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Dez Coisas Estranhas que (Provavelmente) Não Sabia Acerca da Via Láctea

Conheça as peculiaridades e maravilhas da nossa galáxia. Quinta-feira, 25 Janeiro

Por Nadia Drake

Todas as estrelas que vemos, quando olhamos para cima, estão na Via Láctea, a galáxia em espiral a que chamamos casa. Na Via Láctea, estão todos os planetas alienígenas algumas vez detetados, além dos outros milhares de milhões que provavelmente existem na galáxia.

Numa noite escura, o plano denso da Via Láctea serpenteia como uma fita pelo céu. Numa noite realmente escura, em área livres de poluição luminosa, aquela faixa fica tão intensamente estrelada que é possível ver no escuro as nuvens escuras de pó e gás que se formam no espaço profundo e lhes bloqueiam a luz. Estas nuvens são tão proeminentes que os aborígenes da Austrália as viram a criar a forma de um emu.

A nossa casa galáctica é uma entre os milhões de biliões de galáxias do Universo. Os astrónomos têm-nas estudado ardentemente durante quase um século, desde que Edwin Hubble descobriu que a vizinha Andrómeda não era apenas outra nébula poeirenta das redondezas, mas sim uma galáxia de pleno direito. Ainda assim, os humanos estão a tentar desvendar os segredos na nossa casa galáctica e de como esta se arruma na tapeçaria que é o universo.

“Adoraria ver um filme que me mostrasse a formação da Via Láctea ao longo do tempo”, afirma Jay Lockman do Observatório de Green Bank, que apresentou as suas novas conclusões acerca da nossa galáxia esta semana, no 23.º encontro da American Astronomical Society, no Maryland.

Aqui estão alguns factos e questões divertidas que temos acerca da excentricidade espacial, com 13,6 mil milhões de anos, que habitamos.

A VIA LÁCTEA É (QUASE) PLANA

A nossa galáxia tem, em média, cem mil anos luz de largura, mas apenas mil anos luz de espessura. Dentro deste disco achatado (mas algo deformado) estão encaixados o sol e os seus planetas num dos braços curvos de gás e pó, o que coloca o sistema solar a uma distância de cerca de 26 000 anos-luz do núcleo turbulento da galáxia. Uma protuberância de pó e de estrelas enfaixa o centro da galáxia, que parece uma colherada de chantilly colocado em volta de uma panqueca.

A TERRA TEM 18 ANOS GALÁCTICOS

O sistema solar avança vertiginosamente no espaço interestelar a cerca de 804 672 quilómetros por hora. Mesmo a esta velocidade, demora cerca de 250 milhões de anos a dar uma volta à Via Láctea. A última vez que o nosso planeta esteve no mesmo sítio onde agora se encontra, os continentes estavam dispostos de outra forma, os dinossauros estavam a aparecer, os mamíferos ainda não tinham evoluído, e estava a acontecer a extinção em massa mais extensa da história do planeta — um evento chamado de extinção do Permiano-Triássico.

EXISTE UM BURACO NEGRO MONSTRUOSO NO CENTRO DA GALÁXIA

Chamado Sagittarius A*, o buraco negro gigante tem mais de quatro milhões de vezes a massa do Sol. Nunca vimos este objeto diretamente — está escondido atrás de espessas nuvens de pó e de gás. Mas os astrónomos têm sido capazes de seguir as órbitas das estrelas e das nuvens de gás próximas do centro galáctico, que lhes permite inferir a massa dos pesos-pesados cósmicos que se escondem por detrás da cortina. Pensa-se que este buracos negros super-massivos estejam estacionados nos núcleos da maioria das galáxias, e alguns estão a alimentar-se com tal ganância de matéria que se encontra nas proximidades que emanam jatos de radição poderosos, visíveis a milhões de anos-luz de distância. Pode circundar o núcleo caótico da Via Láctea, por cortesia de um novo vídeo de animação lançado na reunião da AAS.

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A VIA LÁCTEA NÃO VIVERÁ PARA SEMPRE

Daqui a cerca de quatro mil milhões de anos, a Via Láctea irá colidir com o seu vizinho mais próximo, a galáxia de Andrómeda. As duas galáxias em espiral estão atualmente em rota de colisão uma contra a outra a 402 336 quilómetros por hora. Quando realmente chocarem uma contra a outra, não será um cataclismo tão grande como poderia imaginar — a Terra irá, provavelmente, sobreviver e muito poucas estrelas serão destruídas. Em lugar disso, a recém-formada mega-galáxia oferecerá uma vista do céu noturno com uma espetacular mistura de estrelas e de feixes nunca antes vista.

O NOSSO SOL É UMA DAS VÁRIAS CENTENAS DE MILHARES DE MILHÕES DE ESTRELAS

Existem centenas de milhares de milhões de estrelas na Via Láctea. Ou serão 300 mil milhões? Ou 400 mil milhões? É isso mesmo — não sabemos ao certo quantas estrelas existem na nossa galáxia. Muitas delas têm uma luz fraca e são estrelas de pouca massa que são difíceis de detetar a vastas distâncias cósmicas, e existem nuvens massivas que obscurecem o volume de estrelas mais próximas de Sagittarus A*. Os astrónomos estimaram o número total de estrelas com base na massa e na luminosidade da Via Láctea, mas não conseguem ainda determinar qual o número exato.

ESTAMOS RODEADOS POR UM HALO ESCURO

A Via Láctea está encaixada num amontoado de matéria negra que é muito mais vasto e maior do que a própria galáxia. No final dos anos 60, do século passado, a astrónoma Vera Rubin inferiu a presença destes halos invisíveis à volta das galáxias quando ela observou que as estrelas que estavam próximas do limiar de Andrómeda estavam a circular à volta do centro da galáxia a velocidades que as deveriam fazer voar pelo espaço. E, mesmo assim, não estavam, o que significa que existe uma espécie de cola cósmica que mantém tudo junto. Hoje sabemos que cola é essa: é a matéria negra.

CONFRATERNIZAMOS COM ESTRELAS ANTIGAS

A Via Láctea também está cercada por mais de 150 grupos de estrelas antigas, alguns dos quais estão entre os mais antigos do universo. Chamados de agrupamentos globulares, estes conglomerados estrelares primordiais vivem no halo da Via Láctea e orbitam o centro galáctico. Cada um deles está atulhado de centenas de milhares de estrelas. Nas proximidades da Via Láctea estão também dúzias de galáxias satélite — muitas delas difíceis de ver, mas as galáxias Pequena e Grande Nuvem de Magalhães brilham todas as noites no céu do hemisfério sul.

A GALÁXIA É UMA ILHA NUM FLUXO DE ESTRELAS

A Via Láctea engole galáxias que se aproximem demasiado. Ao longo dos anos, os cientistas que estudam as franjas da galáxia detetaram cerca de duas dúzias de jatos desmaiados de estrelas que são resquícios de galáxias antigas. Estes rios estelares fantasmagóricos foram formados quando a gravidade da Via Láctea era mais poderosa e arrasou galáxias mais pequenas, deixando para trás vetores brilhantes de restos. No encontro da AAS a equipa de investigação da Matéria Negra anunciou que tinha detetado mais 11 destes jatos, e que tinham sido atribuídos nomes aborígenes a alguns.

O CENTRO GALÁCTICO ESTÁ A LIBERTAR AR QUENTE

A Via Láctea está a libertar bolhas massivas de gás extremamente quente e de partículas energéticas. Estendendo-se muito além das extremidades superiores e inferiores do plano galáctico, estas bolhas, também chamadas de bolhas de Fermi, saem disparadas do centro da galáxia, alimentadas por rajadas de vento que sopram a 3 milhões de quilómetros por hora. Não sabemos ao certo a que se deve a existência destas bolhas, desconhecidas até 2010, mas os cientistas pensam que podem estar ligadas ao frenesim de mortes e formações de estrelas à volta de Sagittarius A*.

NUVENS DE GÁS ESTÃO A FUGIR DA GALÁXIA

Recentemente, foram observadas com o telescópio de Green Bank, mais de 100 nuvens de hidrogénio a afastar-se do núcleo da galáxia a 1 187 696 quilómetros por hora. Os cientistas que estão a estudar o enxame desertor afirmam que as nuvens podem funcionar como pistas para entender o poderoso processo que dá origem às bolhas de Fermi.

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