Como o Tratado de Versalhes Terminou a Primeira Guerra Mundial e Começou a Segunda

Os países europeus castigaram severamente a Alemanha pelo seu papel na Primeira Guerra Mundial – uma atitude que iria regressar brevemente para atormentar o mundo.Tuesday, June 11

Por Erin Blakemore
O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, sorri ao encabeçar a procissão que se seguiu à assinatura do Tratado de Versalhes. Embora Wilson tenha negociado pessoalmente o tratado, o Congresso dos EUA nunca o ratificou.

No dia 28 de junho de 1919, nos arredores de Paris, dignitários europeus encheram o Palácio de Versalhes para assinar um dos mais odiados tratados da história. Conhecido como o Tratado de Versalhes, terminou formalmente a Primeira Guerra Mundial e, ao mesmo tempo, lançou as bases para a Segunda Guerra Mundial. Embora tenha sido precedido por uma conferência de paz que durou mais de um ano, o tratado não agradou a todas as nações que o assinaram.

Mais de 65 milhões de pessoas lutaram na Primeira Guerra Mundial, e morreram mais de 8.500 milhões de membros militares e pelo menos 6.600 milhões de civis. A guerra dizimou terras agrícolas, cidades e campos de batalha por toda a Europa. Aos olhos de muita gente, a Alemanha era a culpada. E embora os historiadores contemporâneos ainda estejam divididos sobre quem deve ser considerado responsável pela Primeira Guerra Mundial, o tratado culpou e puniu a Alemanha.

Líderes europeus assinam o tratado para terminar a Primeira Guerra Mundial, na Galeria dos Espelhos, no Palácio de Versalhes.

Do idealismo à punição

Durante a Primeira Guerra Mundial, o presidente Woodrow Wilson propôs os 14 Pontos, um projeto para a paz mundial que incluía o estabelecimento de uma associação de nações para garantir a segurança europeia e impedir que os países adotassem tratados secretos de proteção mútua. Grande parte desse plano idealista foi ofuscado durante as negociações, quando as outras nações dos Aliados mudaram as suas prioridades para a reconstrução e reparação dos estragos.

O tratado em si foi baseado na culpabilidade da Alemanha pela guerra. O documento despojou a Alemanha de 13% do seu território e de um décimo da sua população. A Renânia foi ocupada e desmilitarizada, e as colónias alemãs foram tomadas pela nova Sociedade das Nações. O exército alemão foi reduzido a 100.000 homens e a recruta de soldados no país foi proibida. As suas armas foram amplamente confiscadas e a marinha alemã perdeu todas as grandes embarcações. A Alemanha foi forçada a colocar Guilherme II, o seu imperador, em julgamento por crimes de guerra. E o tratado exigia que a Alemanha pagasse 269 mil milhões de marcos em ouro – o equivalente a 37 mil milhões de dólares.

Os líderes europeus assinaram o tratado na Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes – o mesmo local onde o Império Alemão fora criado, e o pai de Guilherme II se tornara imperador em 1871. Foi uma bofetada para os alemães que encaravam a famosa cláusula de “culpa de guerra” como uma humilhação. (Os Estados Unidos não ratificaram o tratado devido à divisão política entre democratas e republicanos).

O rescaldo do tratado

Embora existisse um desejo real de paz no rescaldo da guerra desastrosa, o tratado não atingiu os efeitos pretendidos. Furiosos com o que achavam ser um duro diktat (uma paz ditada), os políticos alemães de direita usaram o tratado como um ponto de encontro nacionalista. As indemnizações exorbitantes reduziram a produção industrial do país, e outras forças conduziram a Alemanha à hiperinflação dos anos 1920, contribuindo para a instabilidade económica da Grande Depressão.

Os líderes europeus estavam insatisfeitos com o mapa redesenhado da Europa e com as concessões que cada um fizera em nome de uma paz podre, e alguns ainda estavam desapontados com o facto de a Alemanha não ter sido punida de forma ainda mais severa.

Em 2010, noventa anos depois da entrada em vigor do Tratado de Versalhes, a Alemanha pagou finalmente a última parcela da sua dívida de guerra – com outra guerra mundial pelo meio. Hoje, o Tratado de Versalhes persiste como um estudo de como, no que diz respeito à guerra, as consequências involuntárias podem destruir as melhores das intenções.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

 

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