Imagens impressionantes revelam as maravilhas ocultas do mundo microscópico

Os vencedores do concurso anual de fotografia Small World da Nikon revelam pequenas maravilhas do mundo natural, impercetíveis ao olhar comum.

Por Nadia Drake
Publicado 14/10/2022, 11:41
 névoa delicada de partículas de fumo

Uma névoa delicada de partículas de fumo, composta por carbono não queimado de cera, sobe pelo pavio ainda fumegante de uma vela. O fotógrafo Ole Bielfeldt criou esta imagem no seu estúdio com uma velocidade de obturação extremamente rápida (1/8000) e uma fonte intensa de luz LED.

Fotografia por Ole Bielfeldt

Ao longo da história, os humanos têm-se esforçado para compreender as realidades existentes para além da nossa perceção natural. Quer sejam os vibrantes mundos sensoriais que os animais não humanos experimentam, a imensidão do universo observável ou a maquinaria interna do reino microscópico, existem inúmeras maravilhas que os humanos não conseguem observar diretamente.

Felizmente, as pessoas têm dominado a arte de ampliar e captar o minúsculo. E todos os anos o Concurso de Fotomicrografia Small World da Nikon premeia imagens que revelam estes mundos diminutos. Para o 48º ano deste concurso, quatro juízes analisaram cerca de 1.300 participações e selecionaram duas dezenas de inscrições que chegaram ao topo.

Anunciada esta semana, a imagem vencedora pertence aos investigadores da Universidade de Genebra, Grigorii Timin e Michel Milinkovitch, e mostra a pata embrionária de uma osga Phelsuma madagascariensis grandis. Criada através de microscopia e sobreposição de imagens, o resultado é uma visão fluorescente que revela a complexidade delicada da pata da osga, destacando os nervos, tendões, ligamentos, ossos e células sanguíneas que trabalham sinergicamente para ajudar estas criaturas a escalar paredes sem esforço.

Outras imagens captam um aglomerado de canais de leite materno, uma nuvem de fumo e o corpo de frutificação de um fungo mucilaginoso – um organismo que parece saído de uma história de fantasia. Todas as imagens vencedoras estão disponíveis para visualização no site da Nikon e, para este artigo, Samantha Clark, editora de fotografia da National Geographic, selecionou 13 imagens que captaram a sua imaginação, demonstraram o poder da microscopia ou inspiraram-na a pensar mais aprofundadamente sobre o mundo oculto que está longe do nosso olhar.

“Observar insetos como este olhos nos olhos é sempre emocionante. E agora, sempre que olho para um espargo, posso pensar neste”, diz Samantha Clark. “A imagem vencedora da pata embrionária da osga é hipnotizante com todas as camadas de pele, ossos e vasos sanguíneos. E quem diria que o cólon humano poderia ser tão descontraído nesta imagem ao estilo flower power de criptas epiteliais?”

A imagem vencedora deste ano revela o microcosmos anatómico no interior da pata embrionária de uma osga Phelsuma grandis. Esta imagem, ampliada 63 vezes, é obra de Grigorii Timin e Michel Milinkovitch, da Universidade de Genebra, na Suíça.

Fotografia por Grigorii Timin e Michel Milinkovitch

Estes bolbos entrelaçados, ampliados 40 vezes, podem parecer de origem botânica – mas na realidade são estruturas produtoras de leite no interior do tecido mamário humano. Caleb Dawson, do Instituto Walter e Eliza Hall de Pesquisa Médica da Austrália, ficou em segundo lugar com esta imagem.

Fotografia por Caleb Dawson
Esquerda: Superior:

Não, este não é o Groot de Guardiões da Galáxia. É um pingo de cristal líquido altamente ordenado, ampliado 40 vezes e fotografado com um filtro polarizado. Marek Sutkowski, da Universidade de Tecnologia de Varsóvia, nomeou esta imagem em homenagem ao fotógrafo polaco Benedykt Jerzy Dorys. “O seu estilo era inventivo e único nos períodos pré e pós-guerra na Polónia”, escreve Marek Sutkowski por email. O título da imagem, Retrato de um Homem de Uniforme, “é uma homenagem aos seus famosos retratos”.

Fotografia por Marek Sutkowski
Direita: Inferior:

Normalmente, estas criaturas podem ser encontradas penduradas num canto, mas esta aranha de adega de corpo longo (Pholcus phalangioides) é o tema retratado pela imagem que ficou em quarto lugar este ano. Andrew Posselt, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, conseguiu a imagem final sobrepondo mais de 200 fotografias através de um programa que seleciona as partes mais nítidas de cada imagem e combina-as para produzir o resultado final.

Fotografia por Andrew Posselt

Nesta imagem de Murat Öztürk, um besouro-tigre – provavelmente um dos insetos mais rápidos do mundo – prende uma mosca. “É bastante difícil observar este estado selvagem no mundo dos insetos. Ninguém olha para a boca de um inseto com uma lupa”, escreve Murat Öztürk por email. “Os besouros-tigre têm mandíbulas fortes e afiadas. As probabilidades de sobrevivência das criaturas capturadas por este inseto são muito reduzidas.”

Fotografia por Murat Öztürk

Uma floresta de células cerebrais está saturada de cor nesta imagem psicadélica de Andrea Tedeschi, da Universidade de Ohio, que estuda lesões traumáticas no cérebro e na medula espinal. Estes neurónios, ampliados 10 vezes, fazem parte do córtex sensório-motor de um rato e estão corados através de fluorescência.

Fotografia por Andrea Tedeschi

Ampliada 10 vezes, esta pequena torre é uma pilha de ovos de traça captados por Ye Fei Zhang. “Encontrei estes três ovos de traça numa folha muito pequena e estavam estranhamente sobrepostos”, escreve Ye Fei Zhang por email. “Não havia marcas vermelhas na superfície dos ovos quando foram encontrados pela primeira vez. Nos dois dias seguintes, o interior dos ovos continuou a desenvolver-se e surgiram estas belas marcas vermelhas.”

Fotografia por Ye Fei Zhang

Este bouquet caleidoscópico é um corte transversal de um cólon humano normal, povoado por criptas epiteliais. Ampliado 20 vezes, este tecido foi fotografado por Ziad El-Zaatari, patologista cirúrgico do Hospital Metodista de Houston. “É algo que normalmente vejo na minha prática diária”, escreve El-Zaatari por email. “É uma parte importante do meu trabalho saber qual é a aparência dos tecidos normais em comparação com os tecidos anormais, de maneira a poder reconhecer doenças e fornecer um diagnóstico preciso.”

Fotografia por Ziad El-Zaatari
Esquerda: Superior:

A vencedora do quinto lugar deste ano é uma imagem que parece ter sido retirada diretamente de uma paisagem fantástica. Esta estrutura delicada é o minúsculo corpo de frutificação de um fungo mucilaginoso (Lamproderma), um organismo unicelular muitas vezes considerado um dos mais estranhos da Terra. “Apesar do seu nome comum pouco lisonjeiro, os fungos mucilaginosos são organismos incrivelmente bonitos”, escreve a fotógrafa Alison Pollack por email. “As espécies de Lamproderma são as minhas preferidas, porque a maioria tem bonitas cores azul-púrpura iridescentes. Os fungos da fotografia estavam numa folha que encontrei quando andava à procura perto da minha casa depois de uma chuvada particularmente forte.”

Fotografia por Alison Pollack
Direita: Inferior:

Um vegetal muitas vezes mal-amado, o humilde espargo é o personagem principal nesta imagem de Olivier Leroux, da Universidade de Ghent, que descreve a estrutura como sendo “complexa, mas frágil”. Protegidas por escamas, as células na ponta deste espargo branco contêm todas as instruções necessárias para gerar os órgãos da planta acima do solo.

Fotografia por Olivier Leroux

Embora esta imagem pareça um dos enormes vermes de areia que se alimentam de humanos no romance Duna de Frank Herbert, esta franja de colunas geométricas e vibrantes é na verdade um corte transversal do intestino de um rato colorido através de fluorescência. Alcançando o terceiro lugar no concurso deste ano, esta imagem é um trabalho de Satu Paavonsalo e Sinem Karaman, da Universidade de Helsínquia.

Fotografia por Satu Paavonsalo e Sinem Karaman

Esta imagem, ampliada 60 vezes, capta as cores e texturas marcantes de um osso agatizado de dinossauro. Fotografados por Randy Fullbright, estes fósseis mineralizados são raros.

Fotografia por Randy Fullbright
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