Pegadas de dinossauros carnívoros descobertas no Cabo Mondego

Novas pegadas de dinossauros carnívoros foram encontradas no Cabo Mondego. O local preserva alguns dos mais importantes marcos da história Jurássica.

Publicado 22/09/2021, 16:10
Reconstituição paleogeográfica há 156 milhões de anos.

Reconstituição paleogeográfica há 156 milhões de anos.

Ilustração de Universidade de Coimbra

Uma equipa de cientistas do Brasil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e de Portugal, da Universidade de Coimbra (UC) e do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), encontraram dezenas de pegadas de dinossauros carnívoros do Jurássico, no Cabo Mondego.

Portugal entrou na rota dos estudiosos dos dinossauros quando, há mais de um século, foram descobertas as primeiras pegadas de dinossauros no país, mais precisamente na Figueira da Foz. Através de novos estudos pormenorizados das rochas sedimentares com cerca de 156 milhões de anos, que ocorrem no Cabo Mondego, descobriu-se agora um registo que amplia o conhecimento acerca destes répteis do Mesozoico.

O presente estudo foi publicado na revista científica Palaeoworld e reporta a descoberta das novas pegadas de dinossauros carnívoros, revelando ambientes e modos de vida destes animais. Além disso, o estudo apresenta a caracterização dos aspetos morfológicos das pegadas e a sua relação com as superfícies arenosas por onde caminhavam.

Cabo Mondego: um dos mais importantes marcos do registo fóssil ibérico

Os resultados da investigação evidenciam condições de humidade variadas associadas à génese das pegadas e uma grande diversidade de dinossauros. Os cientistas reconhecem que no decorrer do intervalo de 160 a 156 milhões de anos atrás, existiu uma modificação nos grupos de dinossauros produtores de pegadas, com predomínio inicial por herbívoros e carnívoros de grande porte e, posteriormente, a predominância dos carnívoros de menor tamanho.

A investigação, que culminou no artigo científico intitulado “Dinoturbation in Upper Jurassic siliciclastic levels at Cabo Mondego (Lusitanian Basin, Portugal): evidences in a fluvial-dominated deltaic succession”, permitiu ampliar o número de camadas com pegadas de dinossauros carnívoros caracterizadas no Monumento Natural do Cabo Mondego, fazendo deste, um dos mais importantes marcos do registo fóssil ibérico.

Exemplo de pegada estudada.

Fotografia de Universidade de Coimbra

Pelo menos 19 novas estruturas tridimensionais foram observadas, sendo que a identificação destas estruturas fornece um complemento importante para as informações obtidas a partir de pegadas preservadas em superfícies de cama única, como a consistência do substrato, identificação de rastreador potencial e a possibilidade de melhorar a distinção de dinossauros saurópodes e tridáctilos, e interpretações paleoambientais.

Entre a equipa de investigadores encontra-se Ismar de Souza Carvalho, do Departamento de Geologia da UFRJ e investigador do Centro de Geociências da UC, Pedro Proença Cunha, do Departamento de Ciências da Terra, do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da UC, e Silvério M.D. Figueiredo, do Centro de Geociências da UC e do Instituto Politécnico de Tomar.

Testemunho para a compreensão geológica

O Geoparque do Atlântico fica ainda mais valorizado com estas descobertas. O Cabo Mondego, que se insere no contexto da Bacia Lusitânica e se localiza no bordo ocidental da Serra da Boa Viagem, aproximadamente seis quilómetros a noroeste da Figueira da Foz, é classificado como Monumento Natural desde 2007 e constitui, sem dúvida alguma, um dos testemunhos mais importantes para a compreensão história geológica de Portugal.

De forma particularmente completa, representa alguns dos mais importantes episódios da história da Terra ocorridos durante o Jurássico, para um intervalo de tempo que se situa entre os 185 e os 140 milhões de anos, aproximadamente.

O afloramento compreende uma sucessão de resíduos marinhos e fluvio-lacustres que se alongam, desde o Toarciano Superior até ao Titoniano. Este registo inclui níveis com as mais antigas pegadas de megalossaurídeos, de dinossauros bípedes e carnívoros, descritas em Portugal e cuja primeira referência remonta a 1884.

Cabo Mondego é rico em registos fósseis

O registo fóssil do Jurássico do Cabo Mondego inclui macrofósseis (lamilibrânquios, gastrópodes, bivalves, braquiópodes, plantas, peixes, crinóides, corais, ostreídeos, belemnóides e amonóides), microfósseis (foraminíferos e nano-plâncton calcário) e icnofósseis.

No Cabo Mondego é possível reconhecer eventos relevantes, quer à escala bacinal, ao tempo da abertura do Oceano Atlântico, quer à escala global. Além disso, ocorreu também a descoberta de diversas folhas, o que permitiu a definição até de uma nova espécie vegetal, a Baiera vianna, dedicada a António Vianna.

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados