Pedras parideiras: um fenómeno geológico único em Portugal

As pedras parideiras são um verdadeiro tesouro da geologia. Descubra mais sobre este raro feito, localizado em pleno concelho de Arouca.

Fenómeno das pedras parideiras.

Fotografia por Avelino Vieira
Por Catarina Fernandes
Publicado 11/07/2022, 15:55

Já imaginou uma rocha-mãe da qual brotam novas pedras? Existe um fenómeno geológico raro no mundo que prova ser possível tal acontecer, conhecido como pedras parideiras.

Compreenda a história por detrás destas curiosas rochas, descubra onde se podem encontrar em Portugal e qual o seu impacto para a freguesia e os locais.

O que são as pedras parideiras?

“A Pedra que Pare Pedra” é um fenómeno de granitização único em Portugal, que corresponde ao afloramento de pedras que, eventualmente, acabam por se soltar da rocha-mãe. Tal processo fez com que a sua designação mais popular passasse a ser pedras parideiras.

Do ponto de vista geológico, as pedras parideiras são granito nodular da Castanheira. O tom deste granito é claro, tem um grão médio, duas micas e nódulos envolvidos por uma capa de biotite (mineral de cor negra) em forma de disco biconvexo, alinhados de modo evidenciado.

Este feito natural foi identificado e descrito pela primeira vez em Portugal, no ano de 1751, pelo Padre Luiz Cardoso no "Dicionário Geográfico". O sacerdote descreveu estas rochas aos habitantes da seguinte forma:

“Penhascos a que os naturais chamam as pedras que parem, deduzindo-lhe o nome de que estas pedras lançam outras pedrinhas pequenas em certos meses do ano, ficando-lhes as covas depois de as lançarem.”

Técnica do Arouca Geopark aponta para as pedras parideiras presentes no parque. 

Fotografia por Avelino Vieira

Como ocorre o fenómeno das pedras parideiras?

O crescimento das pedras parideiras deve-se às oscilações térmicas e à ação da erosão nos nódulos biotíticos. Os mesmos acabam por se libertar da rocha-mãe e acumulam-se no solo, deixando no granito uma cavidade revestida por uma capa biotítica.

Este processo geológico é bastante demorado, pelo que pode passar cerca de 300 milhões de anos até à libertação dos nódulos. Estes possuem dimensões que variam entre 1 e 12 centímetros de diâmetro e possuem um núcleo com minerais de quartzo e feldspato.

Em linguagem popular, passaram-se a chamar pedras parideiras a este fenómeno, pois refere-se a uma pedra que “pare” outras pedras.

Onde se podem observar pedras parideiras?

As pedras parideiras podem ser observadas em apenas dois locais no mundo: na cidade de São Petersburgo, na Rússia e em Arouca, Portugal.

Em território nacional, as pedras parideiras localizam-se na aldeia da Castanheira, em pleno planalto da Serra da Freita, dividida entre o concelho de Arouca e Vale de Cambra. Entre esta paisagem idílica, dividida por atividades de pastoreio, encontra-se este famoso património natural e geológico, que se estende por uma área de cerca de 1 km2.

Foi aqui que se instalou o Arouca Geopark, uma geossítio de extrema relevância internacional. O objetivo desta associação de direito privado sem fins lucrativos é de conservar, promover e valorizar o seu património cultural, natural e geológico.

No Arouca Geopark é possível observar este fenómeno numa área de extensão considerável. 

Fotografia por Nelson Gonçalves

As pedras parideiras são um dos 41 geossítios que este projeto alberga. A Associação Geopark Arouca, a entidade responsável pelo Arouca Geopark, tem como intuito definir uma estratégia de desenvolvimento territorial que garanta a sua proteção, dinamização e utilização.

O impacto das pedras parideiras em Arouca

Na aldeia da Castanheira, em Arouca, as pedras parideiras são vistas pelos longevos da região como um símbolo de fertilidade.

Antigamente, as mulheres locais acreditavam que a sua fecundidade era estimulada se colocassem pequenas pedras-filhas debaixo das suas almofadas, antes de ir dormir. Hoje em dia, sabe-se que ainda existem populares que continuam a adotar esta tradição.

Para além da crença associada ao fenómeno das pedras parideiras, sabe-se que tal feito geológico tem uma ação direta na vida cultural e social da população.

Muitos são os turistas, provenientes dos mais variados locais, que anualmente visitam a aldeia da Castanheira com o intuito de observar estas rochas.  Em 2012, o Arouca Geopark abriu ao público a Casa das pedras parideiras – Centro de Interpretação, com visitas guiadas destinadas a desmistificar os verdadeiros enigmas destas pedras parideiras.

Infelizmente, a curiosidade dos visitantes e das centenas de excursões recebidas fizeram com que a pacatez da aldeia fosse perturbada e que relatos de vandalismo e roubo de pedras sucedessem.

De forma a combater estas explorações excessivas, a Câmara Municipal acabou por colocar uma vedação para impedir que os visitantes degradassem um fenómeno tão raro no mundo.

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