Objeto Rochoso de Outro Sistema Solar é Algo Nunca Antes Visto

O objeto, denominado 'Oumuamua, é provavelmente um asteroide com 10 vezes mais comprimento que a sua largura.quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Algo estranho passou ao lado da Terra o mês passado e, graças a um trabalho rápido, os astrónomos conseguiram observar, pela primeira vez e como deve de ser, um visitante do espaço interestelar.

Agora batizado de ‘Oumuamua, um termo havaiano para "mensageiro de longe que chega primeiro", o objeto é a primeira massa de rocha e gelo de outro sistema solar que permite aos astrónomos ter um vislumbre de um pedaço que sobrou da formação de um planeta extraterrestre.

"Tem sido de doidos, mas no bom sentido. Para a comunidade de asteroides, este é um anúncio ao nível da onda gravitacional”, afirmou o astrónomo da NASA Joseph Masiero quando o objeto foi descoberto, em referência às recentes deteções de ondas no espaço-tempo que tem maravilhado os astrofísicos.

E como os investigadores comunicaram na revista Nature, este "visitante" corresponde à sua origem exótica: o objeto tem no mínimo 10 vezes mais comprimento do que a sua largura, assemelhando-se a um lápis cósmico gigante a rolar pelo vazio.

“É extraordinariamente alongado, o que é extremamente invulgar — não vamos nada do género no nosso sistema solar”, afirma a responsável pelo estudo, Karen Meech, do Instituto para a Astronomia da Universidade do Havai.

AINDA HÁ MAIS PARA VIR

Rob Weryk, um investigador a fazer pós-doutoramento na Universidade do Havai, identificou o intruso interestelar pela primeira vez a 19 de outubro, numa imagem captada pelo telescópio Pan-STARRS 1 da universidade.

Quando se reuniu com o astrónomo da Agência Espacial Europeia, Marco Micheli, os dois aperceberam-se de que o objeto — provisoriamente denominado "A/2017 U1" — estava a ultrapassar a força gravitacional do sol. Quando os astrónomos confirmaram o percurso de voo balístico do objeto, já estava a sair do sistema solar a mais de 157 715,712 km/h.

Após observarem o objeto no seu percurso de saída, os cientistas repararam que o 'Oumuamua não gerava uma cauda de gás ou poeira à medida que voava ao lado do sol. Tal significa que o objeto interestelar não é, provavelmente, um cometa, sendo antes um asteroide que se formou na parte interior de outro sistema solar.

Os cientistas também observaram que a sua superfície reflete uma luz mais avermelhada, tal como acontece com os cometas e alguns asteroides no nosso sistema solar. Para justificar isto, Meech sugere que o 'Oumuamua está revestido de uma "sujidade" de materiais orgânicos, ferro metálico ou minerais denominados "piroxenas". Para o olho humano, a cientista afirma que é provavelmente um tom castanho profundo.

Além disto, o objeto diminui a intensidade e fica mais intenso 10 vezes mais a cada algumas horas. Este ciclo sugere que o asteroide é comprido e esguio, e gira a cada 7,34 horas. Quando o 'Oumuamua brilha intensamente, com a sua face comprida virada para nós, reflete a luz do sol com mais eficácia. Quando está com menos intensidade, estamos a observar uma das suas extremidades atarracadas.

O ciclo do asteroide também indica que tem algures entre cerca de 179 a 400 metros de comprimento, mas apenas cerca de 39 metros de largura. Este tipo de estreiteza de não tem precedentes. Apenas cinco objetos conhecidos no nosso sistema solar são tão oblongos e todos eles são mais atarracados que o 'Oumuamua.

O objeto já está fora do alcance dos telescópios existentes na Terra, mas os astrónomos ainda estão a segui-lo com instrumentos no espaço. Meech afirma que o Telescópio Espacial Spitzer, que observa luz infravermelha, está a controlar o 'Oumuamua esta semana e a sua equipa irá utilizar o Telescópio Espacial Hubble em janeiro de 2018 para continuar a segui-lo.

À medida que este mensageiro interestelar sai do sistema solar, outros irão ocupar o seu lugar. A equipa de Meech afirma que, a qualquer momento, existe pelo menos um objeto com a dimensão do 'Oumuamua a cerca de 149 milhões de quilómetros do sol. A vantagem é que agora temos uma noção melhor do que procurar para identificar e se podem ter quaisquer origens invulgares.

"Creio que isto nos deixa otimistas para o futuro", afirma Meech,"porque vão aparecer mais objetos destes e vamos estar preparados."

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