levar à inflamação do cérebro.

A resposta imunitária descontrolada, conhecida por autoimunidade, pode ser responsável por alguns casos de inflamação no corpo inteiro, incluindo no cérebro. Quando o sistema imunitário está a lutar contra uma doença como a COVID-19, liberta anticorpos para lidar com a infeção. Mas o sistema imunitário de uma pessoa pode tornar-se hiperativo e, em vez disso, começa a produzir anticorpos que atacam o próprio corpo, conhecidos por autoanticorpos, que podem contribuir para a inflamação e coágulos sanguíneos. Estes autoanticorpos foram encontrados no líquido cefalorraquidiano de pacientes com COVID-19 que sofriam de sintomas neurológicos.

No estudo da Universidade de Colúmbia, os investigadores encontraram aglomerados de micróglia – células imunitárias especiais no cérebro cujo trabalho é destruir os neurónios danificados – que pareciam estar a atacar neurónios saudáveis. Este fenómeno chama-se neurofagia. A maioria destas células descontroladas estava no tronco cerebral, que regula o batimento cardíaco, a respiração e o sono. Os investigadores acreditam que estas micróglias podem ser ativadas por moléculas sinalizadoras chamadas citocinas inflamatórias, encontradas em pacientes com casos graves de COVID-19. Estas moléculas supostamente ajudam a regular o sistema imunitário, mas o corpo de algumas pessoas liberta demasiadas citocinas inflamatórias em resposta a uma infeção viral.

Quando os investigadores da Universidade Stanford analisaram o tecido cerebral de oito pacientes que morreram de COVID-19, também observaram sinais de inflamação em comparação com 14 cérebros de controlo. Usando uma técnica chamada sequenciamento de RNA de célula única, os investigadores descobriram que centenas de genes associados à inflamação tinham sido ativados nas células cerebrais de pacientes com COVID-19 – em comparação com os do grupo de controlo.

Os cientistas também observaram mudanças moleculares no córtex cerebral, a parte do cérebro envolvida na tomada de decisões e na memória, que sugeriam desequilíbrios de sinalização nos neurónios. Foram observados desequilíbrios semelhantes em pacientes com a doença de Alzheimer. Os resultados deste trabalho foram publicados em junho na revista Nature.

Uma segunda explicação para os problemas cognitivos assenta na ideia de que a COVID-19 pode restringir o fluxo sanguíneo para o cérebro e privá-lo de oxigénio. Em pacientes que morreram de COVID-19, os investigadores encontraram evidências de danos no tecido cerebral provocados por hipoxia ou falta de oxigénio.

“O cérebro é um órgão que requer muito oxigénio para fazer o seu trabalho”, diz Billie Schultz, psiquiatra da Mayo Clinic em Rochester, no Minnesota, que se especializou na reabilitação de pacientes de derrame e lesões cerebrais traumáticas antes de surgir a COVID-19.

Os outros sintomas que acompanham a síndrome pós-COVID-19 – dores, fadiga e falta de ar – também podem afetar negativamente a cognição, diz Billie Schultz. “Não se trata apenas de um problema cerebral; é um problema de vários sistemas do corpo que precisa de ser tratado.”

A próxima crise de saúde

Billie espera que muitas das pessoas que têm problemas cognitivos persistentes devido à COVID-19 acabem eventualmente por melhorar. Muitos pacientes com derrames cerebrais e lesões cerebrais traumáticas podem ter uma recuperação espontânea, na qual o cérebro fica curado em três a seis meses.

Mas outros especialistas receiam que os problemas cognitivos provocados pela COVID-19 possam levar à demência. Na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em julho, os cientistas apresentaram uma investigação que mostrava que os pacientes hospitalizados com COVID-19 tinham biomarcadores sanguíneos, neurodegeneração e inflamação semelhantes aos dos pacientes com a doença de Alzheimer. Esta investigação ainda não foi revista por pares.

Heather Snyder, vice-presidente de relações médicas e científicas da Associação de Alzheimer, adverte que estas descobertas não significam necessariamente que alguém que contrai COVID-19 tem mais probabilidades de desenvolver Alzheimer ou outro tipo de demência. “Ainda estamos a tentar compreender estas associações”, diz Heather.

Por enquanto, ainda não há tratamentos específicos para a névoa cerebral, perda de memória e outros efeitos cognitivos relacionados com a COVID. Os médicos estão a usar terapia cognitiva, ocupacional ou da fala e linguagem para tratar os sintomas. Muitos estudos, como o dos NIH, estão a tentar compreender os mecanismos subjacentes à disfunção cognitiva em pacientes com COVID de longa duração na esperança de identificar possíveis tratamentos.

“Nós e outros investigadores estamos a recolher dados de pacientes para perceber o que os ajudou, mas estamos longe de uma terapia definitiva”, diz Jennifer Frontera.

Só nos EUA, milhões de pessoas desenvolveram problemas cognitivos e neurológicos duradouros muito depois da infeção inicial por COVID-19. Alguns destes pacientes podem ficar permanentemente incapacitados e precisar de cuidados a longo prazo. “A minha preocupação é termos um grande número da população incapaz de funcionar na sua linha de base cognitiva. São pessoas que não conseguem regressar ao trabalho, ou pelo menos regressar ao que faziam antes”, diz Jennifer. “Nem sequer pensámos nas implicações a longo prazo. Pode ter um impacto enorme na economia.”

Hannah Davis diz que o mais assustador sobre os efeitos cognitivos da COVID-19 é o facto de pessoas de todas as idades e condições de saúde serem afetadas. “Isto é algo que pode acontecer a qualquer pessoa e é completamente debilitante.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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