Investigador da Universidade do Minho descobre como atrasar envelhecimento da coluna

As drogas senolíticas são apontadas como possível inovação em tratamento que retarda o envelhecimento da coluna vertebral. Em causa está o fim da dor de costas e o aumento da qualidade de vida.

Publicado 21/10/2021, 08:46
Histologia do disco intervertebral

Histologia do disco intervertebral, comparando os grupos de tratamento com Veículo (Veh) vs. Dasatinibe+Quercetina (D+Q). Após longa administração com D+Q, os animais tratados apresentaram uma redução significativa do grau de degeneração do disco intervertebral: preservação da celularidade; manutenção da integridade dos compartimentos do disco – núcleo pulposo (NP), anula fibrosa (AF) e placa cartilagínea terminal (CEP); e conservação da matriz extracelular.

Fotografia de Emanuel Novais

Investigação de Emanuel Novais, da Universidade do Minho, aponta um tratamento com “drogas senolíticas” para retardar o envelhecimento da coluna, nomeadamente dos discos da coluna vertebral, uma das principais causas do aparecimento de dor de costas.

A proposta de utilização destes fármacos faz com que as células saudáveis permaneçam e as “más” sejam eliminadas, atrasando assim a degeneração dos discos. Uma vez que as soluções e tratamentos atualmente disponíveis são escassos e nem sempre apresentam os melhores resultados, a proposta para retardar o envelhecimento da coluna é inovadora.

Ainda não existe solução terapêutica

A dor de costas é uma das principais causas mundiais para alguém deixar de trabalhar e, as soluções atualmente disponíveis passam pela redução da dor com analgésicos ou, em casos considerados mais graves, a intervenção cirúrgica. Não existe ainda um medicamento que possa impedir a evolução da doença e apresentar-se como uma solução terapêutica.

Assim, no âmbito da elaboração da tese de doutoramento e através de uma investigação na Universidade Thomas Jefferson, nos Estados Unidos, o cientista explorou diferentes formas de aliviar a degeneração do disco intervertebral, resultante do envelhecimento da coluna. Dessa pesquisa resultou o artigo científico publicado na revista Nature Communications.

O envelhecimento é apontado como um dos principais fatores que levam à degeneração do disco intervertebral e ao aparecimento da dor de costas que, de forma simples, se pode explicar que há uma espécie de pequenas “borrachas”, que são os discos intervertebrais, que permitem os movimentos da coluna e absorvem o choque associado, que se desgastam com o tempo.

A combinação de fármacos senolíticos 

Durante a investigação observou-se que uma das alterações moleculares que estavam associadas ao envelhecimento e degeneração do disco era a senescência, isto é, um estado celular. As células podem dividir-se, morrer, ou entrar num terceiro estado que é a senescência.

No estado intermédio, as células deixam de se dividir, mas também não morrem. Isto diminui a capacidade regenerativa, o que leva ao envelhecimento celular. As células senescentes podem também ser destrutivas para o ambiente em redor, promovendo a degeneração, inflamação, e envelhecimento das células mais próximas, o que leva à perda de função do tecido ou órgão, neste caso, o disco intervertebral.

Emanuel Novais realiza uma colheita de plasma em ratinhos para estudo dos marcadores sistémicos de inflamação através de punção cardíaca no momento do sacrifício: veículo vs. Dasatinib+Quercetina grupos.

Fotografia de Emanuel Novais

A investigação resultou no primeiro estudo de tratamento de longa duração com drogas senolíticas em ratinhos, cujos resultados indicam que os animais tratados com estes fármacos apresentam menor grau de degeneração do disco intervertebral com o envelhecimento. Além disso, tiveram melhorias significativas a nível da força muscular, inflamação no sangue e qualidade do osso. Não foram observados efeitos secundários que alertem para a falta de segurança no uso destes fármacos.

Os fármacos administrados foram uma combinação de duas substâncias, Dasatinibe e Quercetina, que permitiram remover e diminuir as células senescentes no disco e, assim, reduzir o stress que as mesmas induziam localmente. Ao fazer com que as células saudáveis permaneçam e as “más” sejam eliminadas, acabaram por atrasar a degeneração do disco intervertebral observado no envelhecimento da coluna.

As pessoas vivem cada vez mais, pelo que as doenças associadas ao envelhecimento são cada vez mais prevalentes e relevantes para a saúde da população. Emanuel Novais já finalizou a sua tese de doutoramento, num programa em que estudantes de Medicina da Universidade do Minho têm disponível, fruto do MD/PhD em que podem fazer uma pausa no curso, para tirar um doutoramento em duas universidades nos EUA (Universidade Thomas Jefferson e Universidade de Columbia), terminando assim o curso como médicos e doutorados.

A equipa pretende experimentar o tratamento em outros modelos de degeneração da coluna para otimizar o efeito e administração deste tratamento com Dasatinibe e Quercetina e ponderar a possibilidade de translação para humanos. Além disso, Emanuel Novais adianta que querem também "estudar e compreender o papel das células senescentes para a doença do disco intervertebral".

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