Universidade de Évora estuda animais arrojados na costa alentejana

O projeto ARROJAL integra a rede nacional de arrojamentos e tem como ponto de partida a Universidade de Évora. Um dos seus objetivos é uma resposta mais rápida e eficaz às espécies que encalham na costa alentejana.

Publicado 13/08/2021, 12:23
Amostragem, por investigadora do projeto ARROJAL, de um golfinho-comum (Delphinus delphis) arrojado na costa a norte ...

Amostragem, por investigadora do projeto ARROJAL, de um golfinho-comum (Delphinus delphis) arrojado na costa a norte de Sines.

Fotografia de Francisco Neves

A Universidade de Évora lançou o projeto ARROJAL: Apoio à Rede Nacional de Arrojamentos – Rede Regional Alentejo, coordenado por investigadores do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade de Évora (CIEMAR) / MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente.

Este projeto resulta de um protocolo de colaboração entre a Universidade de Évora e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com financiamento do Fundo Ambiental. O seu objetivo é estabelecer uma rede regional de resposta a arrojamentos de cetáceos e tartarugas marinhas ao longo da costa alentejana, desde Troia a Odeceixe.

Desta forma, o projeto da Universidade de Évora integra a Rede Nacional de Arrojamentos que, por sua vez, está dividida em redes regionais (Norte, Centro, Alentejo e Algarve) coordenadas por diferentes entidades, com o intuito de uma resposta mais rápida e eficaz à ocorrência de mamíferos e répteis marinhos encalhados na costa portuguesa.

A recolha de informação sobre as espécies

É entendido como arrojamento todo o animal marinho, vivo ou morto, que seja encontrado encalhado na costa, sendo mais frequente acontecer com animais mortos. Ainda assim, a ocorrência de arrojamentos com animais vivos tem aumentado significativamente, uma vez que há também um maior envolvimento por parte de entidades e cidadãos no relato destas situações.

Com a equipa no terreno, o projeto prevê recolher informação de forma sistemática acerca das espécies de mamíferos e répteis marinhos arrojados na costa alentejana. Para além disso, as amostras biológicas e a avaliação das causas de mortalidade também vão contribuir para as coleções do banco nacional de tecidos de animais marinhos.

Observações externas e medições biométricas, efetuadas por investigadores do projeto ARROJAL, de um golfinho-comum (Delphinus delphis) juvenil recentemente encontrado na praia do Farol, perto de Vila Nova de Milfontes.

Fotografia de Francisco Neves

Em Portugal continental, os arrojamentos encontram-se documentados desde o século XII. No entanto, os registos destes eventos eram esporádicos e casuais.

O país tem vindo a desenvolver um contributo para o aumento dos conhecimentos da biologia geral, constituição anatómica, fisiologia, anatomia, patologia, exposição a poluentes, ecologia, distribuição de populações e migrações de várias espécies marinhas.

O projeto ARROJAL divide-se em quatro ações principais

Os objetivos estabelecidos pelos investigadores do projeto têm quatro ações principais.

Num primeiro momento, a equipa foca-se na resposta a arrojamentos de animais mortos, disponível 24 horas nos sete dias da semana. O comprometimento é com uma resposta pronta e eficaz, para além da operacionalização da recolha dos animais e do posterior processo de necropsia e determinação da causa da morte.

Uma segunda ação surge com o auxílio na resposta a arrojamentos de animais vivos, através de uma equipa com disponibilidade total, coordenada com as entidades competentes em situações de arrojamento destes animais.

Num terceiro foco, a ação remete para o suporte de atividades pedagógicas e científicas, e de gestão da informação. Ocorre a realização de atividades de divulgação científica e educação ambiental, com o intuito de aumentar e disseminar este conhecimento, incluindo o aumento da literacia dos oceanos. Para além disto, estão também previstos programas de voluntariado.

Uma quarta e última ação incide sobre a preparação e preservação de amostras no banco de tecidos. Neste momento concentra-se a recolha e o processamento de amostras biológicas, assim como, a preservação e manutenção das amostras do banco nacional de tecidos.

Primeiros impactos da equipa no terreno

A primeira resposta a um arrojamento morto de uma espécie, no âmbito do projeto, ocorreu em maio de 2021, e foi realizada com sucesso. Na chegada ao local, a equipa identificou a espécie e recolheu as respetivas amostras.

O animal recolhido encontrava-se no limite norte do concelho de Sines, junto à lagoa da Sancha, e foi identificado como sendo um golfinho-comum, já em avançado estado de decomposição.

As causas dos arrojamentos são muito variáveis, podendo ser de origem natural como uma doença, a presença de parasitas ou eventos climáticos, ou de origem antrópica, ou seja, provocada devido à poluição das águas, à colisão com embarcações ou interações com artes de pesca.

Colaboração e articulação de uma série de entidades

A equipa do projeto da Universidade de Évora em colaboração com o ICNF é coordenada pelos docentes João CastroTeresa Cruz e pelos investigadores David Jacinto e Teresa Silva. Os investigadores Margarida Rolim e Francisco Neves fecham o leque de cientistas envolvidos no projeto.

Para além das instalações do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade de Évora, em Sines, estão também a uso as instalações do Laboratório Monte do Paio, na Lagoa de Santo André, cedidas pelo ICNF. São ainda várias as entidades, desde capitanias, autarquias, autoridades marítimas e costeiras, associações de nadadores-salvadores, entre outras, com atuação na zona costeira entre Troia e Odeceixe que colaboram com o projeto ARROJAL.

Se detetar o arrojamento de um mamífero ou réptil marinho (vivo ou morto), na costa alentejana, poderá contactar a equipa do ARROJAL através do número +351 932 004 615. 

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