Deleite-se com pequenas maravilhas vistas ao microscópio

Estas imagens, homenageadas no concurso anual de fotografia Small World da Nikon, são lembretes das maravilhas coloridas invisíveis a olho nu.

Publicado 16/09/2021, 15:34
Nikon Small World 2021

NIKON SMALL WORLD 2021

Aprecie um peixe-palhaço a transformar-se de uma bola de células laranja até ao pequeno nadador nesta imagem de Daniel Knop, da Nature and Animal Publishing House, na Alemanha. O desenvolvimento deste peixe é rápido: o processo completo demora geralmente cerca de uma semana, desde a fertilização até ao nascimento.

Fotografia de Daniel Knop

Cor, textura e forma misturam-se sublimemente no mundo para além da minha janela. Vinhas salpicadas de verde crescem num emaranhado pontilhado pelo vermelho brilhante de tomates-cereja. Folhas caem no chão enquanto o vento sussurra através dos ramos das árvores. Mas, olhando para este cenário, sei que outro banquete visual está escondido à vista de todos: o mundo das coisas minúsculas.

Desde grãos de pólen pontiagudos a escamas douradas nas asas de uma borboleta, os pequenos detalhes são fáceis de ignorar. Assim, o Concurso de Fotomicrografia Small World da Nikon está aqui para nos lembrar da beleza diminuta. Agora no seu 47º ano, o concurso recebeu 1.900 inscrições de pessoas de 88 países, pessoas que tentam visualizar detalhes que muitas vezes são invisíveis a olho nu.

Esta competição da Nikon homenageia os rápidos avanços tecnológicos da fotomicrografia. As ferramentas e técnicas agora disponíveis evoluíram aos poucos desde que a dupla pai e filho, Hans e Zacharias Janssen, ambos fabricantes holandeses de óculos, criaram o primeiro microscópio em 1590. Esta descoberta abriu a exploração de um novo mundo – chegando a identificar a placa bacteriana nos dentes humanos, algo que Antony van Leeuwenhoek descreveu em 1683 como uma matéria branca “espessa como se fosse uma massa”.

As participações no concurso deste ano revelam detalhes extraordinários de algumas coisas surpreendentemente comuns, desde o brilho vibrante da areia com uma iluminação por trás até às antenas em forma de pluma no topo da cabeça de um mosquito. Todas as imagens vencedoras deste ano estão disponíveis no site da Nikon. E para este artigo, o editor de fotografia da National Geographic, Todd James, selecionou as imagens que mais captaram a sua imaginação entre todos os homenageados deste ano.

“Para mim, este concurso não se trata tanto de quem ganha, é mais um lembrete maravilhoso do quão miraculosa a natureza consegue ser em qualquer escala”, diz Todd.

Apesar de este mosquito parecer que foi fotografado em pleno voo, o infeliz inseto está na realidade congelado no tempo, envolto em resina de árvore há cerca de 40 milhões de anos. Este pequeno tesouro, aqui observado na imagem do fotógrafo Levon Biss, vem da região do Báltico, no norte da Europa, que possui o maior depósito de âmbar de que há conhecimento.

Fotografia de Levon Biss

O que aparenta ser uma criatura marinha ondulante é na verdade a coroa cortada da raiz de uma planta de milhete, aqui fotografada com uma ampliação de cinco vezes. Dylan Jones, da Universidade de Nottingham, criou esta imagem com um novo método revolucionário conhecido por tecnologia de ablação por laser, em que pulsos de laser são usados para vaporizar a superfície da raiz, expondo uma visão limpa das estruturas internas da planta para a fotografia.

Fotografia de Dylan Jones

Com uma ampliação de 20 vezes, a veia e as escamas da asa de uma borboleta Morpho didius começam a parecer-se com esculturas feitas em ouro e bronze. As estruturas finas gravadas nas escamas das asas interferem com a difração de luz, o  que confere às asas da borboleta um tom metálico. Captada pelo fotógrafo francês Sébastien Malo, esta imagem foi galardoada com o 10º lugar no concurso deste ano.

Fotografia de Sébastien Malo

Nesta imagem de Erick Francisco Mesén, um par de antenas em forma de pluma projetam-se da cabeça de um mosquito. Este enfeite ornamentado difere entre mosquitos macho e fêmea, talvez permitindo aos insetos sintonizar diferentes frequências de som. A função exata destas plumas é desconhecida, mas os cientistas especulam que plumas semelhantes em mosquitos macho – os seus parentes que sugam sangue – ajudam a localizar as fêmeas nas proximidades.

Fotografia de Dr. Erick Francisco Mesén

Nesta imagem captada pelo fotógrafo Guillermo López López, grãos de pólen amarelos parecem precariamente equilibrados sobre a ponta de uma antera de hibisco. A antera, mostrada aqui com uma ampliação de 10 vezes, produz e dispersa o pólen e faz parte do órgão reprodutor masculino da planta, o estame.

Fotografia de Guillermo López López

Nesta imagem captada pelo fotógrafo Douglas Moore, da Universidade de Wisconsin, uma ágata mineral parece arte abstrata quando ampliada 63 vezes. Este mineral vibrante forma-se a partir da cristalização de águas ricas em sílica à medida que estas se infiltram em cavidades rochosas, mais frequentemente em fluxos de lava recém-arrefecidos. As variações no tamanho, estrutura e composição do cristal definem as camadas características do mineral.

Fotografia de Douglas Moore

Já pensou sobre o que está debaixo das pétalas de um botão de flor? José Almodóvar, biólogo da Universidade de Porto Rico, captou esta imagem de uma planta Clerodendrum paniculatum, mais conhecida por “flor do pagode”, despojada das suas pétalas, revelando o pistilo roxo e esguio do botão e os estames ainda enrolados.

Fotografia de Jose R. Almodovar

Nesta imagem do fotógrafo Waldo Nell, um minúsculo camarão artémia translúcido de água salgada, fotografado com uma ampliação de 10 vezes, tem apenas quatro dias de vida, mas brilha com um contraste cintilante contra um mar negro. Este camarão põe embriões dormentes, conhecidos por cistos, que podem ser armazenados durante longos períodos de tempo, tornando-os numa fonte de alimento ideal para a aquicultura.

Fotografia de Waldo Nell

Embora este rosto se pareça com algo saído de um pesadelo, esta criatura prefere comer mangas do que humanos. As proles do gorgulho de sementes de manga enterram-se na semente gigante da fruta, onde se deleitam até que as larvas se transformam em adultos, um dos quais é mostrado nesta imagem captada por Antoine Franck, do Centro de Pesquisa e Cooperação Internacional de França.

Fotografia de Antoine Franck

Estas rochas brilhantes podem ser parecidas com as pedras do infinito do universo fictício da Marvel, mas na verdade são pedaços de areia com uma ampliação de 10 vezes, numa imagem captada pelo fotógrafo Xinpei Zhang. Recolhida no deserto do Namibe, no sul de África, esta areia obtém a sua cor brilhante através de uma abundância de ferro.

Fotografia de Xinpei Zhang

Este grão de arroz é surpreendentemente reconfortante de se contemplar, pois a luz destaca cada fenda e marca na sua superfície amilácea. Esta imagem foi captada pelo fotógrafo Roni Hendrawan e tem uma ampliação de 20 vezes.

Fotografia de Roni Hendrawan

Enrolada numa bola iridescente, uma vespa-cuco adormecida parece bastante serena nesta fotografia do fotógrafo de insetos Thorben Danke. Não se deixe enganar pela pose tranquila: semelhante ao pássaro com quem partilha o nome, a vespa-cuco coloca os seus ovos nos ninhos de outros insetos. Depois de eclodirem, as suas larvas alimentam-se das crias do construtor do ninho, ou matam-nas à fome devorando os alimentos armazenados.

Fotografia de Thorben Danke

Este artigo teve o contributo de Michael Greshko.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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