Primeira imagem do Telescópio James Webb da NASA é a visão mais profunda do universo

A imagem colorida recém-publicada destaca uma coleção impressionante de galáxias antigas – e anuncia uma nova era para a astronomia.

Por Nadia Drake
Publicado 12/07/2022, 12:47
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A primeira imagem de campo profundo obtida pelo Telescópio Espacial James Webb mostra galáxias formadas no início do universo, destacadas pelo aglomerado galáctico em primeiro plano.

Fotografia por Image by NASA, ESA, CSA, and STScI

Depois de uma viagem de mais de um milhão de quilómetros no espaço, o observatório mais recente da NASA, o Telescópio Espacial James Webb, captou o seu primeiro conjunto de imagens coloridas do universo. Num evento especial de pré-visualização realizado ontem, o presidente dos EUA, Joe Biden, revelou uma destas imagens, na qual centenas – se não milhares – de galáxias distantes salpicam um mar cósmico negro.

“É uma nova janela para a história do nosso universo”, disse Joe Biden durante o evento. “E hoje vamos ter um vislumbre da primeira luz a brilhar através dessa janela.”

Esta imagem captada pelo telescópio James Webb é a primeira de algo que os astrónomos chamam imagem de campo profundo, quando o telescópio observa prolongadamente um pequena zona no espaço, recolhendo a luz ténue e revelando objetos extremamente distantes. Como se pode ver através das lentes de infravermelhos apuradas do instrumento, esta pequena região está povoada por maravilhosas galáxias giratórias, algumas das quais já existiam há mais de 13 mil milhões de anos, quando o universo ainda era uma criança.

“Temos a visão mais profunda do universo, de todos os tempos, nesta imagem”, diz Thomas Zurbuchen, administrador-adjunto da diretoria científica da NASA.

Pelo menos quatro imagens adicionais serão lançadas hoje, dia 12 de julho, oferecendo novas visões de galáxias em colisão, o último fôlego de uma estrela moribunda, um enorme berçário estelar e o espectro de um mundo alienígena.

Numa das primeiras imagens captadas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA durante a fase de testes, algumas estrelas, distinguidas pelos seus picos de difração, brilham no meio de milhares de galáxias difusas, algumas no universo próximo, mas muitas mais no universo distante.

Fotografia por Image by NASA, CSA, and FGS team

Lançado a 25 de dezembro de 2021, o Telescópio Espacial James Webb é o telescópio mais poderoso que alguma vez partiu da Terra. Há várias décadas, quando os cientistas o imaginaram, pensaram num telescópio que conseguisse espreitar os primórdios do universo, quando as primeiras estrelas e galáxias estavam a emergir da escuridão cósmica. Para o fazer, este observatório de 10 mil milhões de dólares perscruta o céu em luz infravermelha, ou comprimentos de onda ligeiramente maiores do que os olhos humanos conseguem distinguir. Quando as imagens chegam, são coloridas com uma paleta de cores que corresponde aos diferentes comprimentos de onda de infravermelhos.

Ao longo dos anos, vários atrasos, incluindo erros durante a montagem, derrapagens no orçamento e uma controvérsia interminável sobre o homem que dá nome ao telescópio atormentaram a jornada do Telescópio Espacial James Webb. Porém, quando chegou ao espaço, o telescópio executou com sucesso uma rotina de ativação complexa com centenas de etapas complicadas. O espelho de 6,4 metros de diâmetro do observatório desdobrou-se, juntamente com um escudo solar de várias camadas e os instrumentos arrefeceram até perto de zero absoluto.

Agora, com as primeiras imagens em mãos, parece evidente que o telescópio está a funcionar talvez ainda melhor do que o esperado – e que os seus próximos 20 anos de operações científicas vão estar repletos de surpresas.

 

Um olhar para trás no tempo

A imagem de campo profundo divulgada ontem é, de certa forma, análoga a viajar no tempo – porque oferece um vislumbre do passado distante, quando as primeiras galáxias ainda se estavam a desenvolver.

Thomas Zurbuchen descreve a imagem como uma “fotografia em movimento” porque a luz das galáxias aparentemente incontáveis de fundo é amplificada e distorcida pela imensa gravidade de um aglomerado galáctico – chamado SMACS 0723 – no primeiro plano. Este aglomerado maciço, que está a quatro mil milhões de anos-luz da Terra, age como a lente de uma lupa, permitindo a deteção de luz de galáxias extremamente antigas e muito mais distantes.

“Está claro que a luz consegue encontrar um caminho realmente complexo até nós”, diz Thomas Zurbuchen. “É quase arrebatadoramente belo, saber que estes fotões estão no espaço, a caminho desta câmara, há mais de 13 mil milhões de anos. Penso que é de tirar o fôlego.”

Esta não foi a primeira vez que os cientistas apontaram um telescópio para uma região no espaço e aguardaram para ver o que acontecia. Em 1995, o Telescópio Espacial Hubble olhou para um pedaço de céu aparentemente vazio durante uma  centena de horas. Esse esforço produziu uma das imagens mais revolucionárias da ciência: uma bolsa de espaço repleta de galáxias que alterou profundamente o conceito de como o universo está povoado.

O telescópio Hubble continuou a produzir imagens cada vez mais profundas e usou todas as suas capacidade para observar o universo primitivo. Da mesma forma, o telescópio James Webb vai produzir imagens cada vez mais profundas do cosmos, extraindo segredos da escuridão e revelando realidades que os humanos nunca viram – ou sequer imaginaram.

“Agora entramos numa nova fase de descoberta científica. Com base no legado deixado pelo Hubble, o Telescópio Espacial James Webb permite-nos ver mais profundamente no espaço do que nunca e com uma clareza impressionante”, disse Kamala Harris, vice-presidente dos EUA e presidente do Conselho Espacial Nacional,  durante o evento realizado ontem. “Isto vai melhorar o que sabemos sobre as origens do nosso universo, do nosso sistema solar e possivelmente da própria vida.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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