Será que a microdosagem de psicadélicos pode melhorar a saúde mental?

O consumo de pequenas doses de drogas como psilocibina, LSD e ayahuasca está a ganhar popularidade. Mas os seus benefícios ainda estão a ser investigados.

fotografias de Michael Christopher Brown
Publicado 11/02/2022, 12:04
Cogumelos mágicos

Uma seleção de “cogumelos mágicos” – fungos que contêm o composto psicadélico psilocibina – estão em exibição no bairro de Hollywood Hills, em Los Angeles, na Califórnia. Embora a psilocibina seja ilegal na maioria dos casos, um número cada vez maior de pessoas está a usar quantidades minúsculas desta droga, a chamada microdosagem, para aliviar a ansiedade, a depressão e outras condições de saúde mental.

Fotografia por Michael Christopher Brown

Quando Jaclyn Downs, uma nutricionista de 43 anos de Lancaster, na Pensilvânia, tropeçou no conceito de microdosagem de psilocibina, ou no consumo de uma pequena quantidade de um psicadélico para obter um efeito subtil, Jaclyn lembrou-se imediatamente de um incidente na faculdade onde os amigos fizeram um chá com “cogumelos mágicos”, que continha esta droga. Jaclyn Downs bebeu apenas um gole, mas passou o resto da noite a sentir-se em paz e presente no momento. Olhando para trás, Jaclyn percebeu que tinha sentido os efeitos de uma microdosagem.

Há cerca de três anos, Jaclyn Downs começou a tomar microdosagens para se preparar para determinadas situações, como por exemplo quando tinha de ficar acordada até mais tarde para participar num evento social do qual gostava. A droga acalmava a sua ansiedade e ela conseguia conversar melhor. Há seis meses, Jaclyn começou uma rotina mais estruturada, tomando uma microdosagem de tintura de psilocibina a cada três dias. Isto deixou-a mais calma e mais recetiva, sobretudo quando as suas filhas de seis e nove anos discutem uma com a outra ou não fazem o que lhes é pedido. “Dantes eu era mais reativa – ficava irritada – mas agora respondo de forma mais uniforme”, diz Jaclyn Downs. “O ambiente geral em nossa casa é agora mais positivo.”

Nos últimos anos, as drogas psicadélicas passaram de tópico tabu para algo que tem vindo a ser cada vez mais aceite nos principais setores da sociedade. Estas substâncias também estão a caminho da aprovação médica, tendo sido designadas “terapias inovadoras” pela agência do medicamento dos EUA.

Diana Bui, Wendell Phipps e Carlyn Hope Davis fizeram uma caminhada nas Pacific Palisades após uma microdosagem e depois foram andar de patins no seu local favorito em Venice Beach.

Mas muitas das pessoas que estão intrigadas com a promessa dos psicadélicos – uma categoria que inclui psilocibina, dietilamida do ácido lisérgico (LSD), ayahuasca, mescalina e outras substâncias que alteram a consciência – querem colher os seus benefícios sem terem de tomar uma dose forte o suficiente para provocar alucinações. Um número crescente de pessoas está a virar-se para a microdosagem, ingerindo regularmente entre 5 a 10% de uma dose para melhorar o bem-estar, o desempenho no trabalho ou para diminuir a depressão e outros demónios psicológicos sem desencadear o efeito total das drogas.

Mas os especialistas dizem que há poucas evidências científicas até agora que sustentem esta abordagem.

“Tanto quanto sabemos, não há muitos riscos associados à microdosagem. Contudo, tirando os depoimentos dos utilizadores, não está fundamentado que existam benefícios”, diz John Krystal, diretor do departamento de psiquiatria da Escola de Medicina de Yale, que acompanha de perto este campo de investigação.

Uma das razões principais para este desconhecimento reside no facto de a microdosagem, da forma como é feita na vida real, ser muito desafiante de estudar. Os utilizadores geralmente consomem uma dose durante uma manhã ou duas, depois não tomam na manhã ou manhãs seguintes e repetem este regime durante meses ou anos. Como os psicadélicos são ilegais, a lei dos EUA não permite aos investigadores darem doses às pessoas para seguirem um cronograma em casa. E fornecer a droga e monitorizar os utilizadores dia após dia em laboratório não é prático, diz Albert Garcia-Romeu, investigador do Centro Médico Johns Hopkins Bayview, em Baltimore.

Muitas das pessoas que consomem microdosagens fazem-no através de alimentos ou chás que contêm as drogas psicadélicas, que podem desencadear emoções calorosas e prazerosas. Nesta imagem, uma pasteleira borrifa biscoitos com uma microdosagem de uma bebida psicadélica que inclui MDMA – também conhecida por Ecstasy ou Molly – bem como LSD e 2C-B, uma droga que foi sintetizada pela primeira vez na década de 1970.

Isto representa um problema tanto para os cientistas como para os utilizadores. Quando os consumidores ativos respondem às sondagens sobre as suas experiências para fins de investigação observacional, os cientistas não conseguem ter a certeza de que cada pessoa está a consumir a mesma quantidade. Na realidade, não existem produtos padronizados que uma pessoa possa comprar na farmácia. E é particularmente difícil para alguém determinar uma microdosagem exata de psilocibina a partir de um lote de cogumelos secos ou de uma pastilha de LSD, diz Jerome Sarris, diretor executivo do Instituto Psychae em Melbourne, na Austrália.

Fenómeno em crescimento

Nos EUA, ninguém sabe atualmente quantas pessoas é que usam este regime de microdosagem, embora a sua popularidade pareça estar a aumentar. Em 2018, uma análise sobre um grupo de discussão no Reddit dedicado à microdosagem registou 27.000 assinantes; mas no início de 2022 este grupo já tinha 183.000 inscritos. E numa conferência empresarial feita recentemente em Miami focada em drogas psicadélicas, quando os membros da plateia foram questionados sobre se eram utilizadores, centenas de pessoas levantaram as mãos.

Alli Schaper é cofundadora e CEO da Supermush, uma empresa que vende vários sprays orais feitos de cogumelos não psicadélicos chamados cordyceps. Nesta imagem, Alli Schaper relaxa na sua casa em Marina Del Rey, Los Angeles, depois de tomar uma microdosagem de psilocibina.

“Quando se tornaram populares há cerca de uma década, as microdosagens estavam envoltas em secretismo, e os empreendedores de tecnologia e empresários eram os seus utilizadores principais”, diz Steven Holdt, de 24 anos, que é fundador da Tune In Psychedelics, uma aplicação que permite aos utilizadores acompanhar os horários das suas dosagens e registar os efeitos das drogas para fins pessoais. Nos últimos anos, pessoas de todos os setores da sociedade também começaram a usar estes regimes, diz Steven Holdt, graças aos podcasts que se focam sobre o assunto, aos artigos nos jornais de renome e ao famoso livro de Ayelet Waldman, A Really Good Day, que narra a forma como uma microdosagem de LSD elevou a escritora de uma depressão intratável.

Erica Zelfand, médica naturopata em Portland, diz que tem dezenas de pacientes que tomam atualmente microdosagens, principalmente numa tentativa de melhorar a sua depressão ou transtornos de déficite de atenção. Erica apoia os esforços dos seus pacientes, mas também alerta que são uma espécie de ratos de laboratório numa experiência de grande proporções. “Eu aviso-os de que ainda não temos investigações que suportem isto. E sobretudo não conhecemos os riscos a longo prazo”, diz Erica. Para ajudar a desenvolver o conhecimento, Erica incentiva os pacientes a relatarem as suas experiências em sites de pesquisa como o microdose.me ou o microdosingsurvey.com.

A variedade Hillbilly é uma das mais comuns entre os cogumelos mágicos. Este cogumelo gigante psicadélico cresce nos estados que revestem a Costa do Golfo e pode ser encontrado na América Central e do Sul, nas Caraíbas e no Sudeste Asiático. O cogumelo que vemos na imagem foi cultivado em Hollywood Hills, Los Angeles.

Dosagens mais altas versus dosagens mais baixas

Nenhum dos estudos atuais sobre microdosagens atinge padrões que permitam aos cientistas tirar conclusões firmes. Mas os resultados dos estudos recentes que só usaram um psicadélico de dosagem elevada revelaram o potencial que estas drogas há muito evitadas podem ter na saúde mental. Uma dose potente de psilocibina sintética, juntamente com apoio psicológico, melhorou casos de depressão resistentes aos tratamentos, de acordo com os resultados ainda por publicar de um estudo aleatório feito com mais de 200 pessoas, que foi divulgado em novembro pela empresa Compass Pathways, cuja formulação proprietária é uma das recomendadas pela agência do medicamento dos EUA como sendo uma terapia inovadora. Em maio de 2021, um grupo de cientistas publicou um artigo na revista Nature onde afirmava que uma dosagem elevada de MDMA (também conhecida por Molly ou Ecstasy, que não é um psicadélico clássico mas produz um efeito semelhante) diminuiu bastante os casos graves de transtorno de stress pós-traumático (TSPT).

Mas estes resultados não podem ser generalizados em microdosagens, diz Matthew Johnson, diretor interino do Centro Johns Hopkins, que realizou vários estudos sobre dosagens elevadas de psicadélicos.

Uma revisão da investigação sobre psicadélicos que Jerome Sarris publicou em janeiro de 2022 destacava os problemas enfrentados pelos estudos que procuram descobrir os efeitos de dosagens baixas ou altas de uma droga psicadélica: porque são poucos os ensaios aleatórios de grande escala em humanos.

Os estudos sobre medicação em pessoas geralmente começam com o que se conhece por ensaio clínico de fase um, que é projetado para determinar os níveis de segurança e tolerabilidade num pequeno número de pessoas. Este tipo de estudo ainda não foi realizado para as microdosagens, embora a fabricante de medicamentos Diamond Therapeutics tenha anunciado em novembro que está prestes a iniciar este tipo de ensaio, aumentando minuciosamente a quantidade de psilocibina até atingir a microdosagem ideal, ou seja, até encontrar a que provoca mais efeitos positivos com menos resultados negativos.

Depois de tomar uma microdosagem e passear pelas colinas nas proximidades, Colin Benward senta-se em frente ao seu altar para meditar em casa, em Topanga Canyon, Los Angeles.

Alguns estudos laboratoriais que incluíram um pequeno número de pessoas saudáveis tentaram descobrir os efeitos da microdosagem após uma ou algumas doses. Uma revisão de 2020 publicada na Therapeutic Advances in Psychopharmacology identificava 14 destes pequenos estudos experimentais, com a maioria a descobrir que uma microdosagem de LSD ou psilocibina produz mudanças positivas subtis nas emoções e nos processos de pensamento envolvidos na resolução de problemas. Os revisores repararam que alguns utilizadores sentiram ansiedade ou ficaram excessivamente eufóricos. Todos estes estudos foram feitos com indivíduos saudáveis, não se sabendo assim se a microdosagem pode beneficiar pessoas com problemas de saúde mental.

Um estudo europeu feito com 30 pessoas, publicado em abril de 2021, descobriu que os utilizadores que fizeram microdosagens de psicadélicos durante várias semanas ficavam mais impressionados quando viam vídeos e obras de arte do que durante as semanas em que tomavam apenas um placebo. Mas este estudo tinha falhas, porque muitas pessoas conseguiram descobrir o que estavam a tomar com base nos efeitos secundários, como o aumento da transpiração, pelo que os investigadores não conseguiram separar as experiências reais.

Efeito placebo?

Os estudos maiores perguntaram principalmente aos utilizadores atuais sobre as suas experiências. Um estudo revelou mais de mil utilizadores que relataram um aumento de energia, melhores resultados laborais e um humor mais positivo. Outro estudo comparou 4.000 utilizadores com um grupo semelhante de não utilizadores e descobriu que, entre as pessoas com problemas anteriores de saúde mental, as pessoas que fizeram microdosagens relataram níveis mais baixos de ansiedade e depressão.

Porém, para além da questão dos utilizadores tomarem dosagens que não estão padronizadas, todos os participantes já tinham os seus regimes antes do início dos estudos, pelo que podem ter sido tendenciosos. “Temos de ser cautelosos para não interpretarmos de forma exagerada os relatórios que são encorajadores em retrospetiva e que apareceram na literatura”, diz John Krystal, da Escola de Medicina de Yale. “A preocupação em torno das experiências em primeira pessoa reside no facto de muitas vezes haver um potencial tremendo de efeitos placebo que acabam por colorir a interpretação.”

De facto, o melhor estudo sobre microdosagens feito até hoje mostra exatamente isso, e foi uma “iniciativa de ciência cidadã” que envolveu cerca de 200 utilizadores de LSD e psilocibina. Alguns dos participantes foram escolhidos aleatoriamente por cientistas do Imperial College de Londres para trocarem os seus medicamentos por placebos, sem que nenhum dos grupos soubesse ao certo o que estava a receber. Passado um mês, todos os participantes foram entrevistados sobre o seu bem-estar, satisfação com a vida, cognição e outros fatores. Os resultados psicológicos melhoraram significativamente para as pessoas que tomaram os psicadélicos – mas também melhoraram para os que tomaram apenas placebos.

Esta imagem mostra as diversas formas do cogumelo Hillbilly. Os efeitos psicadélicos destes fungos podem surgir depressa: entre 15 a 30 minutos após uma microdosagem, atingir o pico em 60 a 90 minutos e desaparecer passadas cerca de seis horas.

Esta foi uma forma inteligente de estudar um grande número de utilizadores no atual ambiente regulatório, diz Albert Garcia-Romeu, que ajudou a avaliar a investigação para a revista eLife. “Mas o facto de tantos utilizadores de placebos relatarem benefícios põe em questão todo o fenómeno da microdosagem”, diz Albet.

Ainda assim, os estudos de imagiologia deixam bem patente que algo está a acontecer.

Num destes estudos, 20 pessoas saudáveis foram scaneadas com um fMRI durante várias horas depois de tomarem uma microdosagem de LSD ou placebo. A amígdala, considerada o centro emocional do cérebro, mudou a forma como interagia com outras regiões cerebrais nas pessoas com microdosagens, indicando potencial para regular melhor as emoções negativas, diz Katrin Preller, coautora deste estudo e neuropsicóloga da Universidade de Zurique. De facto, os participantes cujos cérebros registaram uma ligação aprimorada também relataram que se sentiram subjetivamente mais otimistas, diz Katrin Preller. Outro estudo usou eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade cerebral em 22 utilizadores de microdosagens de LSD e documentou mais atividade no cérebro do que aquela que geralmente acontece durante os momentos de repouso, algo que também é observado nos psicadélicos em dosagens elevadas.

Os efeitos da microdosagem

Apesar da escassez de investigações, as pessoas estão a recorrer às microdosagens por diversos motivos. Steven Holdt diz que a microdosagem de psilocibina o ajuda a divertir-se com outras pessoas. Steven sofre de ansiedade social, ou seja, sem as drogas a sua mente está constantemente a ruminar sobre as coisas que ele pode ou não dizer ou fazer. “A microdosagem ajuda-me a parar este monólogo interno para eu poder ficar mais confortável e presente”, diz Steven, que obteve o mesmo efeito usando dosagens elevadas de psicadélicos, que experimentou pela primeira vez no ensino secundário, mas diz que os efeitos mais subtis da microdosagem facilitam a sua incorporação na vida quotidiana. “Não é necessário tirar um dia de folga do trabalho ou ter alguém a vigiar [para garantir que as coisas não se descontrolam].

Muitos utilizadores acreditam que as microdosagens os ajudam no trabalho. Dusty, um engenheiro de áudio de 40 anos que vive em Filadélfia (que pediu para usarmos apenas o seu apelido), diz que o pouco LSD que toma uma vez por semana aumenta a sua produtividade, o desejo de colaborar e dá-lhe mais criatividade para fazer o trabalho. “Por exemplo, ao configurar sistemas de som para espetáculos ao vivo, há um milhão de pequenos problemas que precisamos de resolver todos os dias e nem sempre temos soluções”, diz Dusty. Nos dias em que toma microdosagens, Dusty já reparou que fica com um pouco mais de entusiasmo para resolver problemas que levam a soluções de longo prazo, em vez de tentar fazer as coisas funcionar apenas momentaneamente.

Outros utilizadores usam as microdosagens para atenuar as suas condições de saúde mental. Karen Gilbert, uma enfermeira aposentada de 69 anos que vive em Lopez Island, no estado de Washington, espera que a microdosagem de psilocibina, que começou a tomar em novembro, a possa ajudar com a depressão que sofre há mais de duas décadas. Karen Gilbert é uma das pacientes de Erica Zelfand e diz que notou uma diferença quase imediata. “Pela primeira vez em muito tempo estou entusiasmada com os projetos que quero fazer, que parecem agora oportunidades e não obrigações”, diz Karen Gilbert.

A própria Erica Zelfand já tentou microdosagens algumas vezes, mas não gostou dos efeitos. “Não me sinto bem quando o faço. Parece que fico um pouco agitada”, diz Erica.

Alguns dos pacientes de Erica Zelfand também passaram por experiências indesejadas semelhantes. As pessoas com transtornos de ansiedade e, sobretudo, transtorno bipolar, provavelmente devem evitar as microdosagens porque podem dar origem a mais agitação, diz Erica.

Os especialistas também receiam que a microdosagem regular durante um longo período de tempo possa, teoricamente, enfraquecer as válvulas cardíacas, como aconteceu com os danos provocados pelos medicamentos dietéticos fentermina e fenfluramina (Phen/Fen) na década de 1990. Tanto os chamados Phen/Fen como os psicadélicos atuam num dos recetores de serotonina do corpo conhecido por 5-HT2B, diz Albert Garcia-Romeu.

Mesmo que se venha a provar que a microdosagem é segura e eficaz, alguns especialistas temem que o seu uso recreativo generalizado possa inutilizar os seus efeitos mais tarde na vida – se de facto se revelar valiosa para fins importantes de saúde mental – porque as pessoas ganham tolerância após uma utilização frequente. “Se introduzirmos mais destes tipos de substâncias, isso pode afetar a sua eficácia terapêutica quando na realidade precisamos disto é para fazer medicamentos, sobretudo para os momentos mais aflitivos no final de vida”, diz Conor Murray, neurocientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que conduziu a investigação de EEG.

E apesar de as microdosagens não desencadearem os mesmos pensamentos e imagens loucas que surgem com o consumo de dosagens elevadas destas drogas, alguns utilizadores relataram algumas debilitações, diz Matthew Johnson. “Se for esse o caso, pode ser difícil conduzir, cuidar dos filhos ou tomar decisões importantes no emprego.”

Para além disso, os psicadélicos são obviamente ilegais, o que significa que não existe um controlo de qualidade sobre o seu fornecimento. “Como se não bastasse, as pessoas estão a perder os seus empregos porque usam microdosagens, e podem e são detidas”, diz Albert Garcia-Romeu.

Ainda assim, mesmo as pessoas que estão preocupadas com a utilização crescente de psicadélicos afirmam que a microdosagem pode eventualmente ser benéfica para algumas pessoas. Matthew Johnson acredita que a depressão pode ser aliviada pelas microdosagens – embora esteja muito mais animado com a perspetiva de uma pessoa poder obter mais alívio após uma ou duas sessões de dosagens elevadas, algo que a sua investigação está a revelar.

John Krystal alerta que, até que se saiba mais sobre as microdosagens de psicadélicos, as pessoas devem aguardar. “Neste momento, isto só deve ser feito num contexto de investigação experimental”, diz John. “Nessas circunstâncias, há proteções que podem estar em vigor e os dados gerados irão aprofundar a nossa compreensão sobre estas drogas e dosagens.”

Os estudos adicionais sobre a microdosagem de psicadélicos também podem fornecer informações sobre os nossos cérebros. Por exemplo, os especialistas não compreendem a fundo o papel de outro recetor de serotonina que é ativado por psicadélicos, o 5-HT2A, diz Matthew Johnson. “Temos muito para aprender sobre [esse recetor]. Será que esse recetor está envolvido nas experiências místicas que acontecem naturalmente, como as experiências à beira da morte ou até encontros com alienígenas?” especula Matthew. “Como é que podemos usar as investigações sobre microdosagens para compreender mais sobre a natureza da mente humana?”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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